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O Guarani sempre teve um cântico. Geralmente um cântico que fala da
cultura, da religião, da travessia da Terra Sem Male. Também fala dos
pássaros. Esses cânticos representam para nós o cântico da paz. No
casamento, tinha esse cântico das crianças. E, quando as crianças
nascem, também tem o cântico.
Tudo tem significado para o Guarani. Por exemplo, o cântico da criança.
Amanhecendo o dia, todas as crianças cantavam estes cânticos
tradicionais que estão no CD. Os mais velhos ensinavam as crianças a
cantar e explicavam qual é a importância, qual o significado daquele
cântico.
Por exemplo, dos pássaros. Deus pôs cada um no seu lugar. Os pássaros
são aves, são seres animais. Os pássaros não falam, mas têm o mesmo
sentimento do ser humano. Eles têm chefe dos pássaros dentro da mata.
Eles são como nós. Nós temos o pajé que é chefe espiritual dentro da
nossa cultura. Os pássaros também têm.
Krenak
Os Borum, como se autodenominam os Krenak, vivem hoje em sua reserva,
próxima ao município de Resplendor, às margens do Rio Doce. Ficaram
conhecidos na história do Brasil como 'botocudos' ou Aimorés, desafiaram
todas as iniciativas de pacificação, levando D. João VI a decretar
contra eles, uma guerra de extermínio do sec. XIX. Mas a força e a
tradição desse povo venceu todas as tentativas de fazê-los desaparecer e
eles estão hoje cuidando de seu território, recuperando as matas e
córregos devastados, cantando e dançando para seus ancestrais.
Etenhiritipá - Cantos da tradição Xavante.
O povo Xavante, como ficou conhecido pelos brancos, ou Auwe, como se
autodenominam, vive há muito e muito tempo na região centro-oeste do
Brasil, nos vastos e abertos campos do Cerrado. São parte desse mundo,
desde o tempo da criação, aprendendo com seus ancestrais a arte de viver
nesse lugar.
Tudo o que precisam para a vida está ali: a caça abundante, variedades
de frutos e raízes, peixes, as folhas de palmeira para construir as
casas e cestos, as árvores que dão bons arcos, flechas e bordunas, as
plumas e cores das tintas naturais para a beleza do corpo e do espírito.
Todas as sementes
O provo Krahò habita no estado do Tocantins. Tem hoje uma população
aproximada de 2 mil pessoas, distribuídas em 16 aldeias. Preserva a
maior área contínua de "Cerrados" do Centro-Oeste brasileiro, medindo
320.000 hectares. O canto é a essência da cultura Krahò. Através dele, a
natureza é reverenciada, a história do povo é contada e os sentimentos
de alegria, melancolia e tristeza são externados. Canta-se só ou em
grupos, durante as festas e rituais, durante os trabalhos comunitários,
durante o dia, à noite e às madrugadas. O canto permeia a vida das
pessoas e o cotidiano das aldeias. São centenas, talvez milhares de
cantos.
Cantigas de Witi
Estas são as chamadas cantigas de Witi, que são entoadas nas casas de
Witi, enquanto os Krahò esperam um determinado momento ritual, quando se
enfeitam, quando se preparam para a corrida de toras, ou na preparação
da comida da festa. Elas alegram esses momentos de espera e preparações.
São músicas que geralmente contam feitos guerreiros do povo Krahò, a
história do grupo, além de falar sobre animais e sobre a natureza.
Homãpani Ashaninka
Nós, Ashaninka, vivemos na terra há milhares de anos, sempre aprendendo
com a natureza. É nela que estão nossos segredos; a floresta é nossa
escola, onde os jovens se preparam para a vida adulta. Somos
aproximadamente 60 mil na Amazônia peruana e mil na Amazônia brasileira.
Somos do tronco lingüístico ARAWAK. No Brasil, estamos divididos em três
terras: Rio Envira, Rio Breu e Rio Amônea, onde gravamos este CD e onde
temos uma população de 450 pessoas que vieram de duas grandes famílias:
Samuel Piyãco e Kamentsi, trazidos há um século pelos seus pais do Peru.
Chegando ao Brasil foram usados como mão-de-obra pelos patrões brancos.
Essa escravidão levou nosso povo a conhecer e praticar alguns costumes
de trabalho, afetando um pouco a nossa cultura. Mas, com a nossa
organização, conseguimos segurar a nossa cultura e nossos costumes até
hoje. |