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Aquecimento global é mais forte e
mais rápido do que se previa, diz engenheiro ambiental
Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente do Instituto Brasil, do Comitê Brasileiro do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Haroldo
Mattos de Lemos, disse que o aspecto mais importante do relatório do
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês)
divulgado hoje (2) em Paris é mostrar que o aquecimento global “está
chegando mais rápido e mais forte do que tinha sido previsto até
agora”.
O relatório mostra que até o ano de 2100 a Terra se tornará mais
quente. O aumento deve variar entre 1,8ºC e 4ºC, o que deve causar
derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e intensos
furacões. Além disso, segundo Haroldo Lemos, haverá a mudança no
balanço hídrico do planeta. “Vai modificar o regime de chuvas.
Algumas regiões do mundo vão ter mais chuvas outras vão ter menos.
Se as regiões que já têm problemas de escassez de água ficarem com
menos chuva, terão sérios problemas de falta de água”, comentou.
Segundo Haroldo Lemos, o relatório mostra que não é mais possível
fugir dos efeitos do aquecimento global e da discussão sobre formas
de combatê-lo. “Enquanto a mudança climática e os seus efeitos eram
coisas de médio e longo prazos os governantes não deram a devida
atenção. Com as conclusões desse relatório, os governos vão ter de
tomar providências, inclusive porque, com maior conscientização, a
população vai passar a exigir que os governos tomem providências com
relação a isso”, disse.
O relatório do IPCC foi divulgado em Paris e informa que o
aquecimento global significa aumento do nível do mar e catástrofes
naturais mais intensas. “A emissão de gases de efeito estufa nas
taxas atuais ou maiores têm 90% de chance de causar aquecimento
global e alterações climáticas durante o século 21 maiores do que
aquelas observadas no século 20”, diz o texto. |
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Entenda o que é o "efeito estufa" e como ele provoca
o aquecimento global
Paulo Montoia
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Ao chegar à Terra, parte da energia do sol é aprisionada
na atmosfera e isso a mantém "quentinha", a uma temperatura média de
30 graus. É esse efeito benéfico que os cientistas chamam de Efeito
Estufa, expressão que tem um sentido mais claro no original em
inglês greenhouse effect (Efeito de Estufa de Plantas). As
explicações estão na página www.unfccc.org.
Sem o efeito estufa, não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo
menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que conhecemos
hoje. O problema é que, nas últimas décadas, os climatologistas
perceberam que a temperatura média do planeta estava aumentando, ou
seja, está acontecendo uma intensificação do efeito estufa.
Popularmente, portanto, se fala nos efeitos perniciosos do efeito
estufa quando na verdade se está fazendo referência aos problemas
trazidos pela intensificação desse efeito, não por ele em sim, que
existe há milhões de anos e é fundamental para a existência de vida
no planeta.
Nas últimas décadas, os cientistas passaram a estudar as causas
desse sobreaquecimento, alertando a comunidade internacional. Esse
movimento deu origem à Convenção das Nações Unidas Sobre as Mudanças
Climáticas, aprovada e iniciada na Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, a
Eco-92, ou Rio-92.
A temperatura média do planeta já subiu 6 graus no século 20 e as
projeções indicam que subirá entre 1,4 grau e 5,8 graus até o ano
2100, se nada for feito para deter o processo, segundo informe
oficial do portal de internet da Convenção. "Mesmo uma pequena
elevação da temperatura faz-se acompanhar por mudanças climáticas
nas camadas de nuvens, nas chuvas, padrões dos ventos e duração das
estações do ano", destaca a Convenção no portal da internet.
Os gases do efeito estufa formam como que uma "redoma de vidro"
sobre o planeta, deixando entrar a luz e aprisionando o calor.
Originalmente, esses gases somavam apenas 1% do total da atmosfera.
O principal deles é o dióxido de carbono (CO²), que tinha
participação de 60% nessa soma. Ocorre que os principais energéticos
utilizados pelo homem nos últimos séculos – madeira, carvão,
petróleo e gás natural – liberam carbono (C) na atmosfera e
contribuem para formar mais dióxido de carbono (também conhecido
como gás carbônico ou CO²), que intensifica o efeito estufa.
O ciclo de absorção e liberação de carbono é um dos mais amplos e
importantes do meio ambiente e envolve ar, terra e seres vivos,
águas doces e oceanos. As plantas, por exemplo, absorvem carbono e o
armazenam. Mas a liberação de carbono no ambiente, pelo homem,
acontece numa velocidade maior do que a capacidade de absorção do
ambiente. Segundo dados da Convenção das Nações Unidas sobre o
assunto, os níveis de CO² na atmosfera estão crescendo 10% a cada 20
anos.
O Tratado de Quioto pretende reduzir as emissões de carbono,
particularmente as geradas por atividades industriais e veículos de
transporte. Objetiva também estimular todos os tipos de projetos que
preservem ou ampliem a capacidade do ambiente de absorver o CO² ou
outros gases causadores da intensificação do efeito estufa (ozônio –
O³ – ou metano, CH4, por exemplo), por meio do mercado de créditos
de carbono. |