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Extrato da semente do Cupuaçu tem potencial para inibir ou diminuir a cárie
Após passar seis meses no Departamento de Odontologia Restauradora na Universidade de Illinois, em Chicago (USA), conduzindo pesquisa relacionada à avaliação do potencial do extrato da semente do cupuaçu na remineralização da dentina induzida à cárie artificial, a professora do curso de Odontologia da UEA, Mirela Sanae Shinohara, constatou que o extrato da semente do cupuaçu apresenta componentes antioxidantes, podendo inibir ou diminuir a progressão da cárie. A pesquisa faz parte dos estudos de pós-doutorado da pesquisadora.

Otimista, a pesquisadora acredita que a pesquisa aplicada poderá evitar ou impedir a progressão da cárie. “E isso, com certeza, irá reduzir o índice de prevalência da doença, e indiretamente, o número de pacientes com este problema”, destaca.

Mirela conta que foram seis meses de pesquisas também com outras plantas e frutas que apresentam um efeito benéfico sobre a matriz de colágeno presente na dentina. “O dente apresenta esmalte e dentina. O esmalte, estrutura mais mineralizada, cobre a coroa do dente e a dentina fica na parte interna e é menos mineralizada, é uma estrutura que apresenta os túbulos dentinários e o material orgânico (fibrilas colágenas)”, disse, acrescentando que a cárie é justamente uma das alterações nessa estrutura dental.

De acordo com a pesquisadora, a cárie envolve vários fatores relacionados ao processo de perda de mineral da estrutura dental, até ao ponto de formar a “cavidade”. “Se a doença estiver no início da progressão, ou seja, ainda sem formar cavidade, pode-se intervir para que haja uma remineralização dessa área e é justamente aí que pode entrar o extrato da semente do cupuaçu. Quando há a desmineralização, ocorre a exposição da matriz do dente, que fica suscetível à degradação, comprometendo a longevidade da estrutura dentária”, explicou.

A pesquisadora revela que, nesta mesma linha, outros estudos vêm sendo desenvolvidos com outras plantas e frutas que apresentam um efeito benéfico sobre a matriz de colágeno presente na dentina. Uma fruta em destaque é a uva com resultados comprovados em estudos conduzidos por outros pesquisadores. “Como a Ana Karina Bedran-Russo, do departamento de odontologia restauradora da Universidade de Illinois, que está empenhada em estudos do extrato da semente de uvas”.

O extrato da semente da uva, explica Mirela, apresenta componentes antioxidantes, chamados polifenóis, possuem efeitos benéficos sobre a matriz de colágeno da dentina, podendo inibir ou diminuir a progressão da cárie. “Dessa forma, alguns trabalhos mostram que o extrato da semente do cupuaçu também apresenta esses componentes”, compara.

Mirela afirma que pretende continuar os estudos no Brasil, em parceria com outros centros e mesmo com as universidades americanas. “Provavelmente poderemos desenvolver estudos não só com o cupuaçu, mas com outras plantas e frutas amazônicas que são ricas fontes em nutrientes e suplementos para a saúde em geral e a UEA é uma universidade em desenvolvimento e com alto potencial para o desenvolvimento dessas pesquisas”, finaliza.

Fonte: UEA - Universidade do Estado do Amazonas

Cupuaçu

Cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) fruta nativa da região amazônica. Geralmente é procurado pelo sabor típico de seus frutos, o aproveitamento da polpa e das sementes pelas indústrias alimentícias e de cosméticos, em virtude de suas propriedades sensoriais e químicas. O seu fruto mede de 12 a 15 cm de comprimento e tem de 10 a 12 cm de diâmetro, apresentando em média peso de 1 kg, sendo 30% de polpa e 35 sementes.

Por ser uma espécie de boa adaptação à sombra, o cupuaçu propicia a formação de consórcios com outras plantas de porte florestal, permitindo bons resultados econômicos e ecológicos. É uma fruta tropical com grande potencialidade econômica.

 

Receita de Pavê Cupuaçu

Ingredientes:
2 1/2 lata(s) de leite condensado
2 lata(s) de creme de leite
1 pacote(s) de biscoito champagne
2 copo(s) de cupuaçu
200 ml de leite
400 gr de doce de leite

Preparação:
Coloque no liquidificador a polpa de cupuaçu, o leite condensado e uma lata de creme de leite. Bata por 5 minutos. Numa tigela coloque o doce de leite e uma lata de creme de leite e reserve. Umedeça as bolachas uma a uma no leite. Coloque numa fôrma uma camada de creme de cupuaçu, uma camada das bolachas já umedecidas, depois uma camada do creme de doce de leite, repetindo até terminar o creme do cupuaçu. 

Rendimento: 6 porções

Inédito, produto foi concebido para ser consumido
por pessoas que tenham restrições ao uso de açúcar

Pesquisadora da FEA desenvolve suco de cupuaçu com baixo valor calórico

RAQUEL DO CARMO SANTOS

A engenheira de alimentos Vilene Braga Martins: faltavam informações sobre o perfil sensorial do suco (Foto: Antoninho Perri)Um suco de cupuaçu com baixo valor calórico foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Trata-se de opção inédita para uma das frutas mais populares da Amazônia. Encontrado com freqüência nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o cupuaçu é da mesma família do cacau, e suas propriedades nutricionais e funcionais são investigadas à exaustão por pesquisadores brasileiros e internacionais. Não existiam, porém, informações em literatura científica sobre o perfil sensorial do suco.

