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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

PAULO TOVAR, POETA QUE PULSOU COM BRASÍLIA

 

 

 

Luis Turiba

 

 

"Até logo! Até logo! Companheiro

Despeço-me sombrio e te asseguro

O nosso afastamento passageiro

É sinal de um encontro no futuro"

 

 

É sempre assim: quando um poeta descansa, toma seu rumo e pede passagem; é mais um verso que se faz lágrima na plumagem. Quando um poeta escorrega para a lembrança, é como a fumaça ou quem sabe, uma rima pobre na busca do rico milagre.

Com Paulo Tovar não será diferente. Ele também contribuiu para o Livro Universal da Poesia. Poeta andarilho, quase um Bashôzinho buscando seus caminhos nos campos de arroz pelo cerrado do Planalto Central, ele foi uma figura presente e marcante da nossa geração em Brasília. Juntou-se a nós (Nicolas Behr, Renato Matos, Haroldinho Matos, Neio Lúcio, Wagner Hermuche, Noélia. Paulo Djorge – vou parar nessa simbólica meia dúzia de três ou quatro) nessa caminhada que começou ali no início dos anos 80, no gramado da 310 Sul, nos Concertos Cabeças, e terminou agora depois de quase três anos de uma incansável luta contra um câncer no cérebro.

Tovar não passou em vão por esta trilha estreita, seca e breve que é nossa existência. Deixou seu carimbo. Fez poesias, músicas, parceiros, deixou filhos, amores, venceu festivais, criou polêmicas, plantou árvores. Tive a notícias da sua partida no início da noite de ontem. Ele havia sido levado para o hospital já totalmente inconsciente, com falência múltiplas dos órgãos. Era a viagem sem volta. O poeta iria descansar. Hoje, recebi muitos i-meios e certamente a internet será o canal ideal da sua despedida de tantas lembranças guerreiras.

Entre as mensagens, escolhi a de Paulo Timm, ex-secretário de Meio Ambiente do governo Roriz, economista, professor da UnB, também poeta como nosostros, ele escreveu:  

"Não há como falar do Tovar sem falar em música. E não há como falar de sua morte sem emoção. E me ocorre uma bela e comovente canção - acho que do Chico Buarque ou cantada por ele, o Tovar sempre me criticava por entender pouco de música- , que diz: "Em Mangueira quando morre um poeta, todos choram". Pois hoje Brasília está transformada numa imensa Mangueira, toda verde e rosa chorando a passagem de um de seus maiores poetas: Paulo Tovar   

Timm foi companheiro de Tovar em Olhos D´Água, assim como Áurea Lúcia, Renato Matos, Bic Prado e tantos outros. Conviveram com o poetinha no interior do Goiás, cuidando da terra e das águas.

Timm escreve: "Vai com a tua Juriti encantar novos caminhos. Fica apenas meu testemunho da tua condição humana, da tua alma frágil que jamais se deixou seduzir

pelo desencanto de um mundo, que de tão cruel te marcou tanto, com tantas cicatrizes."

Façamos nossas, as sua palavras, professor. Paulo Tovar venceu o 1º Festival de Música da CUT Nacional. Inventou o poema-óculos; o "H2OlhoS", uma criação genial que ele vendia de bar em bar. Tinha sempre um projeto debaixo do braço e uma idealização na cuca, um jeito dengoso de ser e uma angústia no viver.  

.

MARCO ZERO VENCEU O FESTIVAL DA CUT
 

(Paulo Tovar / Haroldinho Mattos)

 

Quando não havia torre, lago ou rodoviária

Que o Eixão era somente uma forma imaginária

A ciriema cantava solene compenetrada

Vacas e bois ruminavam no meio da Esplanada

 

Partiu-se de um ponto

Traçaram-se as retas

Cruzaram-se os eixos

Riscaram-se os mapas

Somaram-se os números

Mediram-se os ângulos

Ligaram-se as máquinas

Rasgaram-se as ruas

 

Quando não havia ainda

Samambaia e Setor P

Quando lobos farejavam

Nos campus da UnB

E tatus faziam túneis

Muito antes do metrô

Tropeiros e comitivas

Arranchavam livremente

 

Onde se fez o Palácio

Onde se fez... a Rodô

 

Partiu-se de um ponto

Traçaram-se as retas

Cruzaram-se os eixos

Riscaram-se os mapas

Somaram-se os números

Mediram-se os ângulos

Ligaram-se as máquinas

Rasgaram-se as ruas

 

