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A IDÉIA:
O projeto nasceu `a partir da constatação da riqueza do material e
de sua simplicidade aliada às mil possibilidades na criação de
formas variadas. Matéria-prima viva, a argila , através de seu
manuseio, desenvolve maior concentração e autoconfiança, favorecendo
a experiência de dar forma e sentido onde nada existia.
Com inspiração no que já afirmou a Dra. Nise da Silveira -( “ Todo
mundo deve criar alguma coisa. A criatividade reúne em si
importantes aspectos para o desenvolvimento e estruturação da psiquê”)
- busquei aliar os trabalhos com argila aos trabalhos que já vinha
desenvolvendo junto à crianças em eventos, recreações, colônias de
férias e em um trabalho pioneiro de trazer a iniciação na cerâmica
para o currículo escolar como atividade permanente em oficinas
dentro das salas de aula, na área de ensino das artes integradas em
escolas.
Partindo de temas trabalhados pela escola, as crianças eram levadas
a experimentar técnicas básicas na construção de formas utilitárias
e figurativas.
Com excelentes resultados criativos e emocionais observados,
constato que esse trabalho torna-se um grande aliado nas parcerias
em processos de aprendizado e ensino, pois contribuem efetivamente
no desenvolvimento da concentração , da auto-estima, da criatividade
e do entendimento das transformações da matéria pela ação dos 4
elementos da natureza: a terra, a água , o fogo, o ar.
Percebo ainda , que h'a no processo dos trabalhos um rico
aprendizado prático de reconhecimento de formas, volumes e texturas,
estimulando a observação da natureza, dos objetos e todas as suas
ricas variações.
Também favorece o despertar do gosto pela pesquisa, na busca de
materiais inspiradores na natureza e na apreciação de trabalhos de
ceramistas brasileiros e de outros lugares do mundo, assim como da
cidade onde se mora.
O prazer de todas as crianças com o contato do material e a
tranqüilidade e bem-estar que se observa nos trabalhos, só faz
aumentar a certeza da positividade de focar nesse material como
ponto de partida para dar forma às idéias criativas, e ao
desenvolvimento da sensibilidade dos sentidos, principalmente do
tato.
Observo ao longo de 10 anos ou mais de prática, principalmente nos
cursos ministrados em ateliês e em escolas, que o barro é material
profundamente terapêutico, que propicia um contato consigo mesmo, um
diálogo interno, que equilibra pensamentos e emoções e extravasa a
expressão de cada um com muita liberdade.
Os ”aprisionamentos” do processo criativo ficam por conta de algumas
exigências técnicas que o material apresenta caso se queira
solidificá-lo , aumentando o tempo de existência das formas criadas,
transformando-as pela ação do calor, em queimas com fornos
especializados ou em experiências rústicas com o fogo, com queimas
em buracos na terra ou em latões com serragem e carvão.
Busco sempre uma sala, tanque e/ou torneira próximos, alguns
instrumentos que podemos criar a partir de sucatas, outros
específicos fornecidos pelo projeto, barro ( argila ) que cada
criança irá adquirir via projeto ou outros fornecedores sugeridos,
uma boa mesa para trabalhar, local seguro para secagem das peças,
forno, disposição, criatividade e bom humor...
Busco sempre fazer uma ponte entre o barro e os povos indígenas, que
foram os primeiros a descobrir a riqueza deste material e muito se
beneficiaram com ele, assim como muito se descobriu da cultura
desses povos através de suas belas criações na arte cerâmica.
Andréa Sant’Anna |