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UBATUBA
Encravada num dos últimos redutos
originais da Mata Atlântica, Ubatuba conseguiu preservar sua belíssima
natureza. Existem praias para todos os gostos, desde as mais badaladas até as
completamente desertas. Essas praias aliadas à vegetação exuberante da Serra
do Mar transformam essa costa num dos mais belos patrimônios paisagísticos
existentes.
Ubatuba oferece condições naturais para a prática de diversos esportes. Sua
geografia é ideal para a prática do montanhismo, bicicross, natação, surf, náutica,
mergulho e muitos outros.
Com trilhas de todos os tamanhos e gostos, piscinas naturais entre enormes
rochas sobre o mar, passeios de escuna, possui completa infra-estrutura de lazer
e turismo. A costa é bastante recortada, recebendo ondulações de leste, sul e
sudeste de até 4m de altura quando o mar está ressacado, sendo um grande
atrativo para os surfistas e palco de eventos internacionais.
A história do Brasil registra a importância de seu porto por onde saía o café
vindo do Vale do Paraíba e entrava a moda européia, tecidos do oriente e
negros que vinham da África para serem vendidos como escravos.

HISTÓRIA
O índios Tupinambás, habitantes
originais da região, espalhavam-se pela serra do Mar em pequenas aldeias que
rodeavam a aldeia principal, Iperoig. Viviam em paz com seus vizinhos de São
Vicente, os Tupiniquins. Mas os conflitos entre eles se multiplicaram com a
chegada dos portugueses e franceses que vieram à procura de trabalho escravo.
Os franceses invadiram a costa brasileira por volta de 1555, com o intuito de
instalar uma colônia, mas tiveram que enfrentar o poderio militar português.
Na disputa pela posse daquele trecho da costa brasileira, os franceses
conseguiram apoio dos índios.
Percebendo a situação de dependência cada vez maior e não acreditando mais
em boas intenções, os Tupinambás, conseguindo reunir outras tribos sob a
liderança do tuxaua Cunhambebe, organizam a "Confederação dos
Tamoios", com o propósito de defender suas terras, provocando pânico
entre os colonizadores e pondo em perigo a própria colonização naquela área.
Foi então que os portugueses apelaram para os jesuítas que ainda eram
respeitados pelos índios. Assim, em 1563, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José
de Anchieta, com a incumbência de conseguir um tratado de paz com os líderes
da Confederação, chegaram à Aldeia de Iperoig, partindo de São Vicente.

Desconfiado das intenções dos portugueses, Cunhambebe aprisiona o padre
Anchieta e o conserva como refém, durante cinco meses, até ver assegurado o
tratado que tomou o nome de "A paz de Iperoig". Conta-se que foi
durante esse tempo que Anchieta escreveu na areia da praia de Iperoig o famoso
"Poema à Virgem".
Instalada a paz, os primeiros portugueses, com a construção de uma capela sob
a invocação de Santa Cruz do Salvador, começaram a tomar posse de suas
sesmarias em território ubatubense, assegurando assim a posse da região. Em
1637, a Aldeia de Iperoig é elevada a vila com o nome de Vila Nova da Exaltação
à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, conservando o nome indígena que na língua
tupi significa "sítio onde abundam ubás", uma espécie de cana-brava
que servia para o fabrico de flechas, peneiras, balaios, gaiolas, etc.
Perseguidos e expulsos de suas terras, remanescentes Tupinambás refugiaram-se
na Mata Atlântica da Serra do Mar, até serem dizimados.
A vila então começa a prosperar com a instalação de engenhos, serrarias,
olarias, fazendas e pequenas indústrias, bem como abre-se um porto marítimo
para escoamento da produção. Porém, em 1787, por ordem do então presidente
da província de São Paulo, as embarcações passaram a dirigir-se ao porto de
Santos. Com isso, Ubatuba entra numa séria crise que dura até 1808, quando
ocorre a reabertura dos portos ao comércio estrangeiro. Desde então, o porto
passa ser o mais movimentado da Província, escoando a produção do Vale do
Paraíba. Os poucos casarões ainda remanescentes, atestam a riqueza e o fausto
dos comerciantes dessa época. Com a construção da estrada de ferro São
Paulo - Rio, desviando as exportações para outros portos, mais uma vez, a cidade
isola-se.
Finalmente, a construção das rodovias BR-101 (Rio-São Paulo) e dos Tamoios (São
José dos Campos-Caraguatatuba) contribuiu para o desenvolvimento de Ubatuba,
que aos poucos se identificou como pólo turístico. Assim a cidade que
anteriormente contava com o único acesso pela Rodovia Osvaldo Cruz (Taubaté-Ubatuba),
precariamente conservada até então, intensifica o fluxo de visitantes chegando
a receber cerca de 500 mil turistas na alta temporada.
