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Luis Turiba
"Até logo! Até logo! Companheiro
Despeço-me sombrio e te asseguro
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no
futuro"
É sempre assim:
quando um poeta descansa, toma
seu rumo e pede passagem; é mais
um verso que se faz lágrima na
plumagem. Quando um poeta
escorrega para a lembrança, é
como a fumaça ou quem sabe, uma
rima pobre na busca do rico
milagre.
Com Paulo Tovar
não será diferente. Ele também
contribuiu para o Livro
Universal da Poesia. Poeta
andarilho, quase um Bashôzinho
buscando seus caminhos nos
campos de arroz pelo cerrado do
Planalto Central, ele foi uma
figura presente e marcante da
nossa geração em Brasília.
Juntou-se a nós (Nicolas Behr,
Renato Matos, Haroldinho Matos,
Neio Lúcio, Wagner Hermuche,
Noélia. Paulo Djorge – vou parar
nessa simbólica meia dúzia de
três ou quatro) nessa caminhada
que começou ali no início dos
anos 80, no gramado da 310 Sul,
nos Concertos Cabeças, e
terminou agora depois de quase
três anos de uma incansável luta
contra um câncer no cérebro.
Tovar não passou
em vão por esta trilha estreita,
seca e breve que é nossa
existência. Deixou seu carimbo.
Fez poesias, músicas, parceiros,
deixou filhos, amores, venceu
festivais, criou polêmicas,
plantou árvores. Tive a notícias
da sua partida no início da
noite de ontem. Ele havia sido
levado para o hospital já
totalmente inconsciente, com
falência múltiplas dos órgãos.
Era a viagem sem volta. O poeta
iria descansar. Hoje, recebi
muitos i-meios e certamente a
internet será o canal ideal da
sua despedida de tantas
lembranças guerreiras.
Entre as
mensagens, escolhi a de Paulo
Timm, ex-secretário de Meio
Ambiente do governo Roriz,
economista, professor da UnB,
também poeta como nosostros, ele
escreveu:
"Não há como
falar do Tovar sem falar em
música. E não há como falar de
sua morte sem emoção. E me
ocorre uma bela e comovente
canção - acho que do Chico
Buarque ou cantada por ele, o
Tovar sempre me criticava por
entender pouco de música- , que
diz: "Em Mangueira quando morre
um poeta, todos choram". Pois
hoje Brasília está transformada
numa imensa Mangueira, toda
verde e rosa chorando a passagem
de um de seus maiores poetas:
Paulo Tovar
Timm foi
companheiro de Tovar em Olhos
D´Água, assim como Áurea Lúcia,
Renato Matos, Bic Prado e tantos
outros. Conviveram com o
poetinha no interior do Goiás,
cuidando da terra e das águas.
Timm escreve:
"Vai com a tua Juriti encantar
novos caminhos. Fica apenas meu
testemunho da tua condição
humana, da tua alma frágil que
jamais se deixou seduzir
pelo desencanto
de um mundo, que de tão cruel te
marcou tanto, com tantas
cicatrizes."
Façamos nossas,
as sua palavras, professor.
Paulo Tovar venceu o 1º Festival
de Música da CUT Nacional.
Inventou o poema-óculos; o
"H2OlhoS", uma criação genial
que ele vendia de bar em bar.
Tinha sempre um projeto debaixo
do braço e uma idealização na
cuca, um jeito dengoso de ser e
uma angústia no viver.
.
MARCO ZERO VENCEU O FESTIVAL DA
CUT
(Paulo Tovar / Haroldinho
Mattos)
Quando não havia torre, lago
ou rodoviária
Que o Eixão era somente uma
forma imaginária
A ciriema cantava solene
compenetrada
Vacas e bois ruminavam no
meio da Esplanada
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas
Quando não havia ainda
Samambaia e Setor P
Quando lobos farejavam
Nos campus da UnB
E tatus faziam túneis
Muito antes do metrô
Tropeiros e comitivas
Arranchavam livremente
Onde se fez o Palácio
Onde se fez... a Rodô
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas
Quando só havia mesmo
Este céu por testemunha
Quando tudo que se via
Era o vasto chapadão
Seguidores de estrelas
Caçavam pedras e índios
Muito antes de Ana Lídia
Ou da forma... do avião
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas
Paulo Tovar, cantor, compositor,
poeta, da geração mimeográfo de Brasília, autor do livro Tiro ao
Alvo (poesia)
Por Joanfi *
Amigas, amigos e admiradores do nosso Paulo Tovar, infelizmente
tenho que dar a triste notícia: Paulinho, o nosso querido Tovar,
descansou da luta medonha que há três anos vinha travando contra o
câncer.
