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Rafael Leite "Veredas do Vale"
Um dedo de prosa
A sensibilidade de quem vive a natureza...
É assim que surge o primeiro CD de Rafael Leite: Veredas do Vale.
Com a sensação de se estar entre as árvores, ouvindo o canto dos
pássaros, olhando o céu, de um azul que só o Brasil possui.
Melodias simples ganham cores e formas no timbre forte e suave de
sua voz. Rafael canta as lembranças do que viveu, ao mesmo tempo em
que denuncia os abusos e desmandos cometidos na atualidade.
Um trabalho maduro, inteligente e que traz à tona toda a
sensibilidade de seu autor.
Sobre o artista – Rafael Leite iniciou seus estudos musicais muito
cedo em
Redenção da Serra, cidade onde nasceu. Mais tarde, já em São Paulo,
fez parte do Coral do Estado e estudou Canto e Regência Coral na
Universidade Livre de Música. Regeu corais na Baixada Santista e em
Oficinas Culturais pela Secretaria de Estado da Cultura.
Atuou profissionalmente no teatro paulistano, mas é como compositor
e intérprete que Rafael se realiza.
Suas composições são apontadas como um tipo de música quase em
extinção, por tratarem – de forma simples, mas poética – as questões
pertinentes à vida em pequenos centros urbanos, onde ainda se pode
ver uma roda de violeiros ou uma seresta sob janelas enluaradas.
Hoje em dia ele é membro do Clube Caiubi de compositores. Neste
local se reúnem, semanalmente, músicos das mais diversas formações,
com o intuito de trocar idéias e mostrar seu trabalho. Ele também
faz parte de um movimento de artistas, que tem como ponto de
encontro a Loja Mauro Discos, no Shopping Nobre Pompéia.
Vale
do Paraíba – Este sempre foi o corredor natural, por onde passou a
história deste país. Desde as primeiras incursões de Bandeiras,
passando por tropeiros, até os dias atuais, continuam a circular por
ali as nossas riquezas, costumes e tradições.
O Vale ainda é o berço de extensa produção cultural, de projeção
mundial, nacional ou regional, e se expressa nas figuras que brotam
do barro de suas várzeas, na mão calejada arpejando a viola, na voz
rouca na lida do gado, no jeito caipira e maroto do Jeca, nas rodas
de barganhas, nos escambos tão constantes nos mercados edificados
nas cidades às margens do rio Paraíba do Sul.
Da Serra do Mar até a Serra da Mantiqueira, nos mais afastados
recantos, soa sempre forte uma voz que não pode e nem quer calar.
Dessas currutelas perdidas fora do eixo viário, a que Lobato tão bem
chamou “Cidades Mortas”, é que se ouve ininterruptamente esse grito.
Da pequena Redenção da Serra se ouve agora o grito traduzido em
canções – compostas e interpretadas por Rafael Leite – registradas
neste CD que, despretensiosamente, mas não sem razão, leva o nome de
Veredas do Vale.
São por estas Veredas, percorridas com pés firmes, que a poesia rude
se emoldura de melodia para celebrar a vida, projetando esperanças
no grande futuro, mas, acima de tudo, para deixar marcas no
presente, da mesma forma que ficam as marcas dos pés descalços pelas
Veredas deste chão. |