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ILHA GRANDE

A maior ilha de Angra dos Reis é o paraíso de aventureiros e de quem quer apenas curtir belas praias. A Ilha Grande possui muitas belezas e histórias para enriquecer a viagem de qualquer um. Um terço de seu território foi transformado em Parque Estadual em 1971 para preservar a Mata Atlântica.
Seus 192km² abrigam 106 praias, cachoeiras, rios, lagoas, montanhas e picos. No lado voltado para o oceano estão as praias mais desertas com um cenário paradisíaco. É deste lado que fica a Reserva Biológica da Praia do Sul, com Mata Atlântica inteiramente preservada.
lha Grande também tem uma história curiosa. Durante muitos anos ela abrigou a Colônia Penal Cândido Mendes onde Graciliano Ramos escreveu Memórias do Cárcere. Até hoje as ruínas do presídio guardam um clima de terror que por muito tempo aterrorizou os moradores da Ilha.
Para conhecer bem toda essa diversidade há inúmeras trilhas, algumas pouco exploradas. Quem quiser se aventurar vai conhecer um pouco mais sobre os mistérios que envolvem Ilha Grande, além de se extasiar com seu cenário cinematográfico.

HISTÓRIA

O imperador Dom Pedro II teve três passagens pelo Lazareto: Em abril de 1886, em agosto de 1889 e, logo em seguida na condição de prisioneiro onde aguardou o transporte que o levaria para o exílio.

O Lazareto funcionou de 1886 até 1913 tendo atendido 4232 embarcações, das quais 3367 foram desinfectadas.

De 1913 até aproximadamente meados da década de 30, o Lazareto permaneceu desocupado, voltou a ser usado até 1939 como alojamento pelos fuzileiros navais, por acasião de manobras militares as quais reuniam cerca de 10 navios na enseada do Abraão. Naquelas noites, os fuzileiros se reuniam e agitavam a comunidade da Vila quando praticavam o “MARACATU” , um tipo de música e dança de origem nordestina.

A ILHA E O SEU DESCOBRIMENTO

A exemplo do Rio de Janeiro, que foi batizado em 1o de janeiro de 1502, quando o chefe da primeira expedição exploradora, o navegador André Gonçalves, supôs ser, a baía da Guanabara , a desembocadura de um grande rio, batizando-a Rio de Janeiro, a baía da Ilha Grande, também foi confundida, pela mesma expedição, em 6 de janeiro do mesmo ano.

Navegando pelo o canal existente entre o continente e a Ilha Grande ( a expedição não imaginava ser uma ilha e portanto não foi batizada ) , julgavam estar entrando em uma enseada. Ao chegar às proximidades da atual cidade de Angra dos Reis, verificou-se o engano: não era uma enseada (angra) mas, por ser o dia em que a Igreja Católica comemora os Santos Reis Magos, ficou a localidade batizada como Angra dos Reis, embora a fundação oficial da cidade tenha se dado em 1608.

Naquela época, a região era habitada por índios, que com o tempo foram sendo escravizados pelos portugueses que foram ocupando as aldeias existentes em locais onde hoje temos: Mangaratiba, Ilha da Gipóia (em frente a Angra dos Reis) e Paraty.

A MEIO MILÊNIO ATRÁS

Após o descobrimento, em 1502, várias expedições exploradoras e aventureiras foram realizadas no litoral brasileiro. Com isso, significante número de registros históricos foram manuscritos e falando especificamente da Ilha Grande, iniciamos por volta de 1552.

A Ilha Grande fazia parte da nação dos índios Tamoios, que se estendia de Cabo Frio ( litoral norte do RJ ) até as proximidades de Ubatuba ( litoral norte de SP ) , onde fazia fronteira com as terras dos índios Guaianás-Guaranis , que habitavam o sul da América do Sul.

Ilha Grande já era assim chamada pelos índios Tamoios, que na língua Tupi era Ipaum Guaçu. Ipaum significa Ilha e Guaçu significa Grande. Esse registro deve-se ao aventureiro alemão Hans Staden, que assim o registrou nos mapas publicados em sua obra em 1557. Padre Anchieta, o famoso catequista dos índios brasileiros, também registrou a presença dos Tamoios na Ilha. Segundo Anchieta, eles viviam em aldeias com cerca de seis ocas, totalizando aproximadamente 150 habitantes. Eram valentes guerreiros, ótimos flecheiros, caçadores, pescadores de linha e mergulho e viviam de modo distinto dos outros indígenas do continente, além de terem a sua linguagem também diferente.

