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SÃO SEBASTIÃO

São Sebastião, cidade com vida noturna animada e culinária requintada, desdobra-se em sofisticadas ou simples e aconchegantes pousadas, hotéis, villages e resorts para receber milhares de pessoas apreciadoras da ecologia, de esportes náuticos, ou apenas em busca de belas praias.
Região fascinante entre a serra e o oceano, com uma topografia privilegiada, São Sebastião é também preservação ecológica no parque Bacarirá, onde se convive com porções generosas da Mata Atlântica.
Um dos mais importantes patrimônios naturais, mar calmo de poucas ondas e paisagem composta pelos morros avançados sobre a orla, o Parque Estadual da Serra do Mar ocupa cerca de 70% da área do município de São Sebastião, abriga milhares de espécies biológicas que se espalham ao longo de rios, florestas e mangues.
Passeios ecológicos nas trilhas da Mata Atlântica, patrimônio de raríssima beleza, o encantamento das cachoeiras, a prática de esportes náuticos, as ilhas e o mar aberto e limpo, lindas praias em quase 100km de litoral, num doce clima tropical, abrangem a magia e a beleza que atraem tantas pessoas.
Além disso, andando pela cidade, em cada esquina, encontra-se um pouco de história.

HISTÓRIA

Antes, bem antes do descobrimento, Tupinambás e Tupiniquins habitavam as terras onde hoje encontra-se o município de São Sebastião.
Tendo como divisa natural entre as duas tribos a praia de Boiçucanga, as terras do norte pertenciam aos Tupiniquins e as terras, ao sul, que se estendiam além da serra do mar, ao longo do Vale do Paraíba, pertenciam aos Tupinambás.
Em suas andanças, deslocando-se pelo interior em busca de melhores ambientes para a tribo, estes índios foram abrindo caminhos pela Serra do Mar que hoje transformaram-se em trilhas para os passeios.
Com sustos, estranheza e medo, acolheram os primeiros colonizadores que se instalaram em São Sebastião entre 1596 e 1609. Tupinambás e Tupiniquins foram também completamente dizimados. Mesmo assim, como não podia deixar de ser, seus usos e costumes permaneceram no quotidiano do caiçara que também é uma mistura de índio e branco. A técnica de fabricação de canoas, o preparo da farinha, o cultivo da terra, a construção de moradias em pau-a-pique, o nome das praias e de outros acidentes geográficos são alguns aspectos do legado indígena.

A COLONIZAÇÃO
Com a doação das primeiras sesmarias, no decorrer do ano de 1609, com casas cobertas de palha, construídas com pedra e cal obtido das conchas acumuladas nos sambaquis, surgiu o povoado de São Sebastião, cujo nome é uma homenagem ao santo.
Os colonizadores estabeleceram os primeiros engenhos de açúcar, dedicando-se sobretudo ao cultivo da cana e da mandioca.
Com as instituições características da colonização portuguesa representadas pela Igreja, Câmara, Cadeia e Pelourinho, São Sebastião elevada à categoria de Vila, em 1636, tornou-se .próspera e populosa, com ricos comerciantes, senhores de engenho e muitos escravos.
Os frades franciscanos construíram, ao norte da Vila, o Convento de Nossa Senhora do Amparo, onde se instalaram, em 1650.
Os frades Carmelitas estabeleceram-se nas terras da Fazenda Guaecá, em 1680. Além da Capela de Nossa Senhora erigida no mesmo ano, investiram enorme força de trabalho escravo na instalação de um grande engenho que funcionou até meados do século XVIII.

