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PARATI

Quase 100 anos de esquecimento e isolamento foram responsáveis pela conservação da beleza histórica de Parati. Casarões do período colonial dão charme às ruelas da cidade. Cercando essa bela arquitetura, há 300 praias da região, 65 ilhas e uma faixa de Mata Atlântica com cachoeiras e outras preciosidades. Nada mais justo do que esta pequena cidade do litoral fluminense ter sido declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
Incrustada entre a Serra do Mar, com sua exuberante vegetação nativa, e uma baía de águas azuis, Parati, hoje, é internacionalmente conhecida pelas belezas naturais, pelo rico acervo histórico cultural e pela variedade de opções de passeios que oferece aos que a visitam. Desde os anos 70, com a abertura da Rio-Santos, a cidade foi escolhida por intelectuais e artistas em busca de sossego.
Do centro histórico, onde veículos motorizados não circulam, com suas construções seculares às trilhas que cortam os parques e ilhas que pertencem ao município, é possível encontrar os mais belos e interessantes roteiros. Principalmente para quem quer mergulhar nas águas claras e cheias de histórias da época em que piratas circulavam por aqui em busca de ouro.

HISTÓRIA

A data da fundação da cidade é discutida por vários historiadores. No entanto, pode-se afirmar que no início do século XVIII quando ali chegaram os portugueses, à procura de local apropriado para a instalação de um porto, já encontraram um pequeno vilarejo no Morro da Vila Velha (hoje Morro do Forte).
Com a descoberta do ouro nas Minas Gerais, tornou-se indispensável a construção de um porto afim de transportar essa riqueza para Portugal. Encontrado o lugar ideal, ao fundo da Baia de Ilha Grande, o porto protegido de piratas foi instalado.
Para alcançar a região, seguiram por uma trilha de índios Guaianases que vinham pescar e fazer farinha de peixe no litoral. Vencida a Serra do Mar e desbravada a Mantiqueira, foi estabelecida a comunicação entre o porto e a região do ouro. Essa estrada ficou conhecida como "caminho do ouro da Piedade".
Além do porto movimentado, o café e a cana-de-açúcar também trouxeram riqueza para o município. A aguardente fabricada em seus numerosos engenhos, de tão famosa, tornou-se sinônimo de pinga. No entanto, não durou muito esse período de glória e progresso. A construção da estrada de ferro entre São Paulo e Rio de Janeiro através do Vale do Paraíba afetou intensamente a atividade econômica de Parati. A antiga trilha pela Serra do Mar foi desativada e com isso o porto que teria sido o segundo mais importante do país, tornou-se um simples entreposto comercial. Posteriormente com a abolição da escravatura em 1888, e êxodo foi de tal porte que Parati ficou isolada do país por muitas décadas.
Na história de Parati , períodos de progresso e decadência de sucedem. Durante muitos anos o acesso era feito somente de barco vindo de Angra dos Reis. Esse isolamento contribuiu não só para a preservação de sua rica estrutura arquitetônica mas também de seus usos e costumes.

Isolada e esquecida até a década de 60, Parati foi redescoberta por artistas que encontraram na cidade o rico e bem conservado acervo arquitetônico colonial dos séculos XVIII e XIX. A abertura da BR-101, (Rio-Santos) traz novo impulso no início da década de 80. Como o ouro, o café e a cana-de-açúcar, o turismo chegou para dominar e explorar a cidade contribuindo para o progresso e enriquecimento do município.

TURISMO

Atrativos Histórico-Culturais
O centro histórico de Parati conserva as marcas do período colonial, quando a cidade era um importante porto na rota do ouro.

Câmara Municipal (1785) - localizada no segundo andar do prédio da prefeitura, guarda móveis de época, da antiga loja maçônica "União e Beleza". Outra relíquia são as "varas das autoridades", longas varas usadas pelas principais autoridades da cidade como símbolo de seu poder.

Igreja Santa Rita dos Pardos (1722) - construída pela Irmandade de Santa Rita dos Pardos Libertos. Com arquitetura jesuítica, apresenta características do estilo barroco-rococó. Aqui também se encontra o cemitério da Irmandade de Santa Rita dos Pardos, em forma de catacumba. Hoje a Igreja abriga o Museu de Arte Sacra de Parati.

Igreja Matriz de N. S. dos Remédios (1646/1873) - a primeira construção, de 1646, foi de taipa; a segunda, em pedra, cal e óleo de baleia, terminou em 1712; a terceira e última terminou em 1873, em estilo neoclássico. Guarda belas imagens e a Pinacoteca Antônio Marino Gouveia.

Igreja de N. S. do Rosário (1725) - foi construída para e pelos escravos. Seus três altares são dedicados a N. Sra. do Rosário, São João Batista e São Benedito. Possui a mais importante talha das igrejas de Parati.

Igreja N. S. das Dores (1800/1901) - reformada em 1901, possui como destaque sacadas internas de madeira rendilhada. Hoje é conhecida como Capelinha.

Forte Defensor Perpétuo (1703) - localizado no Morro do Forte, onde nasceu o povoado que originou a cidade. Em 1822 passou por uma reforma e recebeu o nome em homenagem a D. Pedro I. Tombado e restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, guarda também o Museu de Artes e Tradições Populares de Parati.

Casa da Cultura (1754) - pinacoteca com obras de Ademir Martins e Di Cavalcanti. Oferece oficinas de artes, dança e exposições temporárias.

Muitas outras construções como capelas, engenhos e monumentos enriquecem o acervo histórico-cultural de Parati..

Atrativos Naturais
Desde de 1992, Parati é Área de Proteção Ambiental, sendo proibida a extração predatória de crustáceos moluscos e outras espécies marinhas.
A faixa de Mata Atlântica possui grande variedade de orquídeas, bromélias e árvores de grande porte como jacarandá, peroba e cedro. Dentre as espécies animais, encontramos tamanduá, raposa, veado, paca, quati e diversos pássaros. Nesta área também existem diversas cachoeiras, como as do Tobogã, da Toca da Ingraça e Pedra Branca.

Parque Estadual de Parati-Mirim - distante da cidade uns 15km, possui inúmeras ruínas e muitas nascentes abrigadas por abundante vegetação. A faixa denominada Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, às margens do rio Mateus Nunes, de sua nascente até a foz, oferece oportunidade de observar a pescaria artesanal, pois aí os caiçaras têm permissão para pescar com redes à maneira dos índios Guaianases, antigos moradores da região. Aqui localiza-se a Igreja N. S. da Conceição, de 1686.

Ponta do Juatinga - praias desertas com acesso a pé ou de barco. Na Enseada do Pouso de Cajaíba as praias são de areia grossa, águas claras e calmas, boas para mergulhar. A praia do Pouso de Cajaíba possui uma pequena vila de pescadores. A praia de Martins de Sá é boa para a prática do surf.

Vila de Trindade - bastante procurada por jovens que gostam de acampar. Para chegar até lá, é preciso enfrentar 5km de estrada de terra íngreme e cheia de pedras.

Passeios de barco - diariamente, principalmente no verão, centenas de pessoas saem de manhã em escunas turísticas com destino às mais belas ilhas e praias nas proximidades de Parati.

Mergulho autônomo - muitas escolas de mergulho realizam o batismo na Baía de Parati, que possui uma boa visibilidade (8m). Costuma-se mergulhar nas ilhas do Catimbau, Ratos, Meros e Ganchos.