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O objetivo desse artigo é mostrar as possíveis influências musicais
do mundo na música brasileira desde os primórdios do descobrimento
até os dias de hoje.
A música na sua essência é composta da arte de combinar ritmo, som e
emoções.
O ritmo é a criação estética que regula as relações de duração dos
sons musicais, compreende em ritmo puro ou mecânico que é apenas
movimento simétrico que assinala a música-obra. O ritmo também pode
ser estético que é a harmoniosa correlação dos fenômenos que
despertam a impressão do belo. Essa impressão agradável é na música
a ordem dos sons, assim como é na pintura a ordem das cores. Além
desses dois tipos de ritmos temos o expressivo, algo indefinível que
completa o belo que assinala a música-arte. Ritmo então é mais que
uma mera ordem simétrica de movimentos, constitui com a harmonia o
fator essencial da música, regulando a sucessão dos tempos do
compasso e agrupando seus valores em motivos, frases, períodos, etc.
dando finalmente a composição musical o seu caráter intrínseco, para
exprimir sentimentos, tais como: instabilidade, agitação,
solenidade, lassidão ou quietude.
Hoje vamos contar a história e descobertas pelo mundo de ritmos e de
culturas musicais que influenciaram a música popular brasileira.
Nossa música sempre recebeu influência da mídia na disseminação de
estilos e sons, que nem sempre estão voltados á qualidade, mas sim
ao que é rentável.
Desde os primórdios anos do descobrimento do Brasil, a tríplice
influência das nações africanas, européia e indígena local, nos traz
traços marcantes como o afro-indígena herdados dos índios e negros
que cujo ritmo criva a linha melódica trêfega com seus incisos
breves e pequenos intervalos, a frisante riqueza e singular agrestia
do acompanhamento, e sobre tudo a nota de melancolia e languidez das
tonalidades. Muito dessas formas musicais continuam vivas nas
manifestações populares, tais como na catira ou cateretê, os
coloquinhos, congados, maracatus, batuques, jongos, lundus,
emboladas, etc. Já a influência européia evidencia-se mais a
influência portuguesa e espanhola. De Portugal herdamos os reisados,
os pastoris, as cheganças, o bumba-meu-boi, e principalmente a
modinha. Já a influência espanhola refletiu-se de forma mais
indireta, através dos fandangos, boleros, tangos e outros.
No imenso território brasileiro as manifestações populares se
caracterizam como trágicas no norte, no nordeste dolente e lânguido
mais africano, no litoral central um toque de cosmopolitismo e no
sul tal como o tango e a rancheira, há um tom mais soberbo e
sensual. Porém um ritmo sincopado é constante e característico na
música brasileira.
Tantas influências vinham e vêm ainda ornar essa raça nascente
brasileira. Rara também e muito misturada que desde logo mostrou
forte musicalidade e grande propensão a criatividade. Segundo alguns
estudiosos, nós brasileiros somos como canários nascemos músicos.
Nossos melhores frutos estão no seio do povo mais simples, sem
estudo, sem cultura erudita. A terra Brasil sem a cultura musical do
velho mundo cria música nativa que está entre as mais belas e mais
ricas do mundo.
Quando nos referimos à qualidade musical, falamos de letra e
musicalidade. Uma das raízes musicais do ritmo brasileiro é o blues,
oriundos dos cantos e danças africanas trazidas pelos descendentes
da arte do GRIOT identificados como trovadores e contadores de
histórias. O Blues afro-americano, característico principalmente do
sul dos Estados Unidos, de escravos das plantações de algodão que
usavam o canto para embalar suas jornadas de trabalho, é evidente
tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de
suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos
como religião, amor, sexo, traição e trabalho. Porém o conceito de
"blues" só se tornou conhecido após o término da guerra civil quando
sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de
espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e
melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas.
Misturando o som melancólico do blues com a sanfona nordestina
embalada pela zabumba, pandeiro e triângulos, descobre-se então uma
nova influência dita agora européia. Devido aos bailes promovidos
pelos construtores das ferrovias onde todos podiam participar sem
distinção de classe social ou raça, homens ou mulheres, segundo
estudiosos, a palavra forró quer dizer “For All” isso é, para todos
em inglês.
