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Curucutu e a Serra do Mar

A Região de Curucutu até 1.532 era uma região sagrada (Caapoto) para os Tupiniquins, onde a caça era controlada segundo seus próprios critérios. Protegida dos Guaianás, Tupinambás, Carijós e dos três brancos que viviam próximo: 
Antonio Rodrigues (que chegou como naúfrago em Bertioga-SP em 1493) casado com a filha do Cacique Guaianá Piqueroby (o herói da resistência, tristemente derrotado em 1562), cuja principal aldeia antes da chegada de Martin Afonso era Ururaí (São Miguel Paulista).
Mestre Cosme Fernandes, o Bacharel (foi deixado em Cananéia em 1498). Por ser líder dos Carijós, casado com Caniné, filha do cacique Arari (Feroz), inimigos mortais dos Tupiniquins, nunca se aventuraram a subir para o Planalto.
João Ramalho, (chegou como náufrago em 1.502 ou 1.512), o responsável pela subida dos brancos ao Planalto em 1532. Casou-se, entre outras índias, com Potira (Flor), a quem chamava de Bartira, filha do Cacique Guaianá Tibiriça que se tornou mais português do que índio, à contra-gosto dos irmãos Caioby e Piqueroby. 

Até 1532, a Mata Atântica da Borda do Planalto, da Vila de Paranapiacaba até Juquitiba, cruzando as bacias e nascentes dos rios Curucutu, Monos, Capivari, Embú-Guaçu, Mambú, entre outros, era protegida pela figura lendária de Curucutu (Cruru=Curumi, Cutu= cutucar, espetar). A lenda teria sido criada por um sábio Pajé. Naquela época na região haviam plantas com mutos espinhos e os caçadores Tupiniquins saíam da mata sangrando, sempre com grandes e graves arranhões de meter medo às tribos de outras regiões que viviam perto dali.

Até hoje, lutando contra as invasoras exóticas (Pinus Elliotti) podemos encontrar as samambaiaçú (diksônia-o xaxim quase levado a extinção), o caraguatá, o ananás silvestre, os juçaras, as jurubebas etc... 
Curucutu devia ser uma região muito farta em carnes: Veado Mateiro, Veado Campeiro, Queixada, Cateto, Anta, Capivara, Paca,Tatu,Lebre e o maior primata das Américas: o Mono Carvoeiro (muriqui para os índios) sem contar como uma série de pequenos animais, répteis e suculentas aves silvestres. Espécimes infelizes que iam parar nos porões dos navios, vivas ou mortas, sapecadas ou salgadas para a viajem além mar.
O domínio europeu e a própria destruição dos Tupiniquins pelos Jesuítas (mesmo sem querer), pelas Bandeiras e pelo ódio de Brás Cubas contra os nativos fizeram o pequeno Curucutu desaparecer também.
Curucutu foi a principal região abastecedora da cidade de São Paulo: Lenha e Carvão eram dali que se tirava. Depois veio a Ferrovia Mairinque-Santos: os dormentes saíram todos de lá.
Depois o gasogênio exigiu mais carvão para mover os automóveis durante a segunda guerra mundial. Quando acabou a guerra o governo aplaudiu a idéia de se incrementar por ali a Imigração. Felizmente não deu certo, mas a cidade engoliu um bom pedaço de Curucutu. Finalmente um ilustre cidadão, filho de um mais ilustre ainda resolveu cobrir o estrago com Pinus Elliotti: -diziam: "Esta espécie canadense é ótima. em pouco tempo cobre as clareiras da mata e germina até sobre pedras!" 

Só que eles nem imaginavam o poder defensivo que essa espécie exótica tem nas suas folhas, em forma de agulhas, quando caem ao solo.
Só que eles não imaginavam que muitos córregos correm para o mar levando suas sementes para a mata adentro. Só que eles nem, se quer, lembraram da mata ciliar.
A mais prejudicada em toda a história porque
a legislação ambiental proibe qualquer operação às margens dos cursos d'agua. 

Infelizmente os que fazem as leis nunca se embrenharam na mata. Só a conhecem
no papel, nos mapas e nas lendas.
Curucutu e a Serra do Mar, a nossa Serra de Paranapiacaba (lugar de onde se avista o mar em Tupi) está correndo sério risco de virar reduto de mono-vegetação. 
Os proprietários da Fazenda Santa Margarida, antiga fazenda Curucutu estão oferencendo uma área de 121 hectares para o reflorestamento nativo.
Para assim se juntarem a mais 121 hectares de reserva particular já existente, absolutamente intacta, protegida do avanço do Pinus Elliotti.
Esse plano piloto servirá de exemplo à outros proprietários da região, que poderíam até receber incentivos para os então decantados em verso e rima "Projetos de natureza sustentável".
O que pedimos é tão pouco diante do grande risco que corremos.
Ajudem-nos.
O BRASIL DE AMANHÃ SÓ DEPENDE DA SUA ATITUDE DE HOJE