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Entrevista ao
repórter Marcelo Nantes do Jornal Caderno Brasília
Quando chegou em Brasília, o que mais chamou
atenção do adolescente Paulo “Tovar” Hummel não foi o esoterismo do cerrado
que, para alguém como ele, oriundo de Catalão (GO), não era o que se pode
chamar “um museu de grandes novidades”. No seu caso ou no de qualquer outro
recém-chegado em 1969 (ainda na primeira década da nova capital), e
considerando que o pouso era a 312 Norte, “o choque foi muito grande”.
“A
quadra tinha poucos anos de vida, mas já era uma espécie de cidade dentro de
uma cidade. Eu tinha uns 12 anos, mas logo percebi que estava num lugar de
forte expressão artística. E minha motivação aumentava a medida em que ia
sentindo aquele cheiro de tinta fresca espalhada por outros cantos, fosse da
Asa Sul ou Asa Norte”, recorda o agora músico e compositor Paulo Tovar.
Ele não sabia, mas em pouco tempo iria participar de dois dos principais
movimentos culturais de Brasília. Um deles aconteceria ali mesmo, na 312
norte. O “Panelão da arte” reuniu todos os segmentos culturais existentes na
cidade, no final dos anos 70. foi um inspirador natural do “Concerto
Cabeças”, cujo apogeu se deu nos primeiros meses de 1979, do outro lado da
cidade, na 311 sul. “Eu conheci aquela turma um pouco antes, quando passei a
freqüentar o Beirute”, conta Tovar.
“Aquela turma” era composta por Nicolas Behr, Renato Mattos (com quem gravou
um LP), Néio Lúcio, Luis Turiba, Wagner Hermuche, João Antônio, TT Catalão e
Guilherme Reis, entre tantos outros protagonistas do movimento cultural
setentino. “Era gente ligada a todas as áreas. Perceba que nesse grupo de
poeta, escritor, músico, artista plástico e ator”, complementa Tovar.
“Nós nos conhecíamos, mas as coisas em Brasília eram dispersas. Até que um
dia surgiu o Cabeças, que para nós todos ainda é o grande marco da nossa
história na cidade. Foi uma reunião em torno da idéia “Brasília”. As pessoas
tinham um vínculo com seus sonhos e utopias muito maior do que a sua própria
subsistência. Até porque, naquela época, qualquer coisa que se fizesse
estava sendo feita pela primeira vez”, recorda.
Seu envolvimento com a música começou em 1972, quando ganhou um violão e
passou a ter aulas na Escola de Música, precariamente instalada na 605 Sul.
Foi companheiro de Reco do Bandolim nos festiviais do Ceub e Elefante
Branco, aluno da flautista Odette Ernest Dias (“nossa fada madrinha”) na
UnB, e teve sua música “Juriti” (gravada pelo Liga Tripa) cantada por muitos
brasilienses antes do início dos anos 80.
Paulo Tovar está preparando seu novo disco, “H2Olhos”,
a ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano. “Mas será um lançamento
bem diferente daqueles que fazíamos com as poesias de mimeógrafo. Não vais
er preciso subir na Torre para lança-los”, brinca Tovar. |