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Fumar mais de dois maços por dia aumenta em 157% o risco de desenvolvimento de Alzheimer, indica estudo (foto: Wikimedia)

Fumo é associado com aumento no risco de Alzheimer

 Fumar pesadamente na meia-idade pode aumentar grandemente o risco de desenvolver a doença de Alzheimer e outras formas de demência. Segundo uma nova pesquisa, o risco é mais do que duas vezes maior.

O estudo foi publicado nesta segunda-feira (25/10) nos Archives of Internal Medicine e sairá em 28 de fevereiro na edição impressa da revista.

O finlandês Minna Rusanen, do Hospital Universitário Kuopio, e colegas nos Estados Unidos e Europa analisaram dados de 21.123 integrantes de um sistema de saúde na Finlândia que participaram de um levantamento entre 1978 e 1985, quando tinham entre 50 e 60 anos.

Diagnóstios de demência, incluindo Alzheimer (o tipo mais comum de demência) e demência vascular (a segunda forma mais comum), foram registrados de 1º de janeiro de 1994, quando a idade média dos participantes do estudo era de 71,6 anos, até 31 de julho de 2008.

Um total de 5.367 participantes (25,4%) foi diagnosticado com demência, com 1.136 deles com Alzheimer e 416 com demência vascular.

Os pesquisadores observaram que, em comparação com os não fumantes, aqueles que fumaram mais de dois maços de cigarro por dia durante o período analisado tiveram um aumento de 157% no risco de desenvolvimento de Alzheimer e de 172% no de demência vascular.

Ex-fumantes e pessoas que fumaram menos de meio maço por dia não apresentaram aumento significativo no risco de desenvolvimento das doenças.

A associação entre fumo e demência não variou de acordo com a raça ou o sexo dos participantes. Segundo os autores do estudo, sabe-se que o fumo é um fator de risco para acidente vascular cerebral e o hábito pode contribuir para o risco de demência por meio de mecanismos semelhantes.

Fumar também contribui com o estresse oxidativo e com inflamações, que se estima serem importantes para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. “É possível que fumar afete o desenvolvimento de demência por meio de caminhos vasculares e neurodegenerativos”, sugeriram os autores.

O artigo (doi:10.1001/archinternmed.2010.393) de Minna Rusanen e outros pode ser lido por assinantes dos Archives of Internal Medicine em http://archinte.ama-assn.org.
Fonte: Agência FAPESP

 

Por que as pessoas fumam?

Vários são os fatores que levam as pessoas a experimentar o cigarro ou outros derivados do tabaco. A maioria delas é influenciada principalmente pela publicidade maciça do cigarro nos meios de comunicação de massa que, apesar da lei de restrição à propaganda de produtos derivados do tabaco sancionada em dezembro de 2000, ainda tem forte influência no comportamento tanto dos jovens como dos adultos. Além disso, pais, professores, ídolos e amigos também exercem uma grande influência.

Pesquisas entre adolescentes no Brasil mostram que os principais fatores que favorecem o tabagismo entre os jovens são a curiosidade pelo produto, a imitação do comportamento do adulto, a necessidade de auto-afirmação e o encorajamento proporcionado pela propaganda. Noventa por cento dos fumantes iniciaram seu consumo antes dos 19 anos de idade, faixa em que o indivíduo ainda se encontra na fase de construção de sua personalidade.