A DEFESA DE UMA CIDADE COBIÇADA
A grande prosperidade da Vila de São Sebastião acabou atraindo não só os navios mercantes, mas também navios piratas que entravam pelo canal à procura de riquezas existentes nas costas brasileiras. Assim, a região sofreu a invasão do pirata inglês Thomas Cavendish, em 1591; de piratas franceses, em 1688, e de um corsário holandês que, em 1721, aterrorizou a população durante meses.
A Coroa Portuguesa, no início do século XlX, resolveu construir um sistema de defesa, devido ao receio de novas invasões e sobretudo inquietando-se com a independência das colônias espanholas da região do Rio do Prata.
Foram construídas, então, quatro fortificações para proteção da Vila de São Sebastião: forte da Vila, Ponta do Araçá, Santa Cruz e Sepituba. Mais três fortes situados em Vila Bela (atual Ilhabela): Forte da Vila, Ponta do Rabo Azedo e Praia da Feiticeira, ampliavam o sistema de defesa. Dessa forma, com o fogo cruzado dos canhões sobre o canal ficou dificultada a entrada de qualquer navio estranho.
Mesmo após a independência, com Brasil envolvido na Guerra Cisplatina, corsários a serviço da Argentina atacam a região.
A escuna Sarandy e um brigue de transportes, em novembro de 1826, bombardearam o Forte Rabo Azedo. Um ano depois, aponta-se a presença de navios piratas nas costas e a Vila sofreu novo ataque de corsários. Mas todas essas tentativas fracassaram por causa da eficiência do fogo cruzado dos canhões instalados nos fortes.

PROSPERIDADE E ESTAGNAÇÃO
Sob o impacto de um enorme desenvolvimento, São Sebastião transformou-se em centro econômico. As riquezas geradas pelas fazendas de café e cana de açúcar proporcionaram um núcleo arquitetônico colonial formado pelas casas construídas nesse período cuja pureza de estilo até hoje é preservada.
A pesca da baleia, organizada durante o século XVIII e início do século XIX, tornou-se significativa não só pela construção de "armações", ampliando a atividade econômica, como também pela utilização do óleo na iluminação e como componente nas construções de pedra.
Com cerca de mil escravos entre negros e índios, numa população que beirava os 3.500 habitantes, São Sebastião já possuía numerosos engenhos movidos à água ou à tração animal.
Contudo, a partir de 1788, São Sebastião conheceu um período de estagnação econômica. No momento em que tornou-se importante e vital a penetração rumo ao interior ficou exposta ao isolamento. A dificuldade de acesso e a carência de transporte provocaram o deslocamento da produção e das relações comerciais para outras regiões. A situação piorou quando da ordem do Capitão-Geral da Província de São Paulo, segundo a qual nenhuma embarcação poderia ser carregada na vila sem seguir, obrigatoriamente, para o Porto de Santos.
A partir de 1830, com novo impulso da agricultura e ressurgimento do comércio, as vilas ganharam forças para exigir maior ligação com o interior da Província, com a abertura de estradas através da serra. Por injunções políticas, esta reivindicação foi prejudicada e protelada. Somente em 1932 foi efetivada a ligação com o planalto, via Vale do Paraíba.
Entretanto, na segunda metade do século XIX, a construção da estrada de ferro entre Santos e São Paulo, provocou nova estagnação econômica em São Sebastião.
Finalmente, a cidade voltaria a crescer com o retorno da prosperidade econômica, somente na segunda metade do século XX, com a abertura do Cais e a instalação do Terminal Marítimo da Petrobras. O porto de carga, sob administração do Governo Estadual, tornou-se um dos mais importantes núcleos de desenvolvimento industrial do Vale do Paraíba.

TURISMO

Atrativos históricos
Igreja Matriz de São Sebastião - construída em taipa no final do século XVII, com a fachada de inspiração jesuítica. Foi reconstituída em 1819 e até hoje conserva o msmo aspecto.

Casa da Câmara e Cadeia - possui caraterísticas da arquitetura do século XVIII: fachada simétrica com a porta central e janelas iguais de cada lado. A escada do lado externo é comum nos prédios públicos da época. A Câmara funcionava no andar de cima, onde "os homens bons" exerciam o poder. No andar térreo ficava a Cadeia.

