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Braille |
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Patrícia
Silva de Jesus
Professora
Especialista em Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva com
ênfase em educação de cegos pela Universidade do Estado da Bahia.
Mãos e olhos
Dia desses eu vi uma comunidade no Orkut para pessoas que possuem a
habilidade de escrever com as duas mãos, os chamados ambidestros. Eles se
vangloriavam de tal proeza.
Quando aprendi Braille, me desafiei a ler com o tato, embora enxergasse.
Sempre disse a meus alunos cegos que ler Braille com as mãos não era um
"bicho de sete cabeças", mas eu mesma não sabia fazê-lo. Então, um dia
fechei meus olhos e fui explorando um lado meu por mim desconhecido: eu
também tenho sensibilidade nestes dedinhos até então "cegos" pela falta de
atenção, fruto de um mundo cujo apelo visual é tão intenso que chega a
diminuir e até mesmo castrar os outros sentidos.
Foi uma experiência engenhosa, difícil, mas deliciosamente prazerosa.
Posso não ser ambidestra, mas sou multisensitiva e, mais importante que
isso, quero ser sensível às necessidades dos meus alunos, sugerindo e
descobrindo junto a eles caminhos por mim experimentados e outros ainda
maiores.
Patrícia Silva de Jesus
28 de abril de 2007
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Headmouse: tecnologia que permite
pessoas com tetraplegia acessarem o computador
A imagem ao lado diz respeito ao software
Headmouse , desenvolvido para possibilitar que pessoas com tetraplegia
possam acessar o computador, e descobri ao visitar o blog Sobre
Educação, da coleg'amiga Elisângela Zampieri, professora da educação
especial, da cidade de Curitibanos - SC - Brasil. Abaixo, a íntegra da
postagem de Elis no Sobre Educação:
"Uma tecnologia inovadora desenvolvida pela Universidade de Lleida, na
Espanha, permite que pessoas tetraplégicas possam acessar o computador
somente com movimentos faciais: olhos, cabeça, lábios...
Isso é possível graças à um sistema de captura de imagem através de uma
câmera (webcam) sendo que qualquer modelo pode ser utilizado. A câmera
faz o reconhecimento da imagem através de um sistema de calibração. Para
que a imagem seja reconhecida, basta que o usuário faça alguns
movimentos com a cabeça, olhos e sobrancelhas...Uma imagem que mostra o
ritmo certo do piscar dos olhos ajuda na calibração.
Capturada a imagem, esta aparece no canto inferior direito da tela,
limitada por um quadrado que centraliza o rosto da pessoa com um sinal
em forma de cruz. A cor verde significa que já é possível navegar,
através de movimentos leves da cabeça e dos olhos que direcionam o
mouse.
A opção do clique pode ser feita através das configurações (clicando
sobre a imagem do usuário) onde podem ser selecionadas as opções de
piscar os olhos ou pelo movimento de abrir e fechar dos lábios. É
possível definir ainda, a velocidade com que o mouse irá se mover,
escolher uma opção para os cliques e arrastar os conteúdos selecionados
pelo mouse.
Para que o reconhecimento da imagem seja facilitado é importante que a
câmera esteja devidamente centralizada e que, ao fundo haja uma imagem
estática (uma parede, por exemplo).
A digitação de textos também é possível de ser realizada, bastando que
para isso o usuário localize nas opções de acessibilidade do seu sistema
operacional o teclado virtual que, aparecendo na tela do computador,
procede-se clicando sobre as letras normalmente.
Com um pouco de treino e controle motor, em pouco tempo o usuário estará
interagindo com a máquina de forma autônoma e habilitado a efetuar
comandos como executar programas, digitar e navegar pelas páginas.
O download do programa pode ser feito
aqui.
Fonte da postagem:
http://sobreeducacao.blogspot.com/2009/11/headmouse-tecnologia-permite-pessoas.html |
Dia
Internacional do Cão-Guia
ONG
IRIS promove ação de conscientização no Dia Internacional do
Cão-Guia
A ação, coordenada pela ONG Instituto de
Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS), tem a missão de chamar
atenção para uma triste estatística: o Brasil possui 1,1 milhão de
deficientes visuais e apenas 60 cães-guia. O Brasil tem demanda
potencial de usuários para mais de 10 mil, sendo que dois mil estão
na fila de espera do IRIS.
Veja
mais!...
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Sobre
celulares em Braille e outros modismos
Desde que Inclusão virou moda,
encontro diariamente pessoas [físicas e jurídicas] com
vestimenta comportamental nem um pouco “fashion”. Vi na internet
uma notícia sobre um novo investimento “inclusivo/informacional”
que seria o Google Para Cegos. Convivendo com pessoas
visualmente limitadas desde 1997, vendo a desenvoltura com que
utilizam o computador [com o auxílio de softwares ledores de
tela] e envolvida na luta em prol de sites e outras mídias
acessíveis a todos [eu disse a TODOS], achei no mínimo um
disparate a construção de um buscador para uso exclusivo de
cegos.
A interface do site se assemelha à
do Google nosso de cada dia, mas a opção de busca de imagem foi
suprimida, para desespero de minha amiga Silvania Macedo,
professora de História que ficou cega aos vinte e poucos anos,
sempre usou imagens nas aulas que ministra para alunos videntes
e usuária assídua da opção de busca de imagens do Google,
necessitando apenas de um profissional para fazer a
audiodescrição dessas figuras. Outra que pode se sentir bem
desamparada pelo Google Para Cegos é Iracema Vilaronga. Ela tem
baixa visão, é mestranda em Educação e consultora de
audiodescrição da Universidade Federal da Bahia, sem falar na
indignação dos outros cegos que são conscientes de que o
universo das imagens pertence a todos.