A vegetação - mata atlântica, semelhante a da Serra do Mar, conservou-se apenas nas montanhas , devido à topografia íngreme dos topos que fez com que , nos séculos que se seguiram, o machado dos navegantes destruísse a flora da periferia, impedindo assim que o homem as destruísse por completo. Registros históricos descrevem as florestas da Ilha Grande como as mais bonitas do início da colonização pois, estas chegavam até a beira do mar. Haviam troncos de árvores de descomunal tamanho. Laranjeiras e limoeiros nasciam e cresciam, por dádiva da natureza. As matas eram muito densas, dificultando a caça e naquela época, eram habitadas , em grande população, por jacarés, lagartos , macacos (ainda existem vários bandos) , ouriços, pacas, jaguatiricas, gambás, ratos e jararacas.

A REPÚBLICA E AS COLÔNIAS PENAIS

Após a proclamação da República em 1889, o Lazareto passou por reformas (diga-se de passagem, um curto intervalo de tempo após a sua inauguração, uma rápida deteriorização - fato devido à grande velocidade de sua construção). Foi nessa reforma que foi construído o aqueduto (um duto ou canal para transporte de água - ainda existente) com vazão de mil litros por hora.

Em 1903, foi instalada oficialmente a Colônia Penal de Dois Rios que serviu de presídio a pessoas julgadas por crimes comuns.

Em 1940, o Lazareto foi outra vez reformado e modificado para transformar-se em presídio - Colônia penal Cândido Mendes que recebeu os presos comuns que estavam na Colônia de Dois Rios, a fim de que essa última abrigasse os presos políticos da 2a Grande Guerra Mundial. Essas transferências foram devidas ao fato de que a Ilha de Fernando de Noronha , na qual estavam sendo aprisionados os presos políticos, foi cedida ao Governo americano para utilização como base Aéro-Naval. Paralelamente à reforma do Lazareto e à de Dois Rios, em 1940, foi iniciada a construção da estrada que liga Abraão a Dois Rios. A construção foi feita com mão de obra dos presos comuns. Tratores foram transportados por navios da Marinha .

O Lazareto abrigou os presos comuns até 1954 quando então foram transferidos de volta para Dois Rios que também mudou de nome para Cândido Mendes. Depois disso o Lazareto foi demolido por ordem de Carlos Lacerda, que na época era Governador do Estado. O aqueduto foi a única coisa que restou inteira.

É sabido também que políticos, espiões , colaboradores de governos estrangeiros e célebres escritores passaram períodos de suas vidas na Colônia de Dois Rios. Alguns acabaram estabelecendo-se definitivamente na Ilha, outros deixaram para a posteridade, em seus livros, as amargas recordações do cativeiro. Dentre eles estão Graciliano Ramos e Orígenes Lessa (escritores) e os revolucionários, Flores da Cunha, Agildo Barata e outros mais .

A INDÚSTRIA PESQUEIRA

A pesca é uma atividade econômica que ocupa grande parte da população da Ilha. Os principais núcleos são : Provetá, Araçatiba, praia Vermelha, Matariz , Longa e Aventureiro. Exceto o Abraão e algumas praias “particulares”, a maioria das comunidades é de núcleo de pescadores.

Na década de 30, iniciou-se o processo de salga de peixe realizado por imigrantes japoneses, embora a introdução do processo tenha sido feita por imigrantes gregos.

Até a década de 70 existiam na ilha cerca de 10 fábricas de salga de peixe, sardinhas prensadas e em lata. Foi quando iniciou-se o declínio e várias antigas fábricas estão hoje transformadas em pousadas. Em décadas anteriores, essas indústrias eram em número bem maior.
Atualmente, a pesca vêm passando por um período de queda na sua produção, problema ocasionado pela presença da pesca predatória realizada por barcos arrastões que nada deixam escapar das redes, além de dificuldades na comercialização.