Meu coração tem um desejo imenso de ver o dia
nascer pelo avesso...
Não
há como falar do Tovar sem falar em música.
E não há como falar de sua morte sem emoção.
E me ocorre uma bela e comovente canção
- acho que do Chico Buarque ou cantada por ele, o Tovar sempre me
criticava por entender pouco de música- , certamente, que diz: EM
MANGUEIRA/QUANDO MORRE/UM POETA/TODOS CHORAM...!!! Pois hoje Brasília
está transformada numa imensa Mangueira, toda verde e rosa
chorando a passagem de um de seus maiores poetas: PAULO TOVAR.
Veja mais!
Noticias de Paulo Tovar
Por: Paulão de Varadero e Joanfi
Viagem a
Catalão
Relato de uma viagem sentimental

Prezados amigos e amigas desse escriba de butiquim:
A migas e amigos do querido Paulo Tovar
Estive com o nosso querido Tovar neste último fim de semana, na casa da
sua mãe, de seu irmão, também Paulo Tovar, lá em catalão, no grande
sertão de Goiás.
Veja mais! |
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Paulo Tovar
H2Olhos
Das duas, uma: ou você clica este botão ou você clica este botão. Não dá para ficar impassível diante daquilo
que o mundo lhe arreganha. Vamos lá: abra seus ouvidos, abra seu coração e mostre-nos que sua alma está disposta a correr o risco de não ser riscada do mapa e de acreditar que somos não uma ironia de fora para dentro e sim uma alegria de dentro para fora.
Juntamos os caquinhos, esquentamos os couros, esticamos as cordas, sopramos os metais e aqui estamos nós
macumbando sua atenção e torcendo para que esta sonoridade faça qualquer possível mal-estar sair de fininho.
O cd H2OLHOS espera por você.
Grato. |
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Marco Zero
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CD H2OLHOS
Ficha técnica
Gravado no OZ Estúdio entre outubro de 2001 e Dezembro de 2002.
Técnico de Gravação: Pauly de Castro.
Direção musical: Paulo Tovar / Daniel Baker / Paulo D’George.
Arranjos: Daniel Baker, Paulo D’George e Toronto.
Direção Geral e Produção: Paulo Tovar.
Guitarras: Toronto e Haroldinho Matos
Violões 12 cordas: Toronto Viramundo
Bateria: Leander Motta e Bahia
Bateria eletrônica (prog.): Daniel Baker e Paulo D’George
Contrabaixo: Pedro Martins
Contrabaixo eletrônico (prog.): Daniel Baker e Paulo D’George
Percussão: George Lacerda
Trombone: Alciomar Oliveira
Trompete: Flama
Sax-tenor: Ricardo Barrenachea
Teclados: Daniel Baker / Paulo D’George
Gaita Harmônica: Engels Espírito
Participação especial em “Rola a Bola”: Gérson de Véras
Participação especial em “Poeira das Estrelas”: Adriano Faquinni
Participação especial em “ As Vacas do Mané Ruço”: Pauly de Castro
Vocais: Andréa, Virgínia, Pauly de Castro e Maria Gomide |
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REPERTÓRIO
01 - Marco Zero (Haroldinho Mattos / Paulo Tovar)
02 – Rola a Bola (Paulo Tovar)
03 – As Vacas (Paulo Tovar)
04 – Poeira das Estrelas (Paulo Tovar)
05 – Nem aqui e nem ali ( Didi ) (Paulo Tovar)
06 –Tudo acaba (Paulo D’George / Paulo Tovar)
07 - Periquita Perfumada (Paulo Tovar)
08 – Semente (Renato Matos / Áurea Lu / Paulo Tovar)
09 - Vidas Erradas (Paulo Tovar)
10 - H2OLHOS (Toronto / Paulo Tovar)
11 - Rola a Bola Versão MIX (Paulo Tovar) Arranjo: Pauly de Castro |
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Entrevista ao
repórter Marcelo Nantes do Jornal Caderno Brasília
Quando chegou em Brasília, o que mais chamou
atenção do adolescente Paulo “Tovar” Hummel não foi o esoterismo do cerrado
que, para alguém como ele, oriundo de Catalão (GO), não era o que se pode
chamar “um museu de grandes novidades”. No seu caso ou no de qualquer outro
recém-chegado em 1969 (ainda na primeira década da nova capital), e
considerando que o pouso era a 312 Norte, “o choque foi muito grande”.