  Clique Aqui

Foto de uma ponta de cigarro queimadaAbandono do tabagismo

No Brasil, cerca de 30% da população adulta é fumante. Embora haja predomínio do sexo masculino, as mulheres nas últimas décadas estão se aproximando dos homens nesta prática. Estima-se que nos países desenvolvidos o tabaco cause aproximadamente 30% de todas as mortes entre 35 e 69 anos, sendo a maior causa de morte prematura no primeiro mundo.
No Brasil, estima-se que ocorram 125.000 mortes a cada ano por doenças associadas ao fumo. Portanto, a cada 5 minutos morre um brasileiro como conseqüência do tabagismo! Em todo o mundo, a cada 8 segundos, morre um ser humano devido ao fumo!
Há várias décadas sabe-se que o tabagismo é a causa mais importante de muitas doenças pulmonares, como a bronquite crônica, o enfisema pulmonar e o câncer de pulmão, estando ainda associado a doenças cardiovasculares e tumores de vários locais.
Também se sabe que os fumantes têm uma perda da função pulmonar superior a dos não fumantes. Atualmente, ninguém mais duvida de que fumar seja prejudicial à saúde. Desde médicos até leigos dos mais variados níveis culturais, todos recebem informações sobre os males do tabagismo. Os próprios fabricantes reconhecem ou são obrigados a reconhecer o problema e a acatar as normas governamentais que obrigam a inscrever nas embalagens dos produtos mensagens sobre riscos potenciais de seu uso. As restrições à prática do tabagismo em ambientes coletivos visam a proteger os não fumantes do “tabagismo passivo”, que comprovadamente também é danoso à saúde. Os médicos, em geral, cansam de tanto aconselhar seus pacientes a não fumar.
No entanto, apesar das informações recebidas e de todos esforços desenvolvidos pelos profissionais da saúde, a maioria dos fumantes não abandona o vício e muitos jovens ainda estão se iniciando nesta nefasta prática.

A Saúde Pública terá enormes benefícios com a erradicação do tabagismo. Por isso, governo, pesquisadores e alguns setores da comunidade leiga estão se envolvendo significativamente neste sentido.

Métodos disponíveis para o abandono do tabagismo
Orientação realizada pelo médico:
os profissionais da saúde orientam seus pacientes para que deixem de fumar, o que pode ser feito de uma forma breve ou de uma forma mais intensiva.

As formas mais intensivas apresentam melhores resultados. Se o fumante já apresentar sintomas de anormalidades nas provas de função pulmonar, este poderá ser um forte argumento para convencê-lo da necessidade de abandonar o tabagismo, mas é preciso deixar bem claro que o fumante é quem deve decidir parar de fumar e o modo a ser utilizado para isso embora, como regra, é preferível aconselhar que a parada seja abrupta, ou tudo ou nada, devendo ser marcado o dia “D” desta parada. É importante avaliar o suporte familiar – se o cônjuge ou outro co-habitante é tabagista, deve ser incentivado a entrar no programa também, ou pelo menos não fumar na presença de quem está parando de fumar.
Aconselhamento comportamental individual e em grupo:
ajuda os fumantes a deixar o cigarro, não havendo diferenças entre o aconselhamento individual e em grupo.
Material de auto ajuda:
muitos fumantes deixam de fumar sozinhos, sendo que material com instruções e informações sobre os efeitos do fumo, e de como deixar de fumar são importantes, mas não apresentam melhor resultado do que a intervenção de um profissional da saúde.
Reposição de nicotina:
o objetivo das terapias de reposição é repor a nicotina do cigarro, o que reduz os sintomas de abstinência associados a cessação do fumo. Todas as formas disponíveis no mercado (adesivos, goma de mascar, e em alguns países, os inaladores de nicotina, spray nasal e tabletes sublinguais de nicotina) são efetivas como parte de uma estratégia para cessação do fumo. A reposição de nicotina aumenta em 2 vezes a probabilidade de abandono do fumo. Exceto por motivos de ordem médica, todos os fumantes podem usar a reposição de nicotina. A gravidez e a doença cardiovascular são contra indicações para o seu uso, e o seu emprego nestas situações deve ser avaliado pelo médico.
Ansiolíticos e anti-depressores:
o hábito de fumar parece em parte se dever a um déficit de dopamina, serotonina e norepinefrina, e que são aumentadas com o uso de ansiolíticos e anti-depressores. Ansiedade e depressão são sintomas de abstinência a nicotina, e algumas vezes, parar de fumar pode desencadear um quadro depressivo. Há pouco na literatura sobre o emprego dos ansiolíticos. Os anti-depressores, bupropiona e nortriptilina podem ajudar a cessar o fumo. Há evidencias promissoras de que a bupropiona seja mais eficaz do que a reposição simples da nicotina.


IMPORTANTE
Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As
informações disponíveis em Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.



Fonte:
- Associação Médica do Rio Grande do Sul
- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
- Hospital do Câncer A.C. Camargo

Sugira um tema: grupofocal@saude.gov.br
Créditos: Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde