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De
22 a 31 de outubro, acontecerá o 1° Festival de Teatro de
Bonecos do Gama, o GAMA FESTINECO. Durante dez dias, a magia do
teatro de bonecos estará nos quatro cantos da cidade. Todas as
apresentações terão entrada franca.
Além de grupos já conhecidos na região, como Voar Teatro de
Bonecos, Cidade dos Bonecos, Titeritar, Pilombetagem e Mistura
Intima; participarão do evento outros artistas nacionais e até
mesmo internacionais, como por exemplo: o bonequeiro chileno
Sérgio Liberona e o artista argentino Sérgio Mercúrio.
Veja a Programação!
“Os bonecos possuem vida própria. Inclusive, não pude trazer uma
boneca porque ela está doente”, brincou o artista Sérgio
Liberona do grupo Liberarte, que participou recentemente da 3ª
Festa Latina Bonequeiros e Brincantes, realizada no último mês,
em Águas Lindas-GO, pelo grupo Voar Teatro de Bonecos. No Gama,
Liberona apresentará o espetáculo “El Mago de Los Muñecos”.
De acordo com o coordenador do Evento, o bonequeiro Marco
Augusto, o Projeto tem o objetivo de oferecer cultura, lazer e
diversão a toda população, com uma programação de periodicidade
anual, baseada na vocação cultural e turística da cidade e com a
linguagem do Teatro de Bonecos. “Serão 40 apresentações para um
público estimado em 14.000 pessoas. Todas as atividades
propostas neste projeto acontecerão em espaços da cidade:
escolas da rede pública, teatros, feiras e ruas”, explicou.
Os espetáculos para o público infantil vão ocorrer nos períodos
da manhã e da tarde. À noite, haverá apresentações para o
público adulto. Serão disponibilizados ônibus para levar escolas
públicas, instituições que trabalhem com crianças carentes e
escolas da zona rural.
Veja a Programação!
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BREVE PASSEIO PELA HISTÓRIA DO
MAMULENGO
O boneco é anterior ao homem
Mestre Solon
Desde que o ser humano tenta explicar o mundo, o teatro de bonecos
existe, segundo a própria bíblia, Adão foi feito de barro e depois
animado com o sopro do espírito. Da divisão (costela) desse ser,
surgiram o homem e a mulher.
Muitas lendas falam do nascimento do ser humano a partir dos
bonecos, e existem provas da existência do teatro de animação desde
os primórdios da história.
O teatro de bonecos pode ter surgido em diversos lugares do planeta,
sem que saibamos quem começou a brincar com esses seres inanimados
que quando são manipulados ganham vida e podem, até mesmo,
transformarem-se em deuses ou demônios.
Os gregos conheciam bastante esse teatro. Em Roma, eram apresentados
em comemorações e banquetes e chamavam-se imagula e animate (imagens
animadas), homunculi (homenzinho), ou, simplesmente, pupae
(bonecos).
Os chineses, os japoneses e os indianos são mestres conhecidos desse
brinquedo, e contam histórias a mais de dois mil anos, e o mais
incrível é que essas histórias são bastante parecidas com as nossas.
São famosos os bonecos desses países onde, além da popularidade,
conservam o caráter mágico/religioso.
Na Indonésia, em Java, na Turquia e em outros países o teatro de
bonecos se apresenta também em forma de sombras, projetadas pela
luz, sobre tela transparente, numa sala escura.
No Brasil os bonecos chegaram com os primeiros portugueses que para
cá vieram, e podiam ser como em todo mundo; religiosos ou profanos.
Quando aqui chegaram tinham vários nomes; Presépio de Fala,
Bonifrates, Briguela, Engonços, mas logo adquiriram o sabor africano
e indígena e novos apelidos; João Minhoca, Cassimiro Coco, João
Redondo, Calunga, Babau e Mamulengo, como é mais conhecido.
Apresentado em qualquer parte, desde os salões da realeza até as
feiras e casas mais pobres, da casa grande à senzala, o mamulengo é
para todos, sem distinção de idade, credo religioso ou classe
social.
O mamulengueiro é geralmente um homem com grande capacidade para
inventar histórias e improvisar situações com os bonecos, brincando
com o público e fazendo críticas aos costumes sociais, esse artista
popular anda de povo em povo, levando e trazendo diversão e
informações, despertando o espírito da alegria por onde passa.
Os bonecos são feitos, geralmente de madeira e tecido, de feições
simples e movimentos engraçados, sempre lembram algum conhecido
nosso, um político, um religioso, um aventureiro, um patrão, um
empregado, alguns bichos naturais e até criações do outro mundo.
breve h
O palco pode ser qualquer tecido onde o mamulengueiro se esconda
atrás e os bonecos possam subir para brincar.
Antigamente, quando não existia a televisão e outras formas de
diversão o mamulengo fazia muito sucesso em todo o Brasil, depois
passou por uma grande crise, mas hoje em dia tem se tornado meio de
vida de muita gente que vai descobrindo novas funções para os
bonecos.
As histórias geralmente partem de roteiros transmitidos oralmente,
são clássicos que, adaptados livremente por cada mamulengueiro, se
renovam. De vez em quando um mamulengueiro inventa uma brincadeira
diferente, o que é muito bom para renovar a tradição.
Outras características marcantes do mamulengo são o improviso e a
comunicação direta com o público o que garante uma permanente
renovação do brinquedo tradicional na estrutura e renovador nos
conteúdos.
Chico Simões
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