“A
quadra tinha poucos anos de vida, mas já era uma espécie de cidade dentro de
uma cidade. Eu tinha uns 12 anos, mas logo percebi que estava num lugar de
forte expressão artística. E minha motivação aumentava a medida em que ia
sentindo aquele cheiro de tinta fresca espalhada por outros cantos, fosse da
Asa Sul ou Asa Norte”, recorda o agora músico e compositor Paulo Tovar.
Ele não sabia, mas em pouco tempo iria participar de dois dos principais
movimentos culturais de Brasília. Um deles aconteceria ali mesmo, na 312
norte. O “Panelão da arte” reuniu todos os segmentos culturais existentes na
cidade, no final dos anos 70. foi um inspirador natural do “Concerto
Cabeças”, cujo apogeu se deu nos primeiros meses de 1979, do outro lado da
cidade, na 311 sul. “Eu conheci aquela turma um pouco antes, quando passei a
freqüentar o Beirute”, conta Tovar.
“Aquela turma” era composta por Nicolas Behr, Renato Mattos (com quem gravou
um LP), Néio Lúcio, Luis Turiba, Wagner Hermuche, João Antônio, TT Catalão e
Guilherme Reis, entre tantos outros protagonistas do movimento cultural
setentino. “Era gente ligada a todas as áreas. Perceba que nesse grupo de
poeta, escritor, músico, artista plástico e ator”, complementa Tovar.
“Nós nos conhecíamos, mas as coisas em Brasília eram dispersas. Até que um
dia surgiu o Cabeças, que para nós todos ainda é o grande marco da nossa
história na cidade. Foi uma reunião em torno da idéia “Brasília”. As pessoas
tinham um vínculo com seus sonhos e utopias muito maior do que a sua própria
subsistência. Até porque, naquela época, qualquer coisa que se fizesse
estava sendo feita pela primeira vez”, recorda.
Seu envolvimento com a música começou em 1972, quando ganhou um violão e
passou a ter aulas na Escola de Música, precariamente instalada na 605 Sul.
Foi companheiro de Reco do Bandolim nos festiviais do Ceub e Elefante
Branco, aluno da flautista Odette Ernest Dias (“nossa fada madrinha”) na
UnB, e teve sua música “Juriti” (gravada pelo Liga Tripa) cantada por muitos
brasilienses antes do início dos anos 80.
Paulo Tovar está preparando seu novo disco, “H2Olhos”,
a ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano. “Mas será um lançamento
bem diferente daqueles que fazíamos com as poesias de mimeógrafo. Não vais
er preciso subir na Torre para lança-los”, brinca Tovar. |
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1º
CANTACUT
Por: Norian Segatto
Terminou neste momento o 1º Festival da Nova Canção Brasileira, o CANTACUT.
Durante dois dias, 12 músicas,escolhidas em seis regiões do pais, se
apresentaram no teatro do SESC Pinheiros em São Paulo, acompanhadas de uma banda
especialmente criada para os shows. Ontem, o cantor Chico César, e hoje, Jair
Rodrigues, abrilhantaram o espetáculo.

O
grande vencedor da noite foi Paulo Tovar, de Brasília, com a música Marco Zero.
Ele ganhou o prêmio de melhor música e letra. Emocionado, agradeceu à CUT pela oportunidade de mostrar seu trabalho e dedicou
sua vitória a seus filhos. "Eu os banhei, e eles banharam minha alma".
