Os Yanomami e os Kaiapó não querem mineração em suas terras, segundo o
documento abaixo. Mas os Cinta Larga de Rondônia querem, assim como os Tukano
e outros povos do rio Negro. E mais: querem fazê-lo em regime de mineração
familiar indígena, organizados em cooperativas, conforme já ocorre com sucesso
em algumas comunidades no sul do estado Amazonas, como também
querem treinamento específico para lapidar pedras preciosas e semipreciosas, para
agragar valor, inclusive, de design étnico às jóias e desenvolver turismo
decorrente do comércio desses produtos - ou seja, em vez de vender pedras
brutas, querem vender jóias com design étnico, preferencialmente às pessoas
que forem em suas aldeias comprar diretamente, ampliando, assim, o mercado e
o conjunto de produtos comercializáveis, como artesanato, alimentação,
hospedagem, turismo ecológico e cultural.
O
que não querem é ser preteridos por empresas de mineração, que lhes paguem
porcentagens definidas por critérios complexos demais e em valores reduzidos
demais para sua compreensão e aceitação.
Isso foi fartamente exposto em seminário, que tivemos oportunidade de
acompanhar, no mês passado em Manaus, realizado por iniciativa da COIAM
(Coordenação das Organizações Indígenas do Amazonas).
Considero que a diversidade de posições sobre esta matéria no meio indígena é
mais uma demonstração da necessidade de se reunir esses povos, numa
programação específica de discussão sobre mineração e o anteprojeto de lei
formulado pelo governo, antes que ele venha para o Congresso Nacional. E,
quando vier para o Congresso, a Câmara e o Senado deverão promover nova rodada
de discussões com os povos interessados. Como -aliás - determina a Convenção
169 da OIT, já ratificada pelo Congresso e pelo Governo do Brasil.
Dada a complexidade e o custo dessa operação política, já deveria ter
começado. E é necessário que o Governo tome a iniciativa , pois os povos e
organizações indígenas não têm condições de articular e financiar o custo
disso sem apoio do Estado brasileiro.
Por outro lado, o resultado possível de uma articulação bem feita nesse
sentido, pode render bons frutos não apenas aos povos indígenas, mas ao país e
à sociedade brasileira em seu conjunto.
Raoni e
lideranças kaiapó metyktire protestam contra mineração em suas terras
[13/08/2007 12:37]
O cacique Raoni e outros líderes
kayapó metyktire da Terra Indígena Capoto-Jarina (MT) protestam contra a
mineração
em Terras Indígenas, em carta endereçada ao presidente da Fundação
Nacional do índio (Funai), Marcio Meira e ao Presidente Lula, e pedem respeito
aos povos indígenas.

Cacique Raoni: os kayapós vão ficar
bravos se a mineração invadir nossas terras
A carta é curta e contundente. Nela,
Raoni e os caciques da TI Capoto-Jarina (MT), do povo Kayapó, lembram as
conseqüências desastrosas que a mineração pode trazer para à saúde de seu povo,
dos bichos, da água e dizem que não querem garimpeiros em suas terras. Terminam
aconselhando o governo brasileiro a fazer mineração em terra de políticos e
fazendeiros. Os kayapó engrossam assim o coro com outras lideranças indígenas,
como Davi Yanomami, contra o projeto de lei de mineração
em Terras Indígenas. Leia a carta na íntegra.
Aldeia Metyktire, 08 de agosto de
2007
Ao sr. Márcio
Meira, Presidente da Funai
C\c ao Presidente
Luís Inácio Lula da Silva
Prezados Senhores
Não estou gostando da lei de
mineração que o governo Lula quer fazer. A mineração vai estragar as Terras
Indígenas, os Kaiapós vão ficar bravos se a mineração invadir as nossas terras.
A mineração vai trazer doenças para nosso povo, vai matar os peixes e os animais
que são nossos alimentos, vai poluir a nossa água. Nós não queremos que os
garimpeiros entrem na nossa terra, a mineração vai acabar com a nossa saúde.
Nós não queremos que o governo Lula
atrapalhe a nossa vida. Nós temos direito de viver na nossa terra, que é nossa
antes dos brancos chegarem. Como nós vamos viver na terra estragada?
O governo do Brasil precisa ter
respeito pelos povos indígenas. A mineração só vai enriquecer as grandes
empresas e os garimpeiros, nós índios vamos ficar pobres. Nós não queremos o
dinheiro da mineração, nossa riqueza é o mato, o rio limpo, nossas roças, nossas
frutas, nossos remédios, tudo o que existe na nossa mata. Essa é a nossa
riqueza.
Se o governo quer mineração, pode
fazer num outro lugar, na terra dos fazendeiros e dos políticos, na nossa terra
nós não queremos mineração.
Caciques da Terra Indígena
Kapoto-Jarina:
Ropni Metyktire
Iodji Metyktire
Pekan Metyktire
Jabuti Metyktire
Ndokere Tapajuna
Katàptire Metyktire
Fonte: ISA.
|