Quando só havia mesmo

Este céu por testemunha

Quando tudo que se via

Era o vasto chapadão

Seguidores de estrelas

Caçavam pedras e índios

Muito antes de Ana Lídia

Ou da forma... do avião

 

Partiu-se de um ponto

Traçaram-se as retas

Cruzaram-se os eixos

Riscaram-se os mapas

Somaram-se os números

Mediram-se os ângulos

Ligaram-se as máquinas

Rasgaram-se as ruas

 

5 comentários:

Anônimo disse...
Fiquei surpresa da partida do nosso querido Paulo Tovar, foi belo e poetico, reafirmo as palavras do Paulo Timm, parabens Turiba pela publicação no seu Blog
Anônimo disse...
TURIBA BELAS PALAVRAS E ME EMOCIONOU MUITO A PARTIDA DO PAULO TOVAR
Anônimo disse...
tovar se foi né?
bom camarada
agora é cantar pra subir

te ligo mais tarde

resa
Anônimo disse...
tovar se foi né?
bom camarada
agora é cantar pra subir

te ligo mais tarde

resa
rubao disse...
Trova Tovar
Ave-rara do planalto
Quero vê-lo
Altos voos alça

Até breve,meu amigo.

Rubens(216 norte)

Ps.Obrigado,Luís,pelo espaço.

 

 

 

Meu Coração Tem um Desejo Imenso de Ver o Dia Nascer Pelo Avesso

 
Paulo Tovar, cantor, compositor, poeta, da geração mimeográfo de Brasília, autor do livro Tiro ao Alvo (poesia)

Paulo Tovar, cantor, compositor, poeta, da geração mimeográfo de Brasília, autor do livro Tiro ao Alvo (poesia)

Por Joanfi *

Amigas, amigos e admiradores  do nosso Paulo Tovar, infelizmente tenho que dar a triste notícia: Paulinho, o nosso querido Tovar, descansou da luta medonha que há três anos vinha travando contra o câncer.

 

Meu coração tem um desejo imenso de ver o dia nascer pelo avesso...
Não há como falar do Tovar sem falar em música.
E não há como falar de sua morte sem emoção.
E me ocorre uma bela e comovente canção
- acho que do Chico Buarque ou cantada por ele, o Tovar sempre me criticava por entender pouco de música- , certamente, que diz: EM MANGUEIRA/QUANDO MORRE/UM POETA/TODOS CHORAM...!!! Pois hoje Brasília está transformada numa imensa Mangueira, toda verde e rosa
chorando a passagem de um de seus maiores poetas: PAULO TOVAR.
Veja mais!

 

Noticias de Paulo Tovar
Por: Paulão de Varadero e Joanfi
Viagem a Catalão
Relato de uma viagem sentimental


Prezados amigos e amigas desse escriba de butiquim:
A migas e amigos do querido Paulo Tovar
Estive com o nosso querido Tovar neste último fim de semana, na casa da sua mãe, de seu irmão, também Paulo Tovar, lá em catalão, no grande sertão de Goiás.
Veja mais!

Paulo Tovar H2Olhos

Das duas, uma: ou você clica este botão ou você clica este botão. Não dá para ficar impassível diante daquilo que o mundo lhe arreganha. Vamos lá: abra seus ouvidos, abra seu coração e mostre-nos que sua alma está disposta a correr o risco de não ser riscada do mapa e de acreditar que somos não uma ironia de fora para dentro e sim uma alegria de dentro para fora.
Juntamos os caquinhos, esquentamos os couros, esticamos as cordas, sopramos os metais e aqui estamos nós macumbando sua atenção e torcendo para que esta sonoridade faça qualquer possível mal-estar sair de fininho.
O cd H2OLHOS espera por você.
Grato.

Marco Zero

CD H2OLHOS
Ficha técnica
Gravado no OZ Estúdio entre outubro de 2001 e Dezembro de 2002.
Técnico de Gravação: Pauly de Castro.
Direção musical: Paulo Tovar / Daniel Baker / Paulo D’George.
Arranjos: Daniel Baker, Paulo D’George e Toronto.
Direção Geral e Produção: Paulo Tovar.
Guitarras: Toronto e Haroldinho Matos
Violões 12 cordas: Toronto Viramundo
Bateria: Leander Motta e Bahia
Bateria eletrônica (prog.): Daniel Baker e Paulo D’George
Contrabaixo: Pedro Martins
Contrabaixo eletrônico (prog.): Daniel Baker e Paulo D’George
Percussão: George Lacerda
Trombone: Alciomar Oliveira
Trompete: Flama
Sax-tenor: Ricardo Barrenachea
Teclados: Daniel Baker / Paulo D’George
Gaita Harmônica: Engels Espírito
Participação especial em “Rola a Bola”: Gérson de Véras
Participação especial em “Poeira das Estrelas”: Adriano Faquinni
Participação especial em “ As Vacas do Mané Ruço”: Pauly de Castro
Vocais: Andréa, Virgínia, Pauly de Castro e Maria Gomide