Seria interessante registrar ainda que por volta de 1547, um etnógrafo alemão
de nome Hans Staden chegou ao Brasil, contratado pelos franceses como
artilheiro. Quando defendia o Forte de São Felipe, levantado pelos franceses,
ele foi aprisionado pelos Tupinambás. Dessa convivência, da qual conseguiu
fugir com a ajuda de um navio francês que o devolveu à Alemanha, ele escreveu Duas
Viagens ao Brasil, livro que se tornou célebre em toda Europa, contando
suas aventuras. Entre outras coisas curiosas e, parece que desconhecida
propositadamente, há a constatação de antropofagia entre nossos índios,
neste trecho de seu livro: "Deixaram-me com as mulheres. Algumas foram à
minha frente, outras atrás, dançando e cantando uma canção que, segundo seu
costume, entoavam aos prisioneiros que tencionavam devorar".
TURISMO
Parque Estadual da Serra do
Mar - com
309.938ha, ocupa mais de 80% do território do município de Ubatuba. Junto com
o Parque Nacional da Serra da Bocaína, forma o maior conjunto de áreas
remanescentes da Mata Atlântica, abrigando um número incalculável de espécies
da flora e da fauna originais do Brasil.
Núcleo Picinguaba
- é um dos 14 núcleos em que se divide o Parque Estadual. Sendo a única
área do parque que atinge a orla marítima, tem como função unir o P. E. da
Serra do Mar ao Parque Nacional da Serra da Bocaína e a Área de Proteção
Ambiental do Cairuçu (RJ). Nesse Núcleo 250 famílias vivem da pesca, das roças
de subsistência e do artesanato. Além da vila de pescadores, é possível
observar trilhas, cachoeiras, praias e ruínas.
Ilha do Mar Virado
- a 22km da costa, atrás da ilha Anchieta, abriga um sítio arqueológico
pré-histórico, pois se constatou que nela habitaram coletores-pescadores com
costumes e usos pré-históricos. Enquanto durarem as pesquisas arqueológicas,
a ilha permanecerá interditada à visitação.
Ilha Anchieta
- com as ruínas do antigo presídio e lindas praias selvagens se
constitui numa das principais atrações de Ubatuba.
Gruta que Chora
- situada na praia da Sununga, tomou esse nome porque o mar em seu
interior faz vibrar o teto, dando passagem à água que corre por cima,
assemelhando-se a lágrimas e som de choro. Mas há também lendas indígenas
que explicam a origem do nome.
Cachoeiras
Cachoeira do Pé
da Serra, a 8km do centro, na rodovia Osvaldo Cruz.
Cachoeira dos Macacos,
no Horto Florestal, conhecida também como Poço Verde.
Cachoeira do
Ipiranguinha, no bairro do mesmo nome, com uma queda d’água de
mais de 7m de altura e um lago natural ideal para crianças.3
Cachoeira da Escada,
perto de Parati.
Cachoeira do Espelho,
onde enorme pedra no meio de um lago reflete os raios do sol dando a impressão
de um imenso espelho entre as árvores.
Cachoeira do Prumirim,
uma queda d’água forma delicioso lago e, mais adiante, suas águas caem uns
20m, formando outro lago no meio da mata.
Vôo Panorâmico
- com base no aeroporto de Ubatuba, um Cesna 172 sobrevoa diariamente a
baía de Ubatuba, a Ilha Anchieta e parte da Serra do Mar. Com duração de 15
minutos, o passeio pode ser feito por até 3 pessoas.
Surf
- com suas ondulações favoráveis à prática do surf, Ubatuba
tornou-se conhecida por abrigar eventos internacionais e como terra natal de
campeões. Maranduba, Sapé, Lagoinha, Dura, de Fora, Toninhas, Grande, Tenório,
Vermelha do Sul, Perequê-Açu, Vermelha do Norte, Itamambuca, Félix, Prumirim,
Brava da Almada, da Fazenda, Brava do Norte e Patieiro são praias com ondulações
de leste, sudeste ou sul que podem chegar a até 4m, quando o mar está
ressacado. A maioria é de fácil acesso e um grande atrativo para os surfistas.
Mergulho
- em mar sempre calmo, com profundidades variando entre 5m e 30m e ampla
visibilidade, há inúmeros pontos de mergulho com diferentes peculiaridades à
disposição dos visitantes nas ilhas das Couves, Rapada, Laje Grande, Cabras,
Anchieta, Palmas e Vitória.
Pesca
- o Cais do Porto, na base do morro da Ponta Grossa, a 3km do centro, é
ótimo local para pesca com linhada ou molinete.
Na estrada de acesso encontra-se o único posto de abastecimento para embarcações
de pesca ou recreio. Além dos estaleiros artesanais, pode-se ver o curioso
Hipocampus, uma fragata da marinha que naufragou quando fazia pesquisas oceanográficas
na região. Do Cais do Porto, onde as traineiras descarregam o pescado, caminhões
saem carregados de peixes e camarões para os mercados consumidores. Os que não
têm paciência de esperar a chegada do peixe no anzol podem deixar a vara no
barranco, subir no alto do Cais e mergulhar nas águas do porto.
Trilhas
Trilha do Corcovado - com cerca de 5
horas de subida, termina a 1.150m de altitude, no pico mais alto do município.
