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João Tomé
Para avaliar a importância e excelência do CD
de “João Tomé”, há que transcender padrões convencionais da critica
musical e mergulhar no universo intangível de vibrações especiais que
perspassaram gerações, chegando até nós por caminho de fraternidade,
generosidade e amor infundidos por Jão Tomé. Como milagre da natureza, ele
que nada via, era iluminado e transmitia luz.
É necessário sublinhar que não se conhece no mundo uma gravação que
deleitando todos os ouvintes, seja tão valiosa para os cegos, pelo acesso
às partituras em braille uma verdadeira e efetiva contribuição à inclusão
social.
Síntese de tudo entretanto, é a leveza e a beleza de composições, arranjos
e execuções transmitindo-nos a certeza de que podemos compor nossas vidas
com mais harmonia.
Paulo Romano |
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Entrevista João Tomé
Reprodução da primeira entrevista concedida por João Tomé ao jornal A
Marreta de Uberaba , em 22 de novembro de 1936, aos 16 anos de idade.
Quais dos distintos leitores já ouviram falar de João Tomé? Desconhecido,
não? João Tomé e um jovem muito pobres, vive ali como um prisioneiro
desventurado. Inteligente, dedicou-se a difícil arte da musica. Toca como
um verdadeiro mestre diverso instrumentos. Compõem musicas
comovedora, com letras devidamente fundamentais.Mesmo assim, vive lá
naquela encosta solitário privado de tudo aquilo que e belo na natureza. E
um verdadeiro gênio que pouquinho estudo, poderia figurar entre os
melhores compositores do Brasil, da América e do mundo “ A Marreta’’que
sabe dar valor a um talento, ouvindo algo a respeito deste moço,
procurando-o para uma dolorosa entrevista, a qual abaixo transcrevemos .
_Oh João, como vai você?
_Estou bom moço. O que há de novo.
_ Eu sou d´ “ A Marreta” , um jornal critico que se edita nesta cidade.
_Oh , o senhor e do jornal? Eu que tanto tinha vontade de conversar com um
jornalista.
_Eu não sou jornalista, mas um simples auxiliar no jornal
_Ouviram falr alguma coisa a meu respeito?
_Sim, soube que você e compositor de musicas do outro mundo
_Do outro mundo?Não ...Faço pouca coisa.
_Pois e João Tomé, estamos interessados em torná-lo popular.
_Oh quanta bondade, sou tão pobre nada tenho do que sofrimento
sobrecarrego...
_Não desanime João. Deus não desampara a pessoa que tem fé
Ouvi falar que você tem diversa musicas compostas e queremos publicar
letras. Sei
que você e pobre , mas honesto, humilde e inteligente . Deixe de
modéstia.A pessoa
modesta hoje em dia não vale nada. Você não tem nenhuma letra feita?
_Sim, tenho varias. Na maioria sambas e machas.
_ Não faz mal
_Tenho vocação mas por essa musicas, embora as outras não me são difíceis
de faze-las
E o pobre ceguinho ditou varias letras de samba e machas, que nós, honrado
com sua amizade e no firme propósito de torná-lo popular, publicaremos as
mesmas nessa coluna, parceladamente.
Não havendo nada mais a tratar, despedíamos – nos dele prometendo de vez
quando novas visitas .
João Tomé
O homem dos “ Sete Instrumentos”
A expressão “ homem de sete instrumentos”nos a empregamos, amiúda no trato
comunitário como manifestação de nossa boa administração diante da
versatilidade de um semelhante que multiplica seu tempo em afazeres
numerosos conjugadamente exercidos. Para melhorar caracterizar o nosso
focalizado de hoje, vamos tomar seu significado “ao pé da letra”.
Sim, porque a figura de quem hoje falamos e um artista popular, que
carrega consigo o dom de produzir boa arte na execução de mais diferentes
instrumentos. Maneja, com grande autoridade, o violão. Com a mesma
segurança e habilidade, toca o cavaquinho, toca o banjo, viola e bandolim.
Extrai sons harmoniosos de uma flauta de um saxofone. E domina também os
instrumentos
de percussão : o padeiro e a bateria...
Dono de tamanha versatilidade no domínio da execução instrumental , e
ainda um compositor de inspiração fáceis e fecundas , responsáveis por
melodias que andaram pelas ruas assobiadas pelo operário , nos clubes,
tocada pelas orquestras, dançadas pelos granfinos e pela sua gente modesta
e pobre que vai, vez por outra, ao encontro de uma diversão ...E tem mais:
este artista de quem vós falamos e cego. Irremediavelmente cego. Nasceu
alias cego. Este homem de sete instrumentos
cuja ávida e um estimulo ao esforço daquele que golpeados por adversidades
qualquer, encontro força para batalhas árduas da vida sabendo sobrepor –se
ás dificuldades e impor e aprimorar as virtudes e dons de Deus os haja
concedido –ESTE HOMEM DOS SETEINSTRUMENTOS, conforme já devereis ter
adivinhado, chama-se JOÃO TOMÉ.
João Tomé , filho de de Antonio Tomé e de Marinha Emilia de Almeida ambos
vivos nasceu há trinta e nove anos atrás nesta mesa cidade de Uberlândia.
Fica assim essa afirmação pitoresca de amigos por conta do entusiasmo que
esta figura do artista cego sabe inspirar nos que rodeiam e que se deixam
encarar,pela sua capacidade de produzir do artista cego sabe inspirar nos
que rodeiam e que deixam encantar, pela sua capacidade de produzir , como
instrumentais e compositor, excelente musica popular.
Por volta de 1937, mocinho Tomé bateu atrás de um dos músicos renomeados
da época, o Sr Antenores Magalhães:
_Eu vir aqui o senhor me ensina a usar a flauta ?
_Pois não , as suas ordens. Você tem instrumento meu rapaz?
_ Tenho aqui ele...
E tirou do bolso uma flauta de bambu.
Muitos anos depois, Tomé ganhava uma flauta completa , a altura dos seus
conhecimentos
rapidamente adquiridos.O presidente foi tio de Goiás.
Em 1932 quando da revolução , Tomé já tocava viola. Aprenda execultar o
instrumento depois de uma pouca lições constantemente em suas longa horas
de folga de garoto cego a quem os outros entretenimentos eram vedado ,
punha-se a dedilhar a viola que o pai lhe dera. |