O Jabuti-Bumbá Marupiara é um
folguedo que surgiu a partir de 2005, num encontro de
culturas populares, a inspiração veio daquela
efervescência da diversidade cultural uma verdadeira colcha
de retalhos que forma a cultura popular brasileira dai nasce
um folguedo popular, criado para traduzir, através da arte,
uma reflexão sobre a questão da preservação da Floresta
Amazônica, trazendo o jabuti, como símbolo de resistência da
devastação da floresta para a criação dos grandes pastos de
boi.
A
Família Farias, criadora e idealizadora deste folguedo, é uma família do
espaço urbano da cidade de Rio Branco, capital do Acre, mas com referências
rurais pela suas raízes, e trazendo uma forte referência de antepassados
nordestinos. A grande particularidade desta família, é a presença de um
número representativo de artistas, dentre eles poetas, artistas plásticos,
teatrólogos, artesãos, ourives, professores e sociólogos. Assim, a
trajetória que deriva desses membros é marcada por um envolvimento mais ou
menos sistemático nos movimentos culturais da cidade.
Jabuti-Bumbá
É um espetáculo de rua, que se brinca em
cortejo ou em circular, com o Jabuti Marupiara* ( que é um boneco Gigante) e
dois jabutis menores, o Tinga e o Tinguinha (estilo burrinha) . Participam,
no mínimo, 10 brincantes,. vestindo chitas* e enfeitados de fitas
coloridas, colares de sementes, cuias e coroas...
Quem abre o cortejo, é o estandarte da padroeira
do f
olguedo
a Nossa Senhora Seringueira. Em seguida, vem o segundo estandarte, que leva
o nome do Folguedo ‘Marupiara Jabuti-Bumbá’. Os brincantes, entre crianças e
adultos, seguem o cortejo,dançam, tocam maracás, zabumba, sanfona, pandeiro,
percussão. Os puxadores cantam as cantigas exclusivas do folguedo, compostas
por integrantes do grupo e outros compositores acreanos, com ritmos variados
mas com uma influência forte nordestina do Baião, da Ciranda, do Frevo, da
Catira de Goiás, do Vira de Portugal e do Cacuriá do Maranhão . Cada
aparição do folguedo traz consigo uma particularidade sempre trazendo
elementos novos no figurino, nos instrumentos, nos brincantes e na própria
formação do espetáculo. Não há uma periodicidade de apresentação, mas vem
se apresentando em Encontros, Seminários, Festivais de Cultura e de Meio
Ambiente e outros eventos no Acre e em outros estados do Brasil.
O grupo já se apresentou no Estado de Goiás, em
2006, em Alexânia, na 66ª Feira de Trocas de Olhos D’Água, no mês de junho e
em Águas Lindas no I Encontro Latino de Bonequeiros, Brincantes e
Pensantes, no mês de setembro . Neste mesmo ano, apresenta-se no Encontro
Regional “A Cultura Popular no Imaginário Amazônico”, em Porto Velho – RO,
em julho de 2006; no I Encontro Sul – Americano das Culturas Populares e II
Seminário Nacional de Políticas Públicas para as culturas Populares, em
Brasília- DF, em setembro de 2006. Em junho de 2007, o Jabuti-Bumbá
participa do XXXI Encontro Nacional de Folguedos do Piauí .
O
Jabuti
Na tentativa de trazer à tona uma reflexão e uma
crítica sobre ações concretas para a preservação da Amazônia, o Jabuti-Bumbá
traz, como símbolo, o jabuti, porque é um dos bichos mais afetados nas
queimadas, e também o mais resistente. Além disso, ele foi referenciado por
contrapor as brincadeiras de bois e, principalmente, trazer uma resposta ao
grande desastre ecológico ocorrido no estado do Acre, no ano de 2005.
MÚSICAS DO JABUTI-BUMBÁ
A música é a base do enredo deste folguedo,
através dela que o Jabuti-Bumbá expressa toda sua existência. Trazendo
aspectos da história do Acre, reivindica a manutenção da floresta e a
valorização e do imaginário popular(as lendas e causos). E expressa as
influências musicais de outros folguedos.
É a via de comunicação entre os brincantes e o
público. A Primeira música concebida para o Jabuti-Bumbá foi ‘Jabutis e
Jabotas’ com autoria de Bab Franca, no mês de agosto de 2005, apresentada
num almoço com a família reunida na casa de Eleonora Farias.
A
CONFECÇÃO DO BONECO
A imagem nasce na “ Miração” * , nos sonhos do idealizadores. Mas foi em
Agosto de 2005, que começa o processo de elaboração física do boneco
Marupiara, por Bab Franca, Silene Farias e Cleberson Monteiro. Processo que
durou três meses .Sobre este processo a segue alguns depoimentos dos
brincantes:
“O movimento foi grande
Tudo que a Silene pegava
Era investido no casco”
(Cícero Farias)
Segundo Silene Farias
“A participação dos irmãos, amigos e familiares de modo geral foi ficando
mais intensa na medida que o boneco do jabuti desenhado por Bab, tomava
forma em escultura feita por Cleberson Monteiro, aluno de Fernando Augusto,
nosso mestre na arte fazer e animar bonecos gigantes, em um oficina
realizada em Rio Branco no ano de 2002, na qual teve participação a maioria
das pessoas que compõem o Jabuti-Bumbá. “
Cleberson Monteiro é o responsável pela preservação e manipulação dos
bonecos do Bloco acreano, e o faz até a hoje. Sobre os detalhes do processo
de construção do boneco Marupiara Jabuti –Bumbá,
A RELIGIOSIDADE
No Folguedo Marupiara Jabuti-Bumbá, existe elementos de duas religiões com
forte presença no estado Acre, a católica trazendo uma santa como padroeira
do Folguedo ( Nossa Senhora da Seringueira) e elementos nas letras de
músicas(com o imaginário das mirações do Santo Daime) , no ritmo do
instrumental( os maracás) e na primeira coreografia do cortejo ( O bailado
movimento muito usado em alguns rituais do Santo daime.
Fizemos uma pergunta para os idealizadores (Bab Franca e Silene Farias).
“Existe uma religiosidade dentro do folguedo?”
Este material teve como fonte,
a pesquisadora de folguedos Ísis Farias que faz
parte do Jabuti-Bumbá e da família Farias. que encontra-se em Lisboa,
fazendo mestrado em artes visuais.
“Não existe religiosidade ,mas sim uma interpretação e valorização desta
religiosidade através da ótica cultural e histórica;tanto do ponto de vista
estético,rítmico e sonoro.”
Bab Franca
”Através da Homenagem à Nossa Senhora Seringueira e da referência ao Daime
(influência de som, ritmos de maracás e mesmo coreografia do bailado)
religião criada por mestre Irineu Serra, neto de escravos que veio para o
Acre no período da extração da borracha.”
Silene Farias