A vida no Pantanal, a maior planície
alagável do mundo, é regida pelo ciclo das chuvas. A fauna nativa já está
adaptada à dança das águas nas cheias, quando a água toma conta de tudo, mas
o gado introduzido pelo homem, para ser preservado, tem que ser conduzido para
as partes mais altas. Na seca, a água volta aos leitos dos rios e lagoas,
deixando florir e verdejar uma flora exuberante e farta.
Esse sobe e desce das águas faz surgir diversos vazantes e lagoas, chamadas de
baías, onde quem domina é o jacaré. Livres das inundações estão as salinas
pantaneiras - lagoas azuis e verdes de água salobra isoladas nas colinas. Elas
ainda são um mistério para geólogos e arqueólogos.
A arara azul, já quase extinta, ainda voa aos bandos. Garças, colhereiros e
tuiuiús reúnem-se em numerosas famílias barulhentas. As onças, ainda
encontradas nas matas ao longo dos rios, já não são mais tão odiadas pelos
fazendeiros que se acostumaram a deixar mais protegidos os bezerros. Os diversos
rios da região estão repletos de peixes, atraindo pescadores de toda parte.
Nas manhãs cheias do alarido dos pássaros voando rente à água dos
rios, quando o sol desponta por entre flores coloridas e matas
verdejantes, parece que a luz nasce do fundo dos rios e lagoas,
e maranha-se pelas copas das árvores e se espalha pela imensidão das
águas que inundam o Pantanal, tornando a paisagem ainda mais
fantástica.
HISTÓRIA
Muito antes do descobrimento do
Brasil, os índios Guaicurus dominavam toda a região do Pantanal. Souberam
utilizar o cavalo introduzido pelos espanhóis, tornando-se exímios cavaleiros.
Durante séculos de penetração dos colonizadores, a resistência à ocupação
se constituiu na tônica das relações entre índios e brancos. O Pantanal
parece ter sido palco da maior e mais obstinada cena de oposição sistemática
à presença colonizadora. Como resultado desse violento conflito ocorreu o
quase extermínio da população indígena.
Os Xavantes, a mais importante tribo da região, dizimados e expulsos de suas
terras localizadas entre os rios Araguaia e Tocantins, se encontram atualmente
confinados em reservas indígenas distribuídas pelo território mato-grossense.
Deve-se também levar em consideração que, de acordo com recentes pesquisas em
dezenas de sítios arqueológicos da região mato-grossense, onde foram
encontrados inclusive ossos de animais pré-históricos como preguiças gigantes
e tigres de dente-de-sabre, há evidências da presença do homem pré-histórico,
grupos de caçadores/coletores e ceramistas, anteriores ao desenvolvimento das
culturas indígenas conhecidas.}
A área brasileira pertenceu à Espanha pelo Tratado das Tordezilhas, assinado
em 1494, onde se localiza o Pantanal, foi ignorada pela certeza de que eram
inesgotáveis as minas de ouro e prata do México, Peru e Bolívia. Diante dessa
atitude dos espanhóis, os portugueses, já a partir de 1525, começaram a
explorar a região.
Mais tarde, as bandeiras vasculharam todo território à procura de ouro, pedras
preciosas e principalmente à caça de índios para os trabalhos na lavoura, já
que o preço dos negros escravos estava acima das posses dos moradores da província
de São Paulo. Embora, no início do século XVII, a Espanha tenha procurado
barrar esse movimento, incentivando a construção de missões ao longo dos rios
Paraguai e Paraná, a cargo dos padres jesuítas, a ocupação portuguesa já se
consolidava.
Após a Guerra dos Emboabas, os paulistas, alijados da região das Minas Gerais,
reorientaram as bandeiras em busca de novas jazidas auríferas. Foi assim que o
bandeirante Pascoal Moreira Cabral descobriu as minas de Cuiabá, em 1718.
Diante desta descoberta, o rei D. João V de Portugal, em 1748, resolveu
reorganizar a administração daquela área para facilitar a fiscalização.