Paulo Tovar disse ainda que o músico é um trabalhador da cultura. "Com essa
iniciativa a CUT está ajudando a música brasileira a se organizar", finalizou
A premiação
O CANTACUT entregou R$ 26 mil em prêmios aos vencedores, além de 100 cópias do
DVD da gravação do festival. Os premiados foram:
Juri popular, escolhido pela votação na internet e pelo público que compareceu
ao teatro
Canto Rio - de Braguinha Barroso e Paula Sá, representantes de Palmas (TO) - R$
3 mil
Melhor intérprete
Dimi Zumquê, com a música 1, 2 E..., de Ribeirão Preto (SP)
Melhor letra
Marco Zero - de Paulo Tovar (DF)
Melhor música
2º lugar
1, 2 E..., de Dimi Zumquê e Josias Damasceno
1º lugar
Marco Zero, de Paulo Tovar (DF)
A música Ando Caducando, de Sérgio Duá, representando Belo Horizonte, recebeu
menção honrosa do juri.
Publicada em: 30/04/2006 às 22:46 Seção: Notícias

Poesia de papel
Depois de cinco anos atrás de dinheiro, o persistente Paulo
Tovar lança o disco H2Olhos
Cláudio Ferreira
Da equipe do Correio
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Jorge Cardoso |
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O símbolo de papel criado
por Paulo Tovar fez sucesso entre os descolados da cidade e o sustentou
nos tempos de vacas magras |
Freqüentadores da noite da cidade já estão acostumados com um personagem de
estilo inconfundível: baixinho (1,61m), magro (52 kg), óculos redondos e verbo
solto, Paulo Tovar passeia pelos bares da cidade disposto a recitar poemas para
quem quiser ouvir, trocar dedo de prosa e, de quebra, falar do disco em
preparação. Essa foi a rotina dos últimos anos — mas o CD H2Olhos finalmente
ficou pronto e será lançado amanhã e sábado, às 21h, no Teatro Dulcina (Setor de
Diversões Sul).
H2Olhos virou uma marca para este goiano de 48 anos, 34 deles em Brasília. No
início dos anos 90, ele comprou uma chácara em Olhos D’Água, povoado do estado
vizinho, e batizou a propriedade de H2Olhos. Há cinco anos, vislumbrou um
símbolo gráfico, fabricou alguns com papel cartão e lançou o ‘‘mimo’’ em meio a
um show no foyer da Sala Villa-Lobos e, logo depois, na agitação do Festival de
Cinema de Brasília.
A idéia vingou. O símbolo de papel, em forma de óculos, virou enfeite dos
descolados. Tovar vendeu 15 mil exemplares, a R$ 3 cada. Bela ajuda para
produzir o disco, que também recebeu dinheiro do Fundo da Arte e da Cultura (FAC).
O poeta contou ainda com a abnegação de amigos que pagaram cotas de R$ 20,00
para comprar o CD antecipadamente — reforço de R$ 7,8 mil para cobrir os gastos
de estúdio, capa e prensagem. A venda dos óculos de papel também ‘‘sustentou’’
Tovar nos momentos mais difíceis.
O disco tem 11 faixas, incluindo parcerias com Renato Mattos e Paulo D’Jorge.
Participam do álbum cantores como Adriano Faquini e Gerson de Veras. Quase todas
as letras foram inspiradas em Brasília. ‘‘É uma declaração de amor a essa
cidade’’, arrisca o compositor, que completa: ‘‘Nasci em Goiás, mas renasci em
Brasília’’.
É o terceiro disco da carreira dele. O primeiro, After Reggae, foi feito em
dupla com Renato Mattos, em 1981. O segundo é Tatudróide, de 1985. E o quarto já
está em planejamento — nos shows de lançamento de H2Olhos, Paulo Tovar já vai
mostrar parte do repertório do futuro disco. ‘‘Estou compondo como nunca’’,
afirma. Se tiver oportunidade, convidará o público para colaborar, novamente
pelo sistema de venda de cotas antecipadas.
O despertar para as artes nasceu aos 15 anos, quando ele ganhou um violão.
Passou pela Escola de Música, mas acrescenta à formação artística lugares como
os colégios Pré-Universitário, Objetivo e Elefante Branco, o bar Beirute e a 508
Sul.