Ainda não tinha me recuperado do
choque provocado pelo Google e comecei a ser bombardeada com a
mais recente e nada fashion obra da passarela da inclusão: o
celular para cegos. Desisti de encontrar a utilidade desse
aparelho. Trabalho com cegos há muito tempo, a maioria deles
usam celulares convencionais, inclusive enviam SMS com
autonomia, sem a necessidade de inscrições em Braille nas
teclas. Quando penso na quantidade de projetos realmente
importantes que não recebem apoio para serem levados adiante e
vejo uma invenção completamente inútil ser aclamada como veículo
de inclusão social e até ser laureada com um dos prêmios mais
importantes do mundo, fico a me perguntar onde anda o esquecido,
mas indispensável, “Bom Senso”. |
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O Processo de
Romantização das Deficiências
Entrevista dada a
Revista Diversidade [Faculdade Cidade do Salvador] pela
Professora Patrícia Silva de Jesus
Ping-pong – perguntas e
respostas
1 – Na sua opinião,
porque existe uma romantização das deficiências?
R – A falta de informação e o distanciamento das pessoas
sem deficiência das que possuem alguma limitação sensorial,
mental ou física, é um terreno fértil para conclusões
precipitadas acerca de como vivem essas pessoas. Quando acontece
o contato dessas duas classes de pessoas, sentimentos afloram
revelando questões muito íntimas relativas a como os sem
deficiência encaram os que possuem deficiência. Além disso, o
sentimento de piedade e a própria reflexão acerca da situação de
fragilidade que a deficiência impõe, leva as pessoas a criar
eufemismos e frases de consolo do tipo “é melhor não enxergar
para não ver as coisas feias do mundo” ou “ele é especial por
enxergar com os olhos do coração”, como forma de acalmar a
profusão de “porquês” que os acometem internamente.
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O
LIVRO FALADO E A PRESERVAÇÃO DA SUBJETIVIDADE
Convencionou-se chamar Livro Falado o livro em áudio utilizado para
fins de Educação de pessoas com deficiência visual. Ele se apresenta
em suportes informacionais diversificados, podendo ser encontrado em
K-7 e CD , além de outros formatos mais modernos como o MP3, que
pode ser transportado em pendrives e ipods, e até mesmo ser baixado
pela internet e transportado virtualmente por e-mail.
Confundido muitas vezes com o Audiobook ou Audiolivro [versão de
livro em áudio impregnado de efeitos sonoros, como fundo musical e
vozes dramatizadas] o Livro Falado não é interpretado, não traduz
sentimentos e não pode, em hipótese alguma, ter efeitos sonoros,
pois ele tenta ser uma versão aproximada do livro em tinta. Além
disso, a interferência da sonoplastia artística induz o ouvinte a um
significado que provavelmente ele não teria se o áudio fosse gravado
com a chamada "leitura branca” que, mesmo desprovida de recursos
artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de
voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de
construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor.
Fragmento do artigo retirado da fonte:
JESUS, Patrícia Silva de. O Livro Falado e a preservação da
subjetividade. Salvador: [s.n], 2008. |
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INCLUSÃO PARA TODOS
A Inclusão é uma proposta de acolhimento social participado, onde
pessoas com deficiência e sociedade como um todo buscam a eliminação
das barreiras da exclusão que mantinham indivíduos que possuem algum
comprometimento sensorial ou motor separados dos que se enquadravam
no modelo utópico de perfeição. O ato de incluir requer uma postura
revolucionária de uma sociedade que se identifica pela marca da
heterogeneidade e se permite enriquecer com a diversidade.
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REFLETINDO SOBRE O USO DA PARÁBOLA DOS
CEGOS E O ELEFANTE
Por: Patrícia Silva de Jesus
Comunicar uma idéia, partilhar
pensamentos, sentimentos, vivências, fazer-se compreendido por seus
pares é uma necessidade humana e, na tentativa de saciar esse
desejo, o homem busca aprimorar seus canais de informação. Como
recurso facilitador da explicação de determinado assunto usa-se
freqüentemente o que os gregos chamaram de Parábola, uma ilustração
literária que estabelece um laço de verossimilhança entre a narração
de uma história fictícia e a realidade a qual ela se relaciona.
Assim, é bastante comum a diversas culturas o homem usar histórias
análogas, parábolas, alegorias, ditados populares, fábulas no
transcorrer de sua retórica.
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Inclusão Ponto a Ponto: A inclusão
Social da Pessoa com Deficiência Visual Através da Produção Escrita*
Não há dúvidas de que a leitura/escrita é um dos maiores legados da
humanidade. O homem, na tentativa de comunicar-se mais e melhor com
seus pares, criou estratégias gráficas que possibilitavam a troca de
informações, a princípio pinturas rupestres com figuras bastante
rudimentares, chegando à contemporaneidade com os modernos emoticons
da era digital.
(...)
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O Braille e eu: pontos de amor
Por: Patrícia Silva de Jesus*
Movida pelo desejo pueril de modificar o
mundo através do meu compromisso com a Educação, aprendi Braille
sozinha aos 16 anos, quando fazia o ensino médio em uma tradicional
escola de Magistério de Salvador. Nos corredores da escola, nos
intervalos entre uma aula e outra, eu conheci aquela turma de
colegas, pessoas com deficiência visual, que transitavam com
autonomia, utilizando suas bengalas ou acompanhados de outros
colegas “videntes”. Era tudo tão normal!
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