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Lendas e mistérios rodeiam as origens do Santuário
do Caraça, conjunto arquitetônico formado pela Igreja Nossa Senhora Mãe dos
Homens, em estilo barroco, e pelo Colégio e Seminário do Caraça. O nome mais
envolvido nesta história é o de Irmão Lourenço, de quem não se conhece a
origem, que chegou ali em 1770, erguendo um rancho e um altar. Nove anos depois,
já estava construída a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, a primeira em
estilo neogótico do Brasil. Por mais de 40 anos, o lugar tornou-se destino de
peregrinos que subiam a serra em busca do Santuário.
Em seu testamento datado de 1806, Irmão Lourenço deixa todas as suas terras e
demais pertences para Sua Alteza Real, com o compromisso de estabelecer uma
residência para missionários ou um seminário de meninos. Após a morte do Irmão,
em 1820, D. João VI destina as terras e o convento aos padre lazaristas
portugueses da Congregação da Missão, que fundam o Colégio Caraça.
Em 1850 chegaram os padres franceses que trouxeram o humanismo de sua pedagogia,
exercendo grande influência tanto na parte educativa, quanto na administração
do Colégio.
Por um período de mais de 150 anos, passaram pelo Colégio cerca de 12.000
alunos, caracterizando-se pela disciplina e seriedade. Entre 1820 e 1912, atuou
como colégio secundarista, para formação da elite intelectual e política do
país. Aí estudaram cinco presidentes da república (Artur Bernardes, Delfim
Moreira, Afonso Pena, Juscelino Kubtschek e Jânio Quadros), centenas de políticos,
desembargadores, cientistas, padres e bispos.
O imperador D. Pedro II, quando visitou o Colégio, em 1881, ficou encantado e
surpreso com a recepção, pois foi saudado em diversas línguas, pelos alunos.
Entre 1867 e 1885, período áureo no desenvolvimento do Caraça, além da
edificação da igreja gótica, foi construído o órgão todo feito de madeira
nativa da serra do Caraça.
Depois de 1902, o Colégio atuou apenas como seminário. Após 1930, enfrentou sérias
dificuldades financeiras agravadas pelo período da guerra. Um incêndio
provocado por um fogareiro elétrico derrubado por um seminarista pôs fim ao
funcionamento do Colégio e do Seminário, em 1968. De toda destruição, apenas
parte do acervo da biblioteca foi salvo pelo esforço dos alunos seminaristas.
Hoje o Caraça é um centro turístico importante. Foram organizados a
biblioteca e um museu. As ruínas do incêndio transformaram-se em centro
cultural e antigas construções deram origem a pousadas. Os padres ainda vivem
ali, podendo contar as inúmeras histórias guardadas neste pé de serra. |
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Históricos, culturais e artísticos:
Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens
Em 1779 ela estava construída em estilo barroco. Em 1880, essa construção foi
substituída por outra, em estilo neogótico. Abriga o corpo embalsamado de São
Pio Mártir, um soldado romano martirizado, além de vitrais doados por D. Pedro
II e o raro órgão, construído pelo padre L. Boavida, marceneiro e músico.
Capelas Barrocas
Duas capelas dentro da Igreja preservaram seu estilo barroco após a construção
neogótica.
Colégio
Fundado em 1820 pelos padres lazaristas portugueses, em terras doadas por D.
João VI.
Biblioteca
Com mais de 20.000 volumes, na época do incêndio, contendo obras de
filosofia, teologia, direito, ciências, arquitetura e "livros de
piedade", acompanhou, passo a passo, o desenvolvimento das
atividades do Colégio. A história do Caraça, não atingida pelo incêndio,
encerra informações sobre as atividades escolares, os ex-alunos, a escravatura
da época, além do relacionamento dos padres com a sociedade.
Igreja Matriz de Santo Antônio
Localizada em Santa Bárbara, construída em 1724 em estilo rococó e
cheia de ricos adornos, altares dourados, tetos pintados e pinturas originais. O
afresco no forro da nave principal, de Mestre Ataíde, enche os olhos.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Também em Santa Bárbara, edificada em 1771, com a pintura imitando a
escultura barroca, tem ao seu lado um belo casarão onde funciona o Centro
Cultural.
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Uma relíquia da cidade de Catas Altas, construída em 1738, possuindo lindas
torres mouriscas. O seu púlpito foi concebido por Aleijadinho e os painéis
foram pintados por Mestre Ataíde.
Manuel da Costa Ataíde
Mestre Ataíde, professor e pintor em Mariana entre o final do século XVIII e
início do XIX, deixou grandes contribuições no Caraça. Entre as obras mais
conhecidas, está "A Ceia de Ataíde", painel retratando a ceia de
Cristo. Além disso, fez ali dois altares barrocos, dois púlpitos e um retrato
de Irmão Lourenço.
As relíquias de santos
Vindas das catacumbas de Roma, algumas foram incrustadas nas mesas de pedra
dos altares; outras estão guardadas em relicários. A Relíquia Insigne, a mais
importante de todas, representa o corpo de um soldado romano martirizado, que
tem nome de São Pio Mártir.
Pedra Pintada
No município de Barão de Cocais, é um sítio de interessantes inscrições
rupestres.
Naturais:
Lobo-guará
Num ritual que se repete todas as noites, os lobo-guarás chegam ao pátio
da Igreja para comer nas mãos de um padre.
Gigante de Pedra
Formação rochosa lembrando um gigante deitado, deu origem ao nome Caraça. Dos
Pinheiros ou do Mirante pode-se conseguir a mais perfeita observação do perfil
do gigante de pedra.
Pico do Sol
Com 2.100 metros, é o ponto mais alto do Parque. Situa-se nos limites do
Caraça de onde se pode avistar parte da Serra do Espinhaço. A caminhada, a
partir da Cachoeirinha, deve começar bem cedo, pois demora mais de 6 horas,
passando por chapadões de pedra e por algumas trilhas íngremes e muito
bonitas.
Pico do Carapuça
A caminhada até o pico, de 1.955m, demora de uma a três horas, dependendo do fôlego
do caminhante. Para evitar as partes escorregadias é preferível escolher um
dia de sol.
Outros picos como Inficionado, com 2.070
metros, Conceição, com 1.800 metros, Canjerana, com 1.890
metros, Piçarrão, com 1.939 metros, Trindade, Verruga e muitos
outros, estão permanentemente a espera dos caminhantes.
Grutas do Padre Caio e de Lourdes
No caminho do pico da Carapuça. Sua maior atração é a areia finíssima
do chão.
Gruta do Centenário
Com seus 3.400m de galeria, uma das grutas mais visitadas, é considerada a
maior do mundo em formação de quartzito.
Além destas, há as grutas do Padre Trombert, do Inficionado,
da Bocaina, entre outras.
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