Tovar
participou de alguns dos momentos mais importantes da cultura brasiliense. Foi
um dos mentores dos Concertos Cabeças, que levaram música, dança e teatro, entre
outras artes, para as superquadras. Fez parte do time de músicos do Liga Tripa,
grupo que percorria as quadras e ‘‘arrastava’’ jovens com o som de instrumentos
construídos pelos integrantes. Participou também do grupo Pau-Brasília, que
reunia poetas como Nicolas Behr, Luis Turiba, Chacal e Vicente Sá.
Direitos autorais
É dessa época que vem o maior sucesso da carreira do goiano de Catalão. O Vôo da
Juriti, parceria com Aldo Justo, do Liga Tripa, tem 25 anos de idade e ainda
rende direitos autorais. Cássia Eller e Zélia Duncan, em início da carreira na
cidade, cantaram a música. Célia Porto a gravou, Renato Mattos a canta sempre.
Mas o compositor interpreta pouco a obra mais conhecida, que não acha compatível
com o seu registro vocal.
O êxito abriu as portas para uma parceria com Itamar Assumpção, no disco
Intercontinental. ‘‘Ele foi muito importante pela preciosidade da sua linguagem
e a resistência diante de tudo’’, diz Tovar sobre o amigo morto recentemente.
A vida segue. Paulo Tovar (Tovar, é bom que se explique, faz parte do nome
composto, pois o sobrenome dele é Hummel) se divide atualmente entre a casa de
Olhos D’Água e o apartamento do irmão na 310 Norte. Lista os lugares de Brasília
que fazem parte do cotidiano: Café da Rua 8, Beirute — ‘‘Um laboratório de
gerações, todos nós passamos por lá’’ — , Café Martinica, Cine Brasília, Parque
Olhos D’Água, Água Mineral e a subida de Sobradinho, para a qual fez uma canção.
Orgulha-se de sempre ter vivido de música. ‘‘A vida é tão grande e generosa’’,
comemora. Orgulha-se também de permanecer em Brasília — há 25 anos, passou seis
meses em São Paulo para tentar impulsionar a carreira, mas voltou correndo.
‘‘Não quero mais sair daqui’’, sentencia.
Três discos, três filhos. João Peter, 16, mora nos Estados Unidos com a mãe.
Maria Eduarda, 8, e Felipe, 4, passam temporada em Teresina, com a mãe. Iguais
na quantidade, discos e filhos não têm comparação para ele. ‘‘Eu não sei viver
sem meus filhos. Eles me deram a lição mais profunda’’, sintetiza o poeta
conversador das noites de Brasília.
H2OLHOS
Show de lançamento do CD de Paulo Tovar. Amanhã e sábado, às 21h, no Teatro
Dulcina (Setor de Diversões Sul).
O Vôo da Juriti
(Aldo Justo/Paulo Tovar)
Meu coração tem um desejo imenso
De ver o dia nascer pelo avesso
Meu coração mão de pilão
Tem o jeito do avoar
Bota água na bacia
Que a cara do dia
Está querendo vir
Tira a tranca da janela
Que de manhã cedo eu quero ver
O vôo da juriti
POETAS E ESCRITORES DA TERRA :
OLHOS D ´A GUA
Ao amigo e trovador Paulo Tovar
I
O cerrado não tem mar
Nem o mar o seu calor
Olhos d Água em teu andar
Mais confunde o cantador
O cerrado não tem mar
Nem o mar o seu sabor
Olhos d Água em teu falar
Cala fundo no sonhador
O cerrado não tem mar
Nem o mar o seu fervor
Olhos d Água em teu orar
Traz o universo à sua flor
O cerrado não tem mar
Nem o mar o seu ardor
Olhos d Água no cerrado
E eu encerrado neste amor
II
O cerrado invertido mar
Tem na seca maior esplendor
Olhos d Água, cheios d ´água,
Afogados em tanta dor...
Paulo Timm – Olhos d Água-Alex GO, revisão feita em março
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Contato:
e-mail:
paulotovar@terra.com.br
Tel: (61) 8122-0320
Olhos
D' água |
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5 comentários:
bom camarada
agora é cantar pra subir
te ligo mais tarde
resa
bom camarada
agora é cantar pra subir
te ligo mais tarde
resa
Ave-rara do planalto
Quero vê-lo
Altos voos alça
Até breve,meu amigo.
Rubens(216 norte)
Ps.Obrigado,Luís,pelo espaço.