Separou a região em duas partes, criando dois governos próprios. Surgiram
assim as Capitanias de Mato Grosso e de Goiás. Portugal e Espanha, após longas
negociações, assinaram o Tratado de Madri, em 1750, oficializando a ocupação
portuguesa. Em troca da colônia de Sacramento muito cobiçada pela Espanha, a
coroa portuguesa recebeu todo o vale do Amazonas, com as áreas correspondentes
aos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Rio Grande o
Sul, onde se multiplicavam cidades e vilarejos.
Porém, com o esgotamento das minas durante o século XIX, a região entrou em
declínio, ficando abandonada por longo tempo. Somente no início do século XX
voltou a prosperar com a chegada de seringalistas, de plantadores de erva-mate e
soja e sobretudo de pecuaristas, reunindo um dos mais significativos rebanhos de
gado bovino e tornando-se a última grande fronteira agrícola do Brasil. Em
1977, com a separação, o Estado de Mato Grosso do Sul ficou com dois terços
das ricas fauna e flora do Pantanal.
Até as primeiras décadas deste século, a região era visitada praticamente
apenas por expedições científicas, para conhecimento de sua fauna e flora
exuberantes. Por essa época, o Pantanal recebeu um visitante ilustre. O antropólogo
francês, Claude Lévi-Strauss, encontrou no Centro-Oeste Brasileiro a inspiração
para renovar a antropologia.
O que marcou esta época foram as expedições chefiados pelo marechal Rondon
que percorreram Mato Grosso até Rondônia e o Acre até Manaus, construindo
milhares de quilômetros de linhas, várias estações telegráficas,
descobrindo acidentes geográficos e sobretudo mantendo relações pacíficas
com os índios.
TURISMO
Atrativo histórico
Fortaleza Militar de
Coimbra - À beira do rio Paraguai, o forte é dominado pelo Morro da
Marinha. Tombado há 23 anos pelo Patrimônio Histórico Nacional, abriga a
artilharia da 18ª brigada de Infantaria de Fronteira do Exército.
Uma de suas atrações, com belíssimas formações, é a Gruta Buraco do
Inferno.
Atrativos Naturais
Parque Nacional do
Pantanal Mato-Grossense - Com uma área de 135.000ha, o parque
localiza-se no extremo sudoeste de Mato Grosso, na confluência dos rios
Paraguai e Cuiabá, pertencendo ao município de Poconé. É a região mais
selvagem do Pantanal, oferecendo o espetáculo de sua fauna com jacarés,
capivaras, jaguatiricas, tucanos, garças, tuiuiús, além de inúmeros peixes.
O acesso ao parque só é feito de barco, mas o Centro de Visitantes fica em
Poconé.
O Reino dos Jacarés
- Durante as vazantes ou nas baías, os jacarés dominam a paisagem.
Quase invisíveis no meio dos aguapés, eles ficam de tocaia durante horas à
espera de uma garça, de um socó ou de uma jaçanã, para variar o cardápio
que comumente se constitui de peixes. A tocaia quase nunca dá certo, mas os
jacarés não desistem. Uma grande atração do Pantanal é a focagem noturna de
jacarés, feita em barcos pelos inúmeros rios.
O Mar dos Xaraiés
- A presença de lagoas de água salgada de um verde muito vivo, onde
sobrevivem apenas jacarés e micromoluscos, na região de Nhecolândia, cuja
estrutura nem mesmo as cheias periódicas conseguem mudar, gerou várias explicações.
Arqueólogos e geólogos discutem a possibilidade desta região ter sido coberta
pelo mar, há milhões de anos, ou ainda, pode-se dizer que as águas salgadas são
consequência da concentração de sais minerais presentes na água depois da
evaporação, no período da seca.
Rio Paraguai
- Os cruzeiros fluviais entre Corumbá e Porto Jofre especializados
em pescarias podem se transformar em torres de observação da natureza. A
partir de Corumbá, o Albatroz, um barco de 38m de comprimento e com 18
camarotes, realiza viagens com duração de 5 dias. Barcos equipados para a
pesca que navegam pelo rio Paraguai e afluentes em programas que duram de 5 a 7
dias podem também ser utilizados para passeios.
Safári fotográfico
- Excursões organizadas por agências de São Paulo com duração média
de quatro dias. Exigindo disposição para caminhadas e pernoite em barracas,
camionetas especiais saem de Corumbá para acampamentos rústicos na região de
Nhecolândia.
