O cupuaçu, explica a engenheira de alimentos Vilene
Braga Martins, tem um longo período de entressafra,
além de ser extremamente perecível. O custo de
transporte da fruta, explica, tornaria inviável a
sua comercialização in natura em outras
regiões do país. Por isso, a idéia de buscar
técnicas de conservação do produto, como é o caso do
suco dietético.
“Meu interesse foi, justamente, desenvolver um suco de fruta tropical
que pudesse ser consumido sobretudo por pessoas que
têm restrições ao açúcar, como no caso dos
diabéticos. Por isso, a opção por edulcorantes na
formulação. Como a sua adição em alimentos pode
influenciar no sabor do produto final, é necessário
fazer avaliações sensoriais adequadas para a escolha
da substância ideal”, argumenta a autora do estudo.
Na pesquisa, desenvolvida na FEA e orientada pela
professora Helena Maria André Bolini, a engenheira
não só traçou o perfil sensorial do suco de cupuaçu
adoçado com diferentes edulcorantes, como também fez
uma extensa análise sensorial para identificar a
possível aceitação do novo produto no mercado. Ela
afirma, inclusive, que para ser viabilizado para a
indústria, a pesquisa precisaria, apenas, de um
estudo sobre a estabilidade dos edulcorantes na
bebida.
Adoçantes – Vilene fez o suco a partir de
polpas comerciais e adicionou três diferentes
edulcorantes para comparações com a bebida contendo
sacarose. Trata-se de substâncias químicas aliadas
para quem tem diabetes ou precisa reduzir peso. “Sua
utilização, no entanto, é determinada por legislação
própria e o limite diário de ingestão não deve ser
ultrapassado para não causar dano ao organismo”,
alerta a engenheira de alimentos.
Na
opinião de Vilene, as pessoas que não possuem
restrições deveriam optar por produtos naturais, sem
açúcar ou edulcorante. “Atualmente há uma infinidade
de produtos adoçados artificialmente. O consumidor
deve estar atento para não ultrapassar a ingestão
diária aceitável (IDA), expressa em miligrama da
substância por quilo de peso corporal, que é o
limite de segurança para o uso desses produtos.
Recentemente, a Anvisa reduziu o nível de uso de
alguns edulcorantes como o ciclamato, a sacarina e a
estévia”, alerta.
No estudo, as formulações com melhor aceitação,
foram aquelas adoçadas com aspartame e sucralose,
que apresentaram um perfil sensorial mais próximo ao
do açúcar. O aspartame, inclusive, não só adoçou a
contento a bebida, como também realçou o sabor da
fruta. A estévia, por conferir gosto amargo
residual, não apresentou um bom perfil de aceitação.
Segundo Vilene, não basta o edulcorante ter boa
aceitabilidade – a estabilidade no produto final
também é importante e deve ser avaliada.
Doçura e perfil – A engenheira conta que
inicialmente determinou a doçura ideal do suco de
cupuaçu através da adição de sacarose, que foi de
8%. Outros testes foram necessários para se obter a
equivalência de doçura dos edulcorantes em relação à
sacarose.
Para traçar o perfil sensorial em relação ao
aroma, sabor, aparência e textura, foi utilizada uma
das técnicas mais completas da área, a Análise
Descritiva Quantitativa (ADQ), que avalia
qualitativa e quantitativamente todos os atributos
sensoriais de um alimento.
Outra técnica importante foi a de
Tempo-intensidade, através do programa de sistema de
coleta de dados de tempo e intensidade (SCDTI),
desenvolvido na FEA pela orientadora da pesquisa,
Helena Bollini. Esta técnica avalia as
características temporais de um produto, ou seja,
qual a intensidade de um atributo, e quanto este
permanece na boca. “E isto, na avaliação de
edulcorantes, é essencial”, ressalta Vilene.
A engenheira também realizou teste de aceitação,
atitude de compra e mapa de preferência com 123
consumidores para avaliar a preferência deste
produto no mercado. “Os resultados foram
estatísticamente bem confiáveis”, afirma Vilene.
Fruta é rica em pectina e potássio
O cupuaçu é rico em pectina, uma fibra solúvel
que regula a taxa de glicose no sangue, melhora o
funcionamento do intestino, ajuda no controle do
colesterol, além de auxiliar na perda de peso, já
que esta fibra dá uma sensação de saciedade e
contribui na redução da ingestão de alimentos.
Também possui altas concentrações de potássio e
compostos voláteis.
Trata-se de uma fruta bem versátil, que pode ser
aproveitada integralmente: da utilização da polpa
para sorvetes, geléias, doces, sucos e iogurtes,
passando pelo uso das sementes, para a obtenção de
produtos semelhantes aos do cacau, como chocolates e
manteigas, até chegar à casca, que pode ser
utilizada como combustível.
Encontra mercado também na indústria cosmética,
devido ao seu aroma agradável. “Tem sabor exótico e
bem aromático, o que possibilita uma gama extensa de
aplicações tanto na indústria cosmética como na
alimentícia”, destaca Vilene.