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Turiba:
Breve preâmbulo sobre as coisas do Resa
Resa A tragédia humana está posta na ponta da
agulha.Algumas coisa dói lá no fundo. Cartas fora do baralho mas dentro da
vida. Poética fina, cortante. Objetos coisa com significados estéticos
maximizados. Não esqueça do seu escafandro ao mergulhar no mundo das coisas
. Prego, balas, agulhas, esferas, dedos, laminas. É o dedal do anti-tal.Tudo vão
passando em visões tridimensionais . Atenção especial nos jogos
semânticos dos títulos. Como no samba do Charme da Simpatia: “O rei da
triste não quer/mas eu faço a poesia/um dia eu invento a piada/e o rei
vai morrer de alegria .”: Ou seja é escape metamorfose.
Cartas Marcadas
Poesias Visuais
Artistas visuais,designer, Resa (Luis Eduardo
Resende para registros oficiais) desempenhou um papel essencial na aventura de
Bric-a-Brac, a melhor revista da literatura experimental que Brasília já teve e
uma das melhores do Brasil, território livre para todas as aventuras, pilotada
por Luís Turiba, Lúcia Leão, João Borges (nos primeiros números ) e ...Resa, que
atuou como o seu programador visual nos seis números da publicação, de 1985 a
1991. Uma característica de sua personalidade era ao ousadia dos experimentos
gráficos que ele criava ou decifrava, poético que lhe eram encaminhas, mas já
invadindo, ele próprio, a área da poesia visual nas capas e em outros trabalhos
de sua autoria incluídos na revista. outra, mais pessoal, a ternura e o humor com
que tratava os companheiros de viagem, ele próprio, além de co – aventureiro,