REPERTÓRIO
01 - Marco Zero (Haroldinho Mattos / Paulo Tovar)
02 – Rola a Bola (Paulo Tovar)
03 – As Vacas  (Paulo Tovar)
04 – Poeira das Estrelas  (Paulo Tovar)
05 – Nem aqui e nem ali ( Didi ) (Paulo Tovar)
06 –Tudo acaba (Paulo D’George / Paulo Tovar)
07 - Periquita Perfumada (Paulo Tovar)
08 – Semente (Renato Matos / Áurea Lu / Paulo Tovar)
09 - Vidas Erradas (Paulo Tovar)
10 - H2OLHOS (Toronto / Paulo Tovar)
11 - Rola a Bola Versão MIX (Paulo Tovar) Arranjo: Pauly de Castro 

Entrevista ao repórter Marcelo Nantes do Jornal Caderno Brasília  

                 Quando chegou em Brasília, o que mais chamou atenção do adolescente Paulo “Tovar” Hummel não foi o esoterismo do cerrado que, para alguém como ele, oriundo de Catalão (GO), não era o que se pode chamar “um museu de grandes novidades”. No seu caso ou no de qualquer outro recém-chegado em 1969 (ainda na primeira década da nova capital), e considerando que o pouso era a 312 Norte, “o choque foi muito grande”.

            “A quadra tinha poucos anos de vida, mas já era uma espécie de cidade dentro de uma cidade. Eu tinha uns 12 anos, mas logo percebi que estava num lugar de forte expressão artística. E minha motivação aumentava a medida em que ia sentindo aquele cheiro de tinta fresca espalhada por outros cantos, fosse da Asa Sul ou Asa Norte”, recorda o agora músico e compositor Paulo Tovar.

            Ele não sabia, mas em pouco tempo iria participar de dois dos principais movimentos culturais de Brasília. Um deles aconteceria ali mesmo, na 312 norte. O “Panelão da arte” reuniu todos os segmentos culturais existentes na cidade, no final dos anos 70. foi um inspirador natural do “Concerto Cabeças”, cujo apogeu se deu nos primeiros meses de 1979, do outro lado da cidade, na 311 sul. “Eu conheci aquela turma um pouco antes, quando passei a freqüentar o Beirute”, conta Tovar.

            “Aquela turma” era composta por Nicolas Behr, Renato Mattos (com quem gravou um LP), Néio Lúcio, Luis Turiba, Wagner Hermuche, João Antônio, TT Catalão e Guilherme Reis, entre tantos outros protagonistas do movimento cultural setentino. “Era gente ligada a todas as áreas. Perceba que nesse grupo de poeta, escritor, músico, artista plástico e ator”, complementa Tovar.

            “Nós nos conhecíamos, mas as coisas em Brasília eram dispersas. Até que um dia surgiu o Cabeças, que para nós todos ainda é o grande marco da nossa história na cidade. Foi uma reunião em torno da idéia “Brasília”. As pessoas tinham um vínculo com seus sonhos e utopias muito maior do que a sua própria subsistência.  Até porque, naquela época, qualquer coisa que se fizesse estava sendo feita pela primeira vez”, recorda.

            Seu envolvimento com a música começou em 1972, quando ganhou um violão e passou a ter aulas na Escola de Música, precariamente instalada na 605 Sul. Foi companheiro de Reco do Bandolim nos festiviais do Ceub e Elefante Branco, aluno da flautista Odette Ernest Dias (“nossa fada madrinha”) na UnB, e teve sua música “Juriti” (gravada pelo Liga Tripa) cantada por muitos brasilienses antes do início dos anos 80.

            Paulo Tovar está preparando seu novo disco, “H2Olhos”, a ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano. “Mas será um lançamento bem diferente daqueles que fazíamos com as poesias de mimeógrafo. Não vais er preciso subir na Torre para lança-los”, brinca Tovar.

