|

A parte de cada um
Por: Luiz Cavalcanti
Certo dia fui convidado a participar de uma reunião que agregaria
grandes nomes da fotografia publicitária e do fotojornalismo
nacional. Por ser amante da fotografia, achei oportuno estar
presente. Um tema interessante, grandes nomes da fotografia e,
certamente, uma oportunidade para aprender um pouco mais sobre essa
minha paixão.
No início da reunião, um dos participantes discorreu sobre os
motivos daquele encontro. Um, em especial, chamou minha atenção:
além do tema principal, que acho oportuno não citar, declarou sua
preocupação sobre o pouco que os fotógrafos profissionais têm feito
para amenizar o “aquecimento global” e a preservação do meio
ambiente.
Aquele tema veio como uma “cutucada” dura no meu cérebro e me levou
a fazer uma rápida reflexão. Como Meteorologista com formação
superior, tomei a palavra e os acalmei no que se refere à sua
suposta responsabilidade pelo aquecimento da temperatura da terra.
Esse tema, além de polêmico, é questionável. O contributo
antropogênico para o aquecimento global costuma ser divulgada com
afirmações precipitadas, às vezes exageradas, portanto, passiveis
de questionamentos e de um aprofundamento maior.
Quanto ao tema da preservação do meio ambiente, vejo um aspecto em
que os fotógrafos poderiam contribuir para amenizar a degradação do
meio em que vivemos: o destino não adequado das películas dos
filmes; das pilhas ou baterias usadas nos flashes e demais
equipamentos; e de algumas substâncias químicas usadas nas
revelações de laboratórios. Enfatizo bem, o destino “não adequado”,
o que imagino, não seja a ação ou comportamento de qualquer dos
presentes na reunião.
Como sabemos, nas películas dos filmes está presente o Nitrato de
Prata; em algumas pilhas e baterias encontram-se o zinco e o sulfato
de cobre, bem como o chumbo no revestimento, substâncias nocivas aos
seres vivos e que precisam ter um destino adequado para não poluir o
meio ambiente.
Algumas campanhas e os compromissos assumidos pelos fabricantes e
revendedores desses produtos colocam sistemas de coletas adequados
nas lojas e cinefotos, o que nos permitem dar um destino adequado,
sem problemas.
Recordo-me de que relutei muito para mudar de equipamento
fotográfico, do tipo analógico para o digital, o que deve ter sido o
dilema de todos que lidam com a fotografia. Mas, o fato de usarmos
tecnologia digital, já elimina dois dos três fatores citados, o que
permite aos fotógrafos “não” contribuírem com a degradação do meio
ambiente, dando um destino correto às pilhas e baterias.
Ainda devemos ressaltar que os fotógrafos, hoje em dia, usam pilhas
e baterias recarregáveis que utilizam níquel-cádmio, com grande
durabilidade e que já estão migrando para as de níquel-metal.hidreto,
que não sofrem o efeito de memória (memory effect) e também as de
Lithium Íon, muito mais duráveis do que as primeiras, portanto
reduzindo o efeito “poluição”.
-Isso é pouco?
Talvez, mas me recordo de uma fábula que li na minha infância que
descrevia um incêndio numa floresta. As chamas consumiam a vegetação
e uma pequena andorinha mergulhava num lago próximo, sobrevoava a
floresta, sacudindo-se para que as gotas apagassem o incêndio,
repetindo o gesto inúmeras vezes.
Num determinado momento um outro animal perguntou para a pequena
ave: - Você acha que vai apagar o fogo com essas minúsculas gotas de
água que lança sobre as chamas?
A andorinha respondeu: -Eu sei que não vou apagar o fogo sozinha,
mas estou fazendo a minha parte, e Vocês?
Observando o outro lado, vejo a enorme contribuição desse
profissional para a preservação do meio ambiente. Se ele retrata e
divulga pelo mundo a devastação das florestas, os rios poluídos, a
degradação dos solos, a exploração desordenada de áreas
preserváveis, o crescimento irresponsável das cidades está, sem
palavras, mas com o uso de imagens, que falam por si, denunciando o
que se faz de errado com a natureza, de forma nua e crua!
Se o fotógrafo capturar imagens das belezas que a natureza lhes
apresenta, estará, da mesma forma, contribuindo para a sua
preservação. Quem não gosta de cultivar, admirar e preservar o belo?
O agradável? O que nos faz sentir bem?
Devo lembrar que imagens são, em si, silenciosas, no entanto
provocam e conduzem a uma infinidade de pensamentos e reflexões em
torno delas. Fotografar é uma necessidade de registrar um ato, uma
ação, um contexto, com o desejo de que aquilo sirva para um estudo,
uma análise, uma admiração.
Diante do que expus, acho oportuno que os fotógrafos profissionais
se preocupem com “aquele outro tema” que fiz questão de não citar e
que foi discutido na reunião.
Luiz Cavalcanti
Meteorologista e fotógrafo por paixão
Brasília, 29 de junho de 2009.
Abreolhos
encontro de fotógrafos Olhos D'Água - GO
de uma sugestão de minha companheira dinda e debatida a algum tempo
atrás na cidade de goiás entre o fotógrafo goianiense Antônio Pugás,
eu e alguns amigos, posteriormente enriquecida por contribuições e
idéias dos fotógrafos Maylena Gonçalves, Ademir Silva e Kim-ir-sem,
surgiram as bases de um encontro de fotógrafos em olhos D'Água - go,
com o propósito de promover debates sobre os novos rumos da
fotografia e suas relações com a vida, diante de uma transição
traumática e, para alguns, ainda tão confusa. encontro que aconteceu
no último dia 07/06/09, na pousada “passando bem”, com o apoio do
professor Armando e da Jamile, proprietários do local.
Veja mais! |