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Povos Indígenas do Brasil

Tribo Caiapó/MT
Tribo Caiapó/PA
Waiana Apalai
Tribo Yanomami
Fotos André Dusek.

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Quem tem medo de formiga não mexe no formigueiro.

Os Yanomami e os Kaiapó não querem mineração em suas terras, segundo o documento abaixo. Mas os Cinta Larga de Rondônia querem, assim como os Tukano e outros povos  do rio Negro. E mais: querem fazê-lo em regime de mineração familiar indígena, organizados em cooperativas, conforme já ocorre com sucesso em algumas comunidades no sul do estado Amazonas, como também querem treinamento específico para lapidar pedras preciosas e semipreciosas, para agragar valor, inclusive, de design étnico às jóias e desenvolver turismo decorrente do comércio desses produtos - ou seja, em vez de vender pedras brutas, querem vender jóias com design étnico, preferencialmente às pessoas que forem em suas aldeias comprar diretamente, ampliando, assim, o mercado e o conjunto de produtos comercializáveis, como artesanato, alimentação, hospedagem, turismo ecológico e cultural.

O que não querem é ser preteridos por empresas de mineração, que lhes paguem porcentagens definidas por critérios complexos demais e em valores reduzidos demais para sua compreensão e aceitação.

Isso foi fartamente exposto em seminário, que tivemos oportunidade de acompanhar, no mês passado em Manaus, realizado por iniciativa da COIAM (Coordenação das Organizações Indígenas do Amazonas).

Considero que a diversidade de posições sobre esta matéria no meio indígena é mais uma demonstração da necessidade de se reunir esses povos, numa programação específica de discussão sobre mineração e o anteprojeto de lei formulado pelo governo, antes que ele venha para o Congresso Nacional. E, quando vier para o Congresso, a Câmara e o Senado deverão promover nova rodada de discussões com os povos interessados. Como -aliás - determina a Convenção 169 da OIT, já ratificada pelo Congresso e pelo Governo do Brasil. 

Dada a complexidade e o custo dessa operação política, já deveria ter começado. E  é necessário que o Governo tome a iniciativa , pois os povos  e organizações indígenas não têm condições de articular e financiar o custo disso sem apoio do Estado brasileiro.

Por outro lado, o resultado possível de uma articulação bem feita nesse sentido, pode render bons frutos não apenas aos povos indígenas, mas ao país e à sociedade brasileira em seu conjunto.

Áurea Lúcia  

Raoni e lideranças kaiapó metyktire protestam contra mineração em suas terras
[13/08/2007 12:37]

O cacique Raoni e outros líderes kayapó metyktire da Terra Indígena Capoto-Jarina (MT) protestam contra a mineração em Terras Indígenas, em carta endereçada ao presidente da Fundação Nacional do índio (Funai), Marcio Meira e ao Presidente Lula, e pedem respeito aos povos indígenas.

Cacique Raoni: os kayapós vão ficar bravos se a mineração invadir nossas terras

A carta é curta e contundente. Nela, Raoni e os caciques da TI Capoto-Jarina (MT), do povo Kayapó, lembram as conseqüências desastrosas que a mineração pode trazer para à saúde de seu povo, dos bichos, da água e dizem que não querem garimpeiros em suas terras. Terminam aconselhando o governo brasileiro a fazer mineração em terra de políticos e fazendeiros. Os kayapó engrossam assim o coro com outras lideranças indígenas, como Davi Yanomami, contra o projeto de lei de mineração em Terras Indígenas. Leia a carta na íntegra.

Aldeia Metyktire, 08 de agosto de 2007

Ao sr. Márcio Meira, Presidente da Funai

C\c ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva

Prezados Senhores

Não estou gostando da lei de mineração que o governo Lula quer fazer. A mineração vai estragar as Terras Indígenas, os Kaiapós vão ficar bravos se a mineração invadir as nossas terras. A mineração vai trazer doenças para nosso povo, vai matar os peixes e os animais que são nossos alimentos, vai poluir a nossa água. Nós não queremos que os garimpeiros entrem na nossa terra, a mineração vai acabar com a nossa saúde.

Nós não queremos que o governo Lula atrapalhe a nossa vida. Nós temos direito de viver na nossa terra, que é nossa antes dos brancos chegarem. Como nós vamos viver na terra estragada?

O governo do Brasil precisa ter respeito pelos povos indígenas. A mineração só vai enriquecer as grandes empresas e os garimpeiros, nós índios vamos ficar pobres. Nós não queremos o dinheiro da mineração, nossa riqueza é o mato, o rio limpo, nossas roças, nossas frutas, nossos remédios, tudo o que existe na nossa mata. Essa é a nossa riqueza.

Se o governo quer mineração, pode fazer num outro lugar, na terra dos fazendeiros e dos políticos, na nossa terra nós não queremos mineração.

Caciques da Terra Indígena Kapoto-Jarina:

Ropni Metyktire

Iodji Metyktire

Pekan Metyktire

Jabuti Metyktire

Ndokere Tapajuna

Katàptire Metyktire

Fonte: ISA.