1º CANTACUT
Por: Norian Segatto
Terminou neste momento o 1º Festival da Nova Canção Brasileira, o CANTACUT. Durante dois dias, 12 músicas,escolhidas em seis regiões do pais, se apresentaram no teatro do SESC Pinheiros em São Paulo, acompanhadas de uma banda especialmente criada para os shows. Ontem, o cantor Chico César, e hoje, Jair Rodrigues, abrilhantaram o espetáculo.

      

O grande vencedor da noite foi Paulo Tovar, de Brasília, com a música Marco Zero. Ele ganhou o prêmio de melhor música e letra. Emocionado, agradeceu à CUT pela oportunidade de mostrar seu trabalho e dedicou sua vitória a seus filhos. "Eu os banhei, e eles banharam minha alma".
Paulo Tovar disse ainda que o músico é um trabalhador da cultura. "Com essa iniciativa a CUT está ajudando a música brasileira a se organizar", finalizou
A premiação
O CANTACUT entregou R$ 26 mil em prêmios aos vencedores, além de 100 cópias do DVD da gravação do festival. Os premiados foram:
Juri popular, escolhido pela votação na internet e pelo público que compareceu ao teatro
Canto Rio - de Braguinha Barroso e Paula Sá, representantes de Palmas (TO) - R$ 3 mil
Melhor intérprete
Dimi Zumquê, com a música 1, 2 E..., de Ribeirão Preto (SP)
Melhor letra
Marco Zero - de Paulo Tovar (DF)
Melhor música
2º lugar
1, 2 E..., de Dimi Zumquê e Josias Damasceno
1º lugar
Marco Zero, de Paulo Tovar (DF)
A música Ando Caducando, de Sérgio Duá, representando Belo Horizonte, recebeu menção honrosa do juri.
Publicada em: 30/04/2006 às 22:46 Seção: Notícias


Poesia de papel

Depois de cinco anos atrás de dinheiro, o persistente Paulo Tovar lança o disco H2Olhos

Cláudio Ferreira
Da equipe do Correio

Jorge Cardoso

O símbolo de papel criado por Paulo Tovar fez sucesso entre os descolados da cidade e o sustentou nos tempos de vacas magras

Freqüentadores da noite da cidade já estão acostumados com um personagem de estilo inconfundível: baixinho (1,61m), magro (52 kg), óculos redondos e verbo solto, Paulo Tovar passeia pelos bares da cidade disposto a recitar poemas para quem quiser ouvir, trocar dedo de prosa e, de quebra, falar do disco em preparação. Essa foi a rotina dos últimos anos — mas o CD H2Olhos finalmente ficou pronto e será lançado amanhã e sábado, às 21h, no Teatro Dulcina (Setor de Diversões Sul).

  H2Olhos virou uma marca para este goiano de 48 anos, 34 deles em Brasília. No início dos anos 90, ele comprou uma chácara em Olhos D’Água, povoado do estado vizinho, e batizou a propriedade de H2Olhos. Há cinco anos, vislumbrou um símbolo gráfico, fabricou alguns com papel cartão e lançou o ‘‘mimo’’ em meio a um show no foyer da Sala Villa-Lobos e, logo depois, na agitação do Festival de Cinema de Brasília.

  A idéia vingou. O símbolo de papel, em forma de óculos, virou enfeite dos descolados. Tovar vendeu 15 mil exemplares, a R$ 3 cada. Bela ajuda para produzir o disco, que também recebeu dinheiro do Fundo da Arte e da Cultura (FAC). O poeta contou ainda com a abnegação de amigos que pagaram cotas de R$ 20,00 para comprar o CD antecipadamente — reforço de R$ 7,8 mil para cobrir os gastos de estúdio, capa e prensagem. A venda dos óculos de papel também ‘‘sustentou’’ Tovar nos momentos mais difíceis.

  O disco tem 11 faixas, incluindo parcerias com Renato Mattos e Paulo D’Jorge. Participam do álbum cantores como Adriano Faquini e Gerson de Veras. Quase todas as letras foram inspiradas em Brasília. ‘‘É uma declaração de amor a essa cidade’’, arrisca o compositor, que completa: ‘‘Nasci em Goiás, mas renasci em Brasília’’.

É o terceiro disco da carreira dele. O primeiro, After Reggae, foi feito em dupla com Renato Mattos, em 1981. O segundo é Tatudróide, de 1985. E o quarto já está em planejamento — nos shows de lançamento de H2Olhos, Paulo Tovar já vai mostrar parte do repertório do futuro disco. ‘‘Estou compondo como nunca’’, afirma. Se tiver oportunidade, convidará o público para colaborar, novamente pelo sistema de venda de cotas antecipadas.