Casa Esperança - construída em pedra e argamassa de cal e areia, com fachada típica da época, disposição simétrica e ornamentação em peças de pedra, possuindo aspectos característicos da arquitetura urbana do século XVIII, a Casa Esperança é testemunho da prosperidade de São Sebastião. O "teto de gamela ou de armação" que cobre as salas principais possui pinturas originais nas três salas nobres da frente. As peças em pedra, algumas vindas de Portugal, simbolizam sinais exteriores de riqueza.

Convento de Nossa Senhora do Amparo - enorme construção com cruzeiro à frente, interior com entalhes de madeira e ouro, estilo típico das Igrejas Franciscanas. O Convento de Nossa Senhora do Amparo está situado no atual bairro de São Francisco, onde se instalaram os frades franciscanos, por volta de 1650.

Fazenda Santana - sobrado de pedra e taipa, construído em 1743. Conjunto de residência, capela ornamentada com pinturas trabalhadas em ouro e um engenho, complementado por um aqueduto de pedra, senzalas para a escravaria, canavial, zonas de mata para lenha, pastos, tudo isso forma a Fazenda Santana, exemplo típico do engenho de açúcar, sob a proteção de Santana, a padroeira da fazenda. É propriedade particular, porém, com a permissão dos donos pode-se visitar as dependências da fazenda, inclusive a Casa da Farinha, com o tombo d’água, roda de fábrica e pilões.

Capela de São Gonçalo - Museu de Arte Sacra - a Capela de São Gonçalo foi tombada pelo CONDEPHAAT, em 1969. A partir de 1978 instalou-se na Capela o Museu de Arte Sacra, numa tentativa de salvar a construção, em estado precário de conservação. Entretanto, dez anos depois, novamente por falta de manutenção adequada, foram necessárias novas obras.

Atrativos Naturais
Praias

Enseada - a 12km do centro. Praia rasa, maré sempre baixa, boa para pesca de camarões e mariscos, faz parte do conjunto que inclui ainda a Prainha das Gaivotas, da Figueira e do Ventura.
Lá localiza-se a Capela do Bom Jesus.

Cigarras - a 9,5km do centro. Belas casas de temporada movimentadas em época de férias exaltam a elegância da praia das Cigarras. Ocasionalmente pode estar imprópria para banho. A Capela da Imaculada Conceição está preservada.

São Francisco da Praia - reduto calmo e tranqüilo de pescadores e de artesãos que trabalham com modelagem em barro, panelas e potes d’água. Aí pode-se ver o antigo convento de Nossa Senhora do Amparo, construção do século XVII, que ainda guarda suas antigas imagens. Além das ruínas da Casa de Beneficiamento de Ouro das Minas de Itararé, avistam-se as ruínas da fazenda do Padre Faustino, atrás da serra.

Arrastão - bastante freqüentada por jovens, possui restaurantes à beira-mar. É onde acontece o CARNAMAR, todo domingo de carnaval.

Pontal da Cruz - a 1,5km do centro. Comércio, colônia de férias do banco Itaú, além de hotéis e pousadas, formam um belo núcleo residencial. Localizada na parte sul, a pedra "Lenda dos Amores" transforma a praia do Pontal da Cruz num permanente cenário de encontros amorosos.

Porto Grande - bem na entrada da cidade. A "Praça da Vela", recém-construída, onde se concentram velejadores que participam de campeonatos, oferece condições para a prática de esportes náuticos. Como atrações, um rancho de pescadores no canto da praia e as instalações da Petrobrás com seus escritórios, parques e tanques.

Grande - a 6km do centro. Uma extensão de mais de 400m de mar calmo, piso firme, areia branca e fofa, tem a sua frente o Farol dos Moleques. A famosa "Toca do Mero" se esconde entre seus costões. Aí se localiza o Balneário dos Trabalhadores.