Depois de dura caminhada, um córrego próximo ao pico é o lugar ideal para um
banho reconfortante. O cansaço desaparece diante da vista deslumbrante. Para os
menos corajosos, há uma subida menos íngreme pelo Horto Florestal.
Trilha do Corisco
- localizada no Picinguaba. Com cerca de 8 horas de duração, começa
na Casa da Farinha, no sertão da Praia da Fazenda, em direção à serra, até
o Morro do Corisco, passando pela chamada Fazenda do Coronel. No caminho, uma
bela cachoeira encanta a paisagem e uma figueira centenária continua contando
histórias do lugar.
Trilha Sete Fontes
- com mais ou menos 45 minutos de duração, fica na ponta direita da
Praia da Ribeira. Do Saco da Ribeira até à praia do Flamengo, onde começa a
trilha, pode-se ir a pé ou de barco. Anchieta, Mar Virado, Vitória e Ilhote de
Fora são ilhas vistas do mirante do Sol Nascente, uma das paisagens mais lindas
da região.
Trilha do Bonete
- com aproximadamente 1 hora e meia de duração, saindo do lado
esquerdo da Lagoinha é trilha de fácil acesso. Pode ser percorrida também de
motocicleta, maneira muito utilizada pelos moradores.
Praias
Itamambuca - muito procurada pelos
surfistas, é famosa pelas competições do surf. Em seu canto direito, um rio
de águas cristalinas forma um lindo lago, enquanto uma enorme árvore fornece
uma agradável sombra.
Prumirim
- praia de rara beleza natural. A mais ou menos 900m fica a Ilha de
Prumirim, onde pode-se chegar de barco, pois sempre há algum pescador que pode
ser contratado para o transporte.
Poruba
- fica ao final de uma pitoresca estrada de terra que termina na
embocadura do Rio Poruba, numa magnífica paisagem natural. Para chegar à praia
é preciso atravessar o rio.
Picinguaba
- situa-se no final de uma estrada de terra, num belíssimo panorama.
Nela localiza-se a vila de Picinguaba, tombada pelo governo do Estado como
patrimônio histórico. Ainda caminhando pela estrada que margeia o Rio das
Bicas, pode-se conhecer a praia da Fazenda.
Almada e Engenho
- está a cerca de 34km do centro, por uma estrada de terra com belíssima
paisagem. De lá pode-se avistar a ilha da Pesca, a Redonda e a dos Porcos
Pequenos. Por meio de pequenas trilhas, conhecidas pelos habitantes da região,
chega-se à Praia Brava.
Grande
- a apenas 2km do centro. Com inúmeros quiosques espalhados por toda
sua extensão e um mar que atrai banhistas e praticantes do surf, se constitui
na praia mais freqüentada de Ubatuba.
Lázaro
- com suas águas claras e calmas desfazendo-se na areia branca,
descortina noites de verão inesquecíveis. À sua direita está a Praia
Domingas Dias. As duas praias formam belíssimas paisagens freqüentemente
retratadas como cartão postal de Ubatuba.
Toninhas
- uma das mais tradicionais de Ubatuba, é ponto de encontro de
esportistas e turistas. Além da infra-estrutura para o esporte e o lazer,
abriga ótimos hotéis e restaurantes. O problema é que está poluída.
Enseada
- com suas águas calmas o ano todo, é ideal para os esportes aquáticos.
Ao lado, ficam as convidativas águas mansas da pequena Praia de Santa Rita.
Maranduba
- é considerada uma das melhores áreas para camping devido sua
condição geográfica. As águas calmas e os amplos espaços tranqüilos atraem
principalmente as famílias com crianças.
Caçandoca
- fica quase na divisa de Caraguatatuba. Chega-se até ela por uma
estrada de terra que sai da SP-55, no final da praia da Maranduba. Uma pequena
vila onde se pode beber leite ordenhado na hora, pois os pescadores também
criam cabras e bovinos. Pode-se conhecer a graciosa Praia da Raposa e também a
Praia de Caçandoquinha, por uma pequena trilha, à direita, subindo o morro.
Atrativos históricos
Casarão do Porto - construído em 1846 e
tombado como patrimônio histórico, ainda conserva gradis autênticos,
madeiramento e algumas pinturas originais. Nele, atualmente, funcionam a Fundação
de Arte e Cultura do Município e o Museu Regional que expõe artefatos datando
desde 75 d.C. até o século XVI.
Igreja Exaltação à Santa
Cruz -
construída entre 1798 e 1866, sofreu reformas na década de 1980. Está situada
na praça do mesmo nome, no centro da cidade.
Ruínas da Lagoinha
- tombadas como patrimônio histórico, são a ruínas da fazenda do Engenho do
Bom Retiro, na Praia da Lagoinha. A fazenda surgiu no final do século XVIII para
plantação de café e produção de açúcar mascavo e aguardente. Conta-se que tenha
sido um ponto de tráfico de escravos. Daí também podem ser vistas as colunas da
primeira fábrica de garrafas do Brasil. Fotos
Carlos Borges
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