Cavalgada
- Acompanhadas por peões e guias, as cavalgadas são organizadas por
empresas especializadas, com duração de até nove dias. Num interessante
programa criado pela fazenda Caiman, o participante acompanha uma "comitiva
de gado" na qual os peões transmitem todas as informações necessárias
sobre segurança, sistema de condução de gado e técnicas de equitação.
A Transpantaneira
- Atravessa o Pantanal mato-grossense a partir de Poconé e termina
em Porto Jofre, na divisa com Mato Grosso do Sul. É verdadeiramente emocionante
o espetáculo natural e a magia que o caminho proporciona. Durante a seca,
milhares de animais se concentram nas laterais alagadas da pista, onde podem ser
vistos, bem de perto, jacarés, cobras, gaviões, tuiuiús, tucanos e araras.
Cidades
Corumbá
- Porto fluvial cuja importância econômica no passado encontra-se
inscrita na arquitetura dos casarões construídos durante o século XIX. Com a
maior parte de seu território dentro do Pantanal, atualmente investe na pesca e
no turismo ecológico.
De Corumbá a Porto da Manga pode-se observar as grandes escarpas de um maciço
rico em hematita compacta cimentada por óxido de ferro. Por isso, os indígenas
o chamaram de Urucum, nome de uma planta cuja semente servia para fazer uma
tinta vermelha com que os índios pintavam o corpo e o rosto.
Poconé
- Porta de entrada do Pantanal para quem vem de Cuiabá, ainda
sobrevive da pecuária e do que resta da garimpagem do ouro. Seu acesso se dá
pela Transpantaneira, estrada que apresenta em seu percurso numerosas pontes de
madeira e torna-se intransitável durante a época das chuvas. É interessante
visitar a mina de ouro.
Cáceres
- Localizada numa das entradas do Pantanal, pelo lado norte,
assegurou um lugar no Guiness Book, pela realização do maior torneio de pesca
em água doce.
Aquidauana
- Porta de entrada do Pantanal pelo lado sul, de onde saem estradas
de terra para Tupaceretâ e Barra Mansa, para Cipolândia e Jacobina, pequenas
cidades no interior do Pantanal.
Porto Murtinho
- Porto fluvial, na parte sul do Pantanal, cujo acesso se faz por
longos trechos de estrada de terra desde Guia Lopes da Laguna. Localiza-se num
dos trechos mais piscosos do rio Paraguai.
Campo Grande
- povoada a partir de 1875, foi elevada à categoria de cidade em
1918. Com a divisão do Estado, em 1977, tornou-se a capital do novo Estado de
Mato Grosso do Sul.
Cuiabá
- Capital do Estado de Mato Grosso. Cidade de clima muito quente e próxima
dos principais pontos turísticos do estado.
Barão de Melgaço
- Típica cidade pantaneira. A arquitetura de suas casas, construídas
no século XIX, lembra um passado quando a cidade se concentrou numa das mais
importantes regiões açucareiras do país.
Porto Jofre
- Numa localização privilegiada, a cidade é considerada o coração
do Pantanal. O prenúncio de chuvas, a explosão da flora, a exuberância da
fauna, tudo que possa revelar as características da região com maior
intensidade encontra-se nesta cidade tipicamente pantaneira.
Pesca
Dourados, pintados, pacus, barbados, jurupocas, piabuçus, jaús são as
principais espécies de peixes que se distribuem pelos rios da região
pantaneira.
Rio Aquidauana
- Nasce na Serra de Maracaju, atravessa a cidade de Aquidauana,
juntando-se ao Rio Miranda perto de Passo de Lontra, na estrada Parque do
Pantanal.
Rio Miranda
- Das proximidades de Aquidauana até o rio Paraguai, na altura de
Corumbá, o Rio Miranda atravessa a região sul do Pantanal. Em vários trechos
encontram-se pesqueiros e hotéis, voltados exclusivamente para a pesca.
Rios Negro e Abobral
- Desaguam no Rio Paraguai perto de Corumbá, passando por uma região
deserta.
Rio Paraguai
- O maior rio da região, atravessando grande parte do Pantanal,
nasce na Serra de Araporé e serve de fronteira do Brasil com a Bolívia e o
Paraguai.