Há ainda as formas nitidamente autóctones do maxixe que veio a
influenciar o samba urbano e rural com acentuadas influências
africanas. O maxixe considerado o primeiro tipo de dança urbana
brasileira, divulgada com bastante sucesso na Europa no princípio do
século XX, resultou da mistura de vários elementos diferentes tais
como: a habanera, a polca e o lundu. Essa dança recebeu esse nome em
substituição ao “tango”. Sua influência vem do final do século XIX e
como é citado por estudiosos
“O
tango é um pensamento triste que se pode dançar”
Considerado nome impróprio e de origem platina, mas como o objetivo
de levar sua admissão nos salões de onde fora repudiado como imoral,
por ser dançado até então por profissionais em cabarés; a fixação e
adaptação do maxixe, da sincopa africana ao nosso ritmo popular se
deve, a obras em piano e também a peças cantadas de forma ainda mais
popular da segunda metade do século XIX, e se impôs até a década de
1920-30, quando esse então cedeu lugar ao samba, a que transmitiu
várias características ritmo melódicas.
O
samba é a dança brasileira mais popular de origem batuqueira oriunda
dos africanos e cuja área se estende do Maranhão a São Paulo, com
modalidades e coreografias diversas identificadas como coco, baião,
jongo e alcança sua plenitude rítmica no Rio de Janeiro, onde é
cultivado sobre tudo pelas escolas de samba, destacando-se nos
períodos do Carnaval – Fevereiro a Março. O carnaval é a maior festa
popular brasileira que antecede à Quaresma (festa católica que
encena a morte e ressurreição de Cristo), trazidas pelas influências
do velho mundo pelos blocos de rua e festas à fantasia e máscaras
nos salões deve-se ressaltar a grandes influências dos carnavais de
Nice (França), Florença (Itália), Veneza (Itália portuária), Nápoles
(Itália Meridional), Colônia (Alemanha) e Nova Orleans (EUA).
O samba com seus ritmos e coreografias diversas criou-se subdivisões
específicas com características intrínsecas e muito diversificadas.
Destacam-se:
No
ritmo coco, muito comum nos estados do norte e nordeste brasileiro,
os dançarinos formam uma roda, girando e batendo palmas com o
acompanhamento de pífaros e percussão. Muito encontrada no litoral e
sertões nordestinos, contém influência africana, porém a sua
disposição coreográfica coincide com a dos bailados indígenas,
especialmente tupis. É comum a roda de homens e mulheres alternados
com um solista no centro, dançando até ser substituído por outro,
depois de uma umbigada. A dança inclui palmas, sapateados e algumas
formas características, como o travessão, cavalo-manco,
tropel-repartido e sete-e-meio. Existe uma grande variedade para o
coco: coco-do-sertão, coco-de-roda, coco-de-praia. Mas sua
coreografia é muito próxima uma da outra.
No
ritmo baião, muito difundida no nordeste brasileiro durante o século
XIX, a partir de 1946 assume importância nacional e internacional
como dança propriamente, ligada ao épico dos cangaceiros e ao ciclo
do couro. É uma dança de pares, executada em todo o interior
nordestino, às vezes formando roda, com sapateados, palmas,
umbigadas, meneios e estalar de dedos substituindo castanholas
influência espanhola, que de forma muito simplificada invadiu os
salões e shows pelo país.
No ritmo jongo ou tambu, dança negra, violenta, com giros e passos
deslizantes pertence à família das batucadas e das rodas de samba, é
muito difundida no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e
São Paulo. São famosas nas cerimônias religiosas chamadas de danças
de origem africana: os candomblés (Bahia), xangôs (Pernambuco,
Alagoas e Paraíba), tambor-de-mina (Maranhão), babaçuçuê (Pará).
Nelas os orixás, divindades do fetichismo afro-brasileiro se
manifestam por meio dos iniciados, chamados de filhos-de-santo. As
cerimônias se iniciam com uma dança geral dos praticantes da magia.
O ritmo intenso dos tambores produz crescente amortecimento da
consciência que devido aos intensos giros os dançarinos ficam tontos
e baixam a excitação nervosa.
Repentinamente
depois desses intensos giros uma ou outra das filhas-de-santo cai em
convulsões. É levada para a camarinha, onde é vestida com o traje
característico do santo que conforme relatos dos praticantes é nessa
hora o santo “tomou posse dela”. Volta então à sala para dançar.
Assim acontece com outros médiuns, homens ou mulheres. A dança se
constitui de mímica característica do santo personificado,
contorções, movimentos, passos e trejeitos violentos. Mesmo alguns
assistentes mais fracos, “caem no santo”. Essas cerimônias têm sido
teatralizadas, algumas com fidelidade, como nas realizadas por
bailarinos famosos como Katherine Dunham.
Com a influência espanhola a dança brasileira e seus ritmos seguem
um passo mais ligado às características do sapateado, requebros e
palmeados.