O despertar para as artes nasceu aos 15 anos, quando ele ganhou um violão. Passou pela Escola de Música, mas acrescenta à formação artística lugares como os colégios Pré-Universitário, Objetivo e Elefante Branco, o bar Beirute e a 508 Sul.

  Tovar participou de alguns dos momentos mais importantes da cultura brasiliense. Foi um dos mentores dos Concertos Cabeças, que levaram música, dança e teatro, entre outras artes, para as superquadras. Fez parte do time de músicos do Liga Tripa, grupo que percorria as quadras e ‘‘arrastava’’ jovens com o som de instrumentos construídos pelos integrantes. Participou também do grupo Pau-Brasília, que reunia poetas como Nicolas Behr, Luis Turiba, Chacal e Vicente Sá.

Direitos autorais
É dessa época que vem o maior sucesso da carreira do goiano de Catalão. O Vôo da Juriti, parceria com Aldo Justo, do Liga Tripa, tem 25 anos de idade e ainda rende direitos autorais. Cássia Eller e Zélia Duncan, em início da carreira na cidade, cantaram a música. Célia Porto a gravou, Renato Mattos a canta sempre. Mas o compositor interpreta pouco a obra mais conhecida, que não acha compatível com o seu registro vocal.

  O êxito abriu as portas para uma parceria com Itamar Assumpção, no disco Intercontinental. ‘‘Ele foi muito importante pela preciosidade da sua linguagem e a resistência diante de tudo’’, diz Tovar sobre o amigo morto recentemente.

  A vida segue. Paulo Tovar (Tovar, é bom que se explique, faz parte do nome composto, pois o sobrenome dele é Hummel) se divide atualmente entre a casa de Olhos D’Água e o apartamento do irmão na 310 Norte. Lista os lugares de Brasília que fazem parte do cotidiano: Café da Rua 8, Beirute — ‘‘Um laboratório de gerações, todos nós passamos por lá’’ — , Café Martinica, Cine Brasília, Parque Olhos D’Água, Água Mineral e a subida de Sobradinho, para a qual fez uma canção.

  Orgulha-se de sempre ter vivido de música. ‘‘A vida é tão grande e generosa’’, comemora. Orgulha-se também de permanecer em Brasília — há 25 anos, passou seis meses em São Paulo para tentar impulsionar a carreira, mas voltou correndo. ‘‘Não quero mais sair daqui’’, sentencia.

  Três discos, três filhos. João Peter, 16, mora nos Estados Unidos com a mãe. Maria Eduarda, 8, e Felipe, 4, passam temporada em Teresina, com a mãe. Iguais na quantidade, discos e filhos não têm comparação para ele. ‘‘Eu não sei viver sem meus filhos. Eles me deram a lição mais profunda’’, sintetiza o poeta conversador das noites de Brasília.

H2OLHOS
Show de lançamento do CD de Paulo Tovar. Amanhã e sábado, às 21h, no Teatro Dulcina (Setor de Diversões Sul).

O Vôo da Juriti

(Aldo Justo/Paulo Tovar)

    Meu coração tem um desejo imenso
    De ver o dia nascer pelo avesso
    Meu coração mão de pilão
    Tem o jeito do avoar
    Bota água na bacia
    Que a cara do dia
    Está querendo vir
    Tira a tranca da janela
    Que de manhã cedo eu quero ver
    O vôo da juriti

    POETAS E ESCRITORES DA TERRA :

    OLHOS D ´A GUA

    Ao amigo e trovador Paulo Tovar

    I

    O cerrado não tem mar

    Nem o mar o seu calor

    Olhos d Água em teu andar

    Mais confunde o cantador

    O cerrado não tem mar

    Nem o mar o seu sabor

    Olhos d Água em teu falar

    Cala fundo no sonhador

    O cerrado não tem mar

    Nem o mar o seu fervor

    Olhos d Água em teu orar

    Traz o universo à sua flor

    O cerrado não tem mar

    Nem o mar o seu ardor

    Olhos d Água no cerrado

    E eu encerrado neste amor

    II

    O cerrado invertido mar

    Tem na seca maior esplendor

    Olhos d Água, cheios d ´água,

    Afogados em tanta dor...

    Paulo Timm – Olhos d Água-Alex GO, revisão feita em março

Contato:
e-mail: paulotovar@terra.com.br
Tel: (61) 8122-0320

Olhos D' água

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