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Jongo
de Piquete
Foi por obra de Gilberto Augusto da
Silva que a tradição foi resgatada em Piquete, cidade paulista com
16 mil habitantes na divisa com Minas Gerais, próximo do Rio de
Janeiro.
Neto de jongueiros dos municípios mineiros de São José do Alegre e
Itajubá, o professor cresceu em convívio com pontos e batuques, que
foram se calando à medida que morriam os mestres locais; entre eles,
Dona Teresinha Generoso, vereadora que, a duras penas, mantinha a
herança africana em Piquete.
Adormecido na memória local após a morte da jongueira, nos anos
1970, o jongo foi reabilitado por Gil duas décadas depois.
E só tem feito crescer.
O
ponto de retomada foi a reunião de velhos jongueiros, no fim dos
anos 1990, para uma série de gravações em vídeo feitas pelos
pesquisadores Paulo Dias e Marcelo Manzatti, da paulistana
Associação Cultural Cachuera!, dedicada ao registro de manifestações
populares.
"Fui às casas dos jongueiros antigos para que pudéssemos formar uma
roda.
Comecei às 10 horas e só consegui juntá-los depois das 17", lembra
Gil, referindo-se às dificuldades para reunir os mestres locais;
Cafuringa, Piúla e Tia Ignez , que morreram tempos depois.
O professor aproveitou a deixa, no entanto, para aglutinar os
jongueiros: "Fui, depois, atrás dos filhos, netos e bisnetos dos
antigos. Deu certo. Não paramos mais".
O reduto do jongo em Piquete é a Vila Eleotério, para onde se
expandiu a população afro descendente do vizinho bairro da Raia, que
recebeu muitos escravos libertos após a Abolição.
De crianças com menos de 10 anos a adultos acima dos 40, cerca de 60
jongueiros estão revivendo pontos e passos preservados pelos mais
velhos, ao som do tambu e do candongueiro, apresentando-se na rua
uma vez por mês. O jongo convive em harmonia com o samba da escola
Império do Braz, onde os jongueiros desfilam durante o carnaval.
"Todo mundo do jongo também é da escola", diz o professor Gil,
fundador, compositor e cantor da agremiação carnavalesca. |