Destaca-se
a chula nordestina oriunda do antigo lundu: dança lasciva, com
sapateios ritmados, incluindo umbigadas africadas e estalar dos
dedos ibéricos. No interior de São Paulo, Minas Gerias e Goiás
destaca-se o cateretê ou catira com sapateado ritmado, coreografado
em fileiras e acrescido de palmeado coordenado, muito rico em
diversidade, criatividade e arte. Os bailarinos se preocupam com a
agilidade, coordenação e conjunto. Existem grupos com
características diversificadas em toda região, alguns mais
tradicionalistas, com ritmos mais lentos e tons mais baixos sempre
acompanhados da viola caipira. Outros mais ágeis, com coreografias
trançadas, pés mais altos como os sapateados irlandeses.
O
carimbó, da Ilha de Marajó é uma dança solista também oriundo do
lundu, mas sem acompanhamento de canto. A bailarina executa
simplesmente um amplo e sereno rebolar das cadeiras, permanecendo no
mesmo lugar ou circulando lentamente num espaço de cerca de dois
metros quadrados.
A
dança de São Gonçalo é uma influência típica lusitana, é feita em
geral para se pagar uma promessa ao santo protetor das solteironas.
Depois de rezada a ladainha em frente a um altar muito enfeitado, se
passa a dança dos arcos, de ritmo mais lento. Esses arcos são muito
coloridos, enfeitados de flores onde os dançarinos fazem evoluções e
desenhos mais elaborados entre si e com os arcos, orientados por um
guia ou marcante.
O
Bumba-meu-boi é mais interessante pelo enredo do que pela dança em
si. Trata-se de uma série de quadros, com personagens tradicionais,
ligados por figuras principais: o boi, o cavalo-marinho, o capitão,
arlequim, Mateus, Bastião, calu e outros.

Termina com a morte e ressurreição do boi, que é a figura central.
Essas representações são realizadas no nordeste brasileiro na época
do natal sempre mascarados os dançarinos usam trajes grotescos e
cômicos e desfilam pelas ruas cantando versos de sátiras picarescas
e muito engenhosas.
Os
reisados, também de forte influência lusitana, chamados de ranchos,
ternos ou folias de reis usam de trajes coloridos e originais.
Festejam o Natal e o Dia de Reis, com cantos e danças de enredos
ridos em pequenos atos encadeados ou não. A apresentação é toda
cantada e dialogada, sendo a dança episódica. Também faz parte dessa
manifestação as chamadas cheganças, danças mais dramáticas,
relembrando as guerras de cristãos e mouros.
Têm
origem moura e são dançados em Minas Gerais, São Paulo e Amazônia
mais conhecida como: marujos, marujada, barca, fandango,
nau-cararineta.
Os
chamados caboclinhos ou cabocolinhos é uma das danças mais
interessante dessa região centro-sul brasileira, são grupos
fantasiados de indígenas que aparecem durante o carnaval. Executam
um bailado ritmado em binário, ao som de pancadas das flechas nos
arcos, fingindo ataques e defesas, em evoluções de filas e de rodas,
com um solista ou cacique. Os passos são em número reduzido: abaixa
e levanta e troca de pés. Pertencem ao pequeno grupo de danças com
reminiscências ameríndias tais como caiapós, dança dos pajés, dança
dos tapuios, caboclos e tapuiadas, de São Paulo, Minas Gerais e
Bahia.
Os
congos são autos brasileiros de origem africana, assim como as
congadas de Minas Gerais e São Paulo. O tema essencial é a embaixada
enviada pela guerreira rainha Ginga a um potentado negro. As danças
imitam lutas, com movimentos de armas e cantigas de excitação. O
mesmo modo são os cucumbis baianos. Os reis do Congo são coroados
nas igrejas com grande cerimonial, seguido por danças e cantos.
Neles há o sincretismo religioso e social comuns a outros itens
afro-brasileiros culturais.
O
maracatu é mais um préstito que uma dança, sendo a única dançarina
propriamente dita a “Dama do Paço” que conduz um boneco denominado
calunga. É um vestígio dos séquitos dos antigos reis do Congo. O
grupo tem sempre o nome de Nação e segundo o rei e a rainha vêm
príncipes, damas, embaixadores, dançarinas e indígenas com belos e
custosos trajes.
O nordeste brasileiro é a região mais farta em manifestações
populares do país. Sua variedade de danças, músicas e tipos humanos
é imensa. Uma das danças mais populares e mais rica em coreografia e
performance é o frevo.
