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Você já ouviu aquele discurso que
Brasília não tem esquinas? E que os endereços de letras e números são
uma confusão só? E aquele que diz que Brasília tem gente de todo lugar
e portanto, não tem cultura? Pois esqueça tudo que ouviu antes.
Brasília tem esquina sim. Com os endereços você se acostuma. Com as
pessoas também. E a cultura feita aqui, por brasilienses ou não, te
encantará. Mas dizer que Brasília não tem cultura, cultura popular,
isso não! Brasília tem cultura popular brasileira sim. Prova disso são
os grupos artísticos aqui existentes ou nos arredores da cidade:
Bumba-meu-boi do seu Teodoro, Pé de Cerrado, Casa de Farinha, Cacuriá
Filha Herdeira, Seu Estrelo e o fuá do terreiro, Coletivo, para citar
alguns. E desde setembro de 2005, o Lua de Luanda, antigo Maracandango.
O grupo de percussão Lua de Luanda toca ritmos do nordeste brasileiro,
como o coco, a ciranda e, principalmente, o maracatu de baque virado
ou maracatu nação. Alfaias, agbês, ganzás, apito, gonguês e caixas
compõem o maracatu de baque virado do Lua de Luanda.
Mas antes do Lua de Luanda, existia o Maracandango, que foi a primeira
e principal fase do grupo. Com o crescimento, a entrada de novas
pessoas, porém não menos importantes, e o aniversário do Maracandango,
surge então o Lua de Luanda. Mas você deve estar se perguntando: -
"Por que Lua de Luanda"? A gente explica. Satélite natural da Terra, a
Lua guia muita gente. Assim é a cultura, um guia, um norte. E Luanda é
a capital de Angola/África. Como sabemos, os escravos do Brasil foram
trazidos da África. E Luanda foi um grande centro de tráfico de
escravos para o país. Aqui instalados, o povo africano teve grande
influência na cultura brasileira, assim como os povos indígenas e
europeus, e agora na era do capitalismo, o povo norte-americano. Mas
voltemos ao século passado onde surgiu, em Pernambuco, o Maracatu, uma
manifestação cultural afro-brasileira. O maracatu nasceu de uma
tradição do Rei do Congo: cerimônias para a coroação do rei e da
rainha dos Negros. As congadas foram instituídas pelos portugueses,
colonizadores do Brasil e de Angola, para assegurar a ordem entre os
negros trazidos, para aqui se tornarem escravos. Esses reis e rainhas
negros eram protegidos pela irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Com
o desaparecimento da coroação dos reis do Congo mais a abolição da
escravidão, o maracatu foi trazido para desfilar nas ruas. O maracatu
tem seu caráter religioso. Mas já existem muitos maracatus sem essa
influência, mas com a característica de conservação da cultura. O Lua
de Luanda é um desses.
Com influência de importantes nomes da música pernambucana (Maracatu
Bate Livre Batucada Badia, conhecido como Maracatu Badia; Comadre
Fulozinha; Cordel do fogo encantado; Coco Raízes de Arcoverde;
Maracatu Nação Estrela Brilhante; Selma do coco, Lia de Itamaracá etc),
o Lua de Luanda retoma, afirma e confirma uma tradição peculiar, feita
do povo para o povo, com paixão e fidelidade. Uma das idealizadoras do
grupo, Lirys Catharina afirma que o Lua de Luanda é um representante
do maracatu tradicional de Pernambuco, mas com elementos, arranjos
novos, músicas próprias, de domínio popular ou de artistas com os
quais o grupo se identifica. O Lua não é contra as recriações
artísticas ou contra o hibridismo cultural existente. A nossa proposta
é resgatar o maracatu, mostrar para aqueles que não conhecem, não
deixar morrer uma cultura fascinante do nosso povo.
O Lua de Luanda nasceu em Taguatinga, lugar um pouco distante do dito
"eixo cultural" da cidade, mas que sempre teve uma movimentação
cultural. O grupo ensaia às 16h de todos os domingos, na praça do
Bicalho, Taguatinga Norte. Os ensaios são realizados numa praça
aberta, é só chegar e participar. O Lua de Luanda agradece. Para
conhecer mais acesse:
www.luadeluanda.blogspot.com |