Testes de aceitação foram
feitos com 123 consumidores

O cupuaçu, explica a engenheira de alimentos Vilene Braga Martins, tem um longo período de entressafra, além de ser extremamente perecível. O custo de transporte da fruta, explica, tornaria inviável a sua comercialização in natura em outras regiões do país. Por isso, a idéia de buscar técnicas de conservação do produto, como é o caso do suco dietético.

“Meu interesse foi, justamente, desenvolver um suco de fruta tropical que pudesse ser consumido sobretudo por pessoas que têm restrições ao açúcar, como no caso dos diabéticos. Por isso, a opção por edulcorantes na formulação. Como a sua adição em alimentos pode influenciar no sabor do produto final, é necessário fazer avaliações sensoriais adequadas para a escolha da substância ideal”, argumenta a autora do estudo.

Na pesquisa, desenvolvida na FEA e orientada pela professora Helena Maria André Bolini, a engenheira não só traçou o perfil sensorial do suco de cupuaçu adoçado com diferentes edulcorantes, como também fez uma extensa análise sensorial para identificar a possível aceitação do novo produto no mercado. Ela afirma, inclusive, que para ser viabilizado para a indústria, a pesquisa precisaria, apenas, de um estudo sobre a estabilidade dos edulcorantes na bebida.

Adoçantes – Vilene fez o suco a partir de polpas comerciais e adicionou três diferentes edulcorantes para comparações com a bebida contendo sacarose. Trata-se de substâncias químicas aliadas para quem tem diabetes ou precisa reduzir peso. “Sua utilização, no entanto, é determinada por legislação própria e o limite diário de ingestão não deve ser ultrapassado para não causar dano ao organismo”, alerta a engenheira de alimentos.

Cupuaçu exposto em banca da Ceasa, em Campinas: da família do cacau, fruto tem propriedades bastante estudadas por cientistas de todo o mundo (Foto: Antoninho Perri)Na opinião de Vilene, as pessoas que não possuem restrições deveriam optar por produtos naturais, sem açúcar ou edulcorante. “Atualmente há uma infinidade de produtos adoçados artificialmente. O consumidor deve estar atento para não ultrapassar a ingestão diária aceitável (IDA), expressa em miligrama da substância por quilo de peso corporal, que é o limite de segurança para o uso desses produtos. Recentemente, a Anvisa reduziu o nível de uso de alguns edulcorantes como o ciclamato, a sacarina e a estévia”, alerta.

No estudo, as formulações com melhor aceitação, foram aquelas adoçadas com aspartame e sucralose, que apresentaram um perfil sensorial mais próximo ao do açúcar. O aspartame, inclusive, não só adoçou a contento a bebida, como também realçou o sabor da fruta. A estévia, por conferir gosto amargo residual, não apresentou um bom perfil de aceitação. Segundo Vilene, não basta o edulcorante ter boa aceitabilidade – a estabilidade no produto final também é importante e deve ser avaliada.

Doçura e perfil – A engenheira conta que inicialmente determinou a doçura ideal do suco de cupuaçu através da adição de sacarose, que foi de 8%. Outros testes foram necessários para se obter a equivalência de doçura dos edulcorantes em relação à sacarose.

Para traçar o perfil sensorial em relação ao aroma, sabor, aparência e textura, foi utilizada uma das técnicas mais completas da área, a Análise Descritiva Quantitativa (ADQ), que avalia qualitativa e quantitativamente todos os atributos sensoriais de um alimento.
 

Outra técnica importante foi a de Tempo-intensidade, através do programa de sistema de coleta de dados de tempo e intensidade (SCDTI), desenvolvido na FEA pela orientadora da pesquisa, Helena Bollini. Esta técnica avalia as características temporais de um produto, ou seja, qual a intensidade de um atributo, e quanto este permanece na boca. “E isto, na avaliação de edulcorantes, é essencial”, ressalta Vilene.

A engenheira também realizou teste de aceitação, atitude de compra e mapa de preferência com 123 consumidores para avaliar a preferência deste produto no mercado. “Os resultados foram estatísticamente bem confiáveis”, afirma Vilene.

Fruta é rica em pectina e potássio

O cupuaçu é rico em pectina, uma fibra solúvel que regula a taxa de glicose no sangue, melhora o funcionamento do intestino, ajuda no controle do colesterol, além de auxiliar na perda de peso, já que esta fibra dá uma sensação de saciedade e contribui na redução da ingestão de alimentos. Também possui altas concentrações de potássio e compostos voláteis.

Trata-se de uma fruta bem versátil, que pode ser aproveitada integralmente: da utilização da polpa para sorvetes, geléias, doces, sucos e iogurtes, passando pelo uso das sementes, para a obtenção de produtos semelhantes aos do cacau, como chocolates e manteigas, até chegar à casca, que pode ser utilizada como combustível.

Encontra mercado também na indústria cosmética, devido ao seu aroma agradável. “Tem sabor exótico e bem aromático, o que possibilita uma gama extensa de aplicações tanto na indústria cosmética como na alimentícia”, destaca Vilene.

Fonte: Jornal da Unicamp

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