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Corantes Naturais

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Corantes Naturais

Urucum é usado em tecido natural Empresária e consultora de moda Costanza Pascolato investe pela primeira vez em malha de bambu com lycra tingida

A técnica criada pela Universidade de Brasília (UnB) que resultou no látex natural produzido por seringueiros, apresentada nas roupas de grife Osklen, não foi a única matéria-prima de impacto socioambiental a fazer parte dos desfiles do São Paulo Fashion Week. A malha de bambu com lycra tingida de urucum foi a menina dos olhos de uma das consultoras de moda mais conceituada do país, Costanza Pascolato. Também pudera. Sua empresa têxtil, Santa Constância, fornecedora de tecidos para os grandes estilistas, descobriu a peça tingida.

Ela conta que a empresa dinamarquesa Christian Hansen, especializada em desenvolver ingredientes para as indústrias alimentícia e farmacêutica, ensina indígenas do Xingu e do Pará a colherem urucum em quantidade suficiente para uso produtivo. Além disso, a empresa montou creches, casas e escolas para os índios, sem descuidar de proteger a cultura nativa. "A extração de urucum dá sustento às famílias. Essa novidade foi levada pelo governo brasileiro ao Fórum Econômico Mundial, em Davos", revela em primeira mão.

Textos: UnB Agência. Fotos: Fábio Marim/UnB Agência.

A arte têxtil e o tingimento com plantas são expressões artísticas complementares, possuem elementos cuja beleza única não pode ser comparada aos produtos químicos e industriais. Infelizmente, a descoberta dos corantes químicos e seu indiscriminado contribuiu para acentuar a substituição dos corantes naturais e desta forma provocar o esquecimento deste saber sobre a origem das cores.

Os corantes químicos e sintéticos, por sua origem e propriedades, são substancias densas e tóxicas, obtidas a partir de derivados de petróleo e do carvão mineral por um processo altamente poluente, estes corantes foram criados na Alemanha, durante a Revolução Industrial, sendo sintetizados a partir das mesmas matérias-primas usadas para a produção de explosivos como, por exemplo, compostos orgânicos ricos em nitrogênio como a nitroglicerina ou TNT (trinitrotolueno).

Já a origem solar dos corantes vegetais dá às suas cores uma relação direta com a luz. Podemos chamá-las de Cores da Luz, em oposição aos corantes químicos. O uso de corantes vegetais na produção de produtos artesanais com certeza requer um processo mais elaborado do que simplesmente comprar um tubo de anilina química na venda mais próxima. Este uso puramente comercial dos corantes químicos anula a autenticidade de um oficio capaz de integrar o homem à natureza.

Tingir com corantes vegetais é relativamente simples, mas as cores exige um profundo domínio de alguns princípios químicos, físicos, matemáticos e botânicos. Procurar e coletar ervas, retirar líquens de rochas, cercas e árvores, reciclar resíduos do beneficiamento de madeiras e outros produtos.

FONTES PRINCIPAIS PARA A EXTRAÇÃO DE CORANTES NATURAIS, PODEMOS DESTACAR:

  • Reflorestamentos de eucaliptos, pinus e outros;

  • Serrarias, marcenarias e depósitos de madeiras;

  • Mercados e feira livre;

  • Sítios, chácaras, parques e beiras de estradas;

  • Pomares, plantações e hortas;

  • Lugares onde se vendem ervas e plantas medicinais;

  • Hortos florestais e jardins botânicos;

DESTAS FONTES, O QUE UTILIZAMOS PARA TINGIR SÃO:

  • Toda arvore de eucalipto (folhas, cascas e serragem), o fruto e a casca do pinus, cascas de muitas leguminosas como o angico e a bracatinga, serragens de todas as madeiras utilizadas para moveis, assoalhos, forros e carpintaria;

  • Folhas, talos e cascas de muitas verduras, raízes e leguminosas; temperos como urucum, cúrcuma e açafrão; folhas e cascas de galhos podados de arvores frutíferas;

  • Flores, raízes e ervas daninhas como erva-de-passarinho, picão e outras;

  • Líquens que crescem em cercas velhas, troncos de arvores mortas e rochas;

  • Muitas plantas arbustivas que encontramos na beira das estradas, como o anil (índigo) e a quaresminha;

  • Galhos e folhas cortadas das arvores utilizadas na arborização das cidades, como amoreiras, pau-campeche, acer, cedros, entre outras.

SOBRE AS CORES

Na busca para reproduzir as cores presentes no mundo, o homem encontrou na natureza, entre os minerais, a flora e a fauna, a percepção dos matrizes encontrados na natureza despertou nos filósofos e pesquisadores, em diferentes épocas da historia, o interesse pela origem e o significado das cores.

Na Grécia antiga, Aristóteles (filosofo grego) afirmava que as cores são sete, entre elas o preto e o branco. Foi definido no século XV que as cores primarias, chamas de cores simples, não podiam ser feitas pela mescla de outras cores. Na sua classificação, figuram tanto as três cores físicas (vermelho, amarelo e azul), produzidas a partir da luz, como as três cores químicas (vermelho, amarelo, azul), substancias materiais que possuem na sua constituição o corante.

A luz incolor não pode ser composta nem por cores aparentes, nem por pigmentos.  As cores são estimuladas junto à luz, não sendo derivadas dela. Se as condições cessam, a luz torna-se incolor como antes. Segundo estes critérios, propõe-se uma interpretação das cores a partir do órgão da visão, que não pode ser identificado com um com um conjunto de prismas e lentes, pois o olho é um órgão vivo.

Classificamos assim as cores segundo três padrões básicos:  

  • Cores fisiológicas: criadas pelos olhos, como um efeito ótico;

  • Cores físicas: percebidas através dos efeitos da luz nos meios incolores  (vidro, água, e ar);

  • Cores de natureza química: possuem longa duração e são percebidas pelos olhos como parte dos corpos e objetos, onde podemos incluir os corantes do reino mineral, vegetal e animal.

A primeira cor de origem vegetal estavam nas algas marinhas unicelulares , que flutuam na superfície do mar. Com o surgimento das plantas na superfície da terra, os metais existentes no solo (cobre, alumínio, ferro, entre outros), foram absorvidos pelas raízes, possibilitando a formação das cores das diferentes partes do corpo da planta (flores, folhas, raízes, cascas, caules). Este processo de fixação das cores no corpo das plantas é conhecido por metalização (maturação). A estabilidade dessas cores permanece enquanto a planta estiver viva.

No tingimento vegetal, aplicamos assim este conhecimento que adquirimos ao observarmos a natureza:

  • Trituramos a planta;

  • Fervemos em água, tornando o corante, antes fixado, novamente solúvel ou flutuante;

  • Damos assim um novo corpo à cor em fibras, fios e tecidos.

Para que este processo aconteça com solidez, usamos sais orgânicos de marais como acetato de ferro, acetato de cobre e o alúmen de potássio (pedra úmen), metalizado, desta forma, a cor. Estes metais usados no tingimento são conhecidos como mordentes e tornam assim as cores dos corantes vegetais permanentes.

Os corantes naturais se encontram principalmente nos vegetais (plantas, árvores, líquens), mas também podem ser encontrados entre alguns animais (insetos e moluscos). Existem insetos, entre os quais as cochonilhas, que possuem matéria cromática inteiramente concentrada.