O
frevo pernambucano é considerado uma das danças mais difíceis e que
mais exige preparo físico e alongamento do mundo. A sua variedade de
passos característicos, como parafuso, dobradiça, urubu-malandro,
folha-seca, chá-de-barriguinha, tesoura, dentre outros... dominados
pelos bailarinos que citam mais de 30 passos diferentes. Cada um tem
repertório e estilo próprios e a dança é sempre improvisada. Homens
e mulheres em verdadeiras multidões movediças dançam nas ruas e
salões. Frevo vem de fervura, seu reinado é o carnaval e seu motivo
é apenas a alegria de movimentos e de ritmos. É abstrata, harmônica,
solista e extremamente ginástica. O rápido andamento (2/4 sincopado)
e o intrincado da coreografia tornam-na de difícil execução, fazendo
famosos dançarinos, os passistas, que às vezes se munem de um
chapéu-de-sol aberto, como instrumento protetor do equilíbrio e de
maior beleza para os movimentos. Presta-se admiravelmente à
estilização e pode ser ensinado facilmente a bailarinos
profissionais, o que não acontece com as outras danças brasileiras,
como o samba do morro, por exemplo, em virtude de possuir passos
definidos e ritmo bem marcado. Para se dançar o frevo o bailarino
precisa de um bom preparo físico, coordenação motora, alongamento e
muita alegria.
O
samba do morro é derivado do batuque, proveniente de Angola ou
Congo. Samba é uma palavra africana para a umbigada. Seus passistas
executam um entremeado de pés, em rapidez e agilidade
impressionantes. Baseia-se num sapateado em 4 tempos, porém não
segue simplesmente o compasso da música, sua variação rítmica é
extraordinária, usando contratempos, síncopes, ritmos múltiplos ou
alterados. È uma dança que está no sangue e a cadência jamais foi
completamente ensinada.
Depende mais de gestos característicos e instintivos, do que de
passos propriamente ditos. Nisto, muito se aproxima da dança
flamenca, igualmente sem leis nem regras, totalmente improvisada e
inconsciente. Existem dançarinos, especialmente homens, com tal
destreza, que são dignos de admiração mesmo se comparados a
bailarinos de alto treinamento profissional em outros tipos de
dança. Samba é a marca brasileira.
Nos dias de hoje, o ritmo brasileiro e suas danças foram invadidas
pela globalização.
O samba canção derivado da influência americana do rock já nos
meados do século XX (1950) encontra terreno fértil junto à juventude
brasileira fazendo crescer já nos anos 60, as baladas chamadas
“Jovem Guarda”, “Clube do Rock”, “Alô Brotos”, etc. Desde então o
ritmo voltado à renovação melódica brasileira foi denominada bossa
nova, com o intuito de modificar as estruturas tradicionais do samba
e aproveitar alguns ritmos jazzísticos oriundos dos Estados Unidos,
mas com influências melódicas européias.
Na década de 50 ainda, também iniciava a influência do rock no
Brasil, com o aparecimento de várias versões de grandes sucessos
regravados em português por grandes cantores brasileiros,
tornando-se febre nos embalos de “Ritmos para a Juventude” da Rádio
Nacional, “Crush e Hi-Fi” da Rede Record, “Clube do Rock” – Rádio
Tupi, “Alô Brotos” – TV Tupi e ainda o grande estouro da “Jovem
Guarda” – Rede Record, já com uma influência dos Beatles e o estilo
iê-iê-iê.
No final dos anos 60 surge então a tropicália, ao unir o popular, o
pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram
impulsionando a modernização não só da música, mas da própria
cultura nacional. Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o
tropicalismo misturou rock, bossa nova, samba, rumba, bolero e
baião.
Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País.
Pop x Manifestações Populares. Alta cultura x Cultura de Massas.
Tradição x Vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato
com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes
experimentais para a época.
Irreverente, a tropicália transformou os critérios de gosto
vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e
ao comportamento,
ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi
assimilada,
com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas
escandalosamente coloridas.
Por volta dos anos 70, escobre-se nas festas do norte brasileiro,
grande influência danças folclóricas jamaicanas, mais conhecidas
como: o ska e o calipso. No estado do Maranhão, principalmente na
capital São Luís, é comum a organização de festas ao som de reggae.
Esse ritmo trouxe para o Brasil o jeito dançante e suave de se
expressar, com a presença da guitarra, contrabaixo, bateria e letras
que retratam questões sociais.
Nos anos 70, a música brasileira sofre grande influência caribenha,
com tempero cubano identificado nos bailes festivos da sociedade. O
mambo, rumba, bomba, merengue, adentra nossa música influenciando a
criação dos ritmos rap e techno. Na rumba o som das maracas faz do
ritmo frenético dos ombros uma marcação sincronizada com quadris e
passos cruzados de grande alegria. É uma dança cubana em compasso
binário e ritmo complexo que influenciou e foi incorporado ao
Flamenco. A rumba caracteriza-se por um estilo mais suave e
descontraído, de certa forma alegre, e de caráter menos misterioso
do que os outros palos flamencos, como seriam o caso da buleria, por
exemplo. Em termos da melodia, a escala menor harmônica não é tão
utilizada quanto nos outros palos, sendo que geralmente uma escala
diatônica predomina e interage em breves momentos com a menor
harmônica em suas notas ciganas (o que de certo modo ajuda a manter
as características do flamenco nesse estilo diferente).
Nos anos 80, os grupos de sucesso de músicas ciganas trazem para o
cenário brasileiro um ritmo romântico, sofrido e empolgante, estilo
esse denominado flamenco, mas que tem raízes mais profundas na
cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus. A cultura
do flamenco é associada principalmente à Andaluzia na Espanha, e
tornou-se um dos ícones da música espanhola e até mesmo da cultura
espanhola em geral. No Brasil a influência se dissipou pelas
academias de dança, grupos profissionais e bailes juvenis com uma
dança empolgante e alegre trouxeram a música brasileira um sabor
mais descontraído, elegante, muito sensual e misterioso.
Nos anos 90, com a abertura política dos países árabes e uma maior
troca de informações culturais nos deparamos com as danças e músicas
orientais, da , Irã, Turquia e também da Índia, ricas em movimentos
de braços, cabelos, ombros e o acompanhamento de gaita-de-foles e
pandeiros. Na música brasileira encontrou grande berço para
dançarinas que possuem grande mobilidade de quadris e beleza
natural. A dança do ventre difundida pelas novelas e filmes pelo
mundo da TV brasileira trouxe junto às famílias mais cultura sobre a
Índia e o oriente e as danças dessas regiões, aguçando a curiosidade
das crianças e adolescentes em aprender a dançar o dundar da
Turquia, danças egípcias, dança do ventre e danças indianas como o
Bharatanatyam.
Cultura segundo a pedagogia, ou erudição é, como dizia
paradoxalmente alguns estudiosos:
“...é o que resta depois de se ter esquecido o que se aprendeu.”
... ou melhor, é o conhecimento amadurecido dos princípios gerais de
bom número de disciplinas. Essa cultura geral ou filosófica pode
tornar-se enciclopédica quando abrange o saber humano de certa
época. Essa cultura enciclopédica, com o progresso e aumento das
especialidades, vão-se tornando cada vez mais raras. Os homens
verdadeiramente cultos formam sempre pequena minoria. Adquire-se
cultura pelo estudo, pela observação e com o próprio passar dos
anos. Há nas democracias, a justa preocupação de elevar o nível
cultural das massas populares, dando-lhes ensejo de, por diversos
modos, adquirir conhecimentos, em escolas de diversos graus, nas
universidades populares, em cursos pelo rádio e cinema educativo e
por todos os outros meios de difusão cultural. Alguns desses
recursos podem ser utilizados não apenas na difusão cultural, dentro
dos centros urbanos, mas também nos meios rurais. Por isso o grande
interesse hoje demonstrado por estudiosos pelas culturas
tradicionais, que vão de encontro a esses paradigmas de acúmulo de
conhecimento universitário ou técnico para um conhecimento mais
humano e pessoal. Prova essa que a cultura popular se perpetua pela
passagem de conhecimento entre pais e filhos, conhecimento esse que
se transfere através da convivência, observação e prática. Não é um
tipo de cultura que se pode esquecer, pois não se trata de
aprendizagem teórica e sim uma prática cultural.
A dança no Brasil passa de arte de movimentos plásticos e rítmicos
do corpo, expressa muita emoção e idéias de um povo místico,
miscigenado e sofrido. Demonstra o poder das raças e da harmonia de
instrumentos, cantos e cores. Revela uma alma cheia de sonhos,
sensualidade e poesia que combina com a riqueza de nossas tradições
e influências trazidas do mundo inteiro.
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Editora, São Paulo – SP
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- GOMES, Christianne Luce. Belo Horizonte, Autêntica, 2004.
- MARTINS, S., A Dança de São Gonçalo, Edições Mantiqueira, Belo
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- RIBEIRO, D., O Povo Brasileiro, A Formação e o Sentido do Brasil,
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- RODRIGUES, W. W., Folclore Coreográfico do Brasil, Publicitan
Editora, Rio de Janeiro – RJ
- SOUZA, M. I. G. MELO, V. A. Dança (in) Dicionário Crítico do Lazer
(ORG).
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REVISTA DIGITAL - ANO 14 - NUM 142 - BUENOS AIRES - MARÇO DE 2010
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Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 139 - Diciembre de 2009
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