Guaecá - a 9km do centro. Praia bastante extensa, ideal para surf em dias de mar agitado, onde estão situadas a famosa Gruta do Bicho e a Fazenda dos Carmelitas, hoje propriedade particular.

Maresias - a 25km do centro. A mais badalada praia da região. Devido as fortes ondas e repuxos do mar aberto convém fazer consultas aos caiçaras que poderão indicar os melhores locais para banho. A Capela de Maresias e a Capela do Cemitério são preservadas. Possui danceterias e bares agitando a noite dos jovens, além de ótimos restaurantes.

Boiçucanga - a 31,5km do centro. Com mais de 2km de areia amarelada e solta, encravada entre o Oceano Atlântico e a Serra do Mar, é um permanente convite, pois propicia magníficas paisagens do mar e das montanhas. As mais incríveis histórias passam de boca em boca nas noites quentes da praça da Mentira. Na ilha dos Gatos permanecem as ruínas de uma curiosa construção dos anos 50. Ainda podem ser vistas a Capela da Imaculada Conceição e a Capela do Sagrado Coração de Jesus.

Camburi - famosa pela freqüência de gente bonita, é cortada pelo Rio Camburi. Restaurantes, bares e danceterias fazem de Camburi uma praia bastante badalada.

Barra do Sahy - a 39km do centro. Possui exuberante paisagem formada pelo Rio Sahy que desemboca na praia e uma vila caiçara convivendo com as casas de veraneio. Da praia há uma bela vista das ilhas Montão de Trigo, das Couves e do pequeno arquipélago As Ilhas.

Barra do Una - a 47,5km do centro. Na orla da praia, caiçaras e índios Guaranis, que vivem no sertão, apresentam seu artesanato. A atividade náutica concentra-se no Iate Clube Ribeirinho, às margens do rio. Todos os anos, pelo rio e pelo mar, os moradores realizam a Regata de Canoas.

Boracéia - a 53,5km do centro. Com uma grande extensão, é a última praia dentro do município de São Sebastião cujo Rio Prateus é a divisa com o município de Bertioga. A pesca da tainha com redes puxadas da praia é sua maior atração, por isso, todo ano no mês de julho realiza-se a famosa Festa da Tainha. Há ainda exposição de artesanato numa aldeia de índios Guaranis.

Existem ainda praias menores, algumas mais desertas: Juréia, Engenho, Juquehy, Conchas, Preta, Baleia, Brava, Paúba, Santiago, Calhetas, Toque-Toque Pequeno, Toque-Toque Grande, Baraqueçaba, Cabelo Gordo, Pitangueiras, Centro, Deserta e Olaria.

Trilhas
Há três roteiros de trilhas exploradas pela FUNDAMAR (Fundação Museu de Históia, Pesquisa e Arquelogia do Mar):

Ribeirão do Itu - uma caminhada de 8.200m com duração de mais ou menos 8 horas exige bom condicionamento físico e idade acima de 12 anos. Estende-se entre Caraguatatuba e São Sebastião. Por São Sebastião o acesso é pela Rua Maria Chulia de Jesus, no bairro de Boiçucanga. As atrações são a Mata Atlântica e as Cachoeiras do Ribeirão de Itu.
Condições: menores de idade necessitam de autorização. Há um monitor para cada 10 pessoas. Deve-se marcar com pelos menos 5 dias de antecedência.

Mangue, praia, costeira - Barra do Sahy - Numa extensão de 2.000m e cerca de 4 horas de duração é uma trilha leve permitida até para crianças acima de 7 anos.
Condições: menores de idade necessitam de autorização. Há um monitor para cada 15 pessoas. Marcar com pelos menos 5 dias de antecedência.

Mangue, praia, costeira, trilha e cachoeira - Com duração de 8 horas aproximadamente e uma caminhada de 4.000m, é um roteiro leve permitido até para crianças acima de 7 anos.
Condições: menores de idade necessitam de autorização. Há um monitor para cada 15 pessoas. Marcar com pelos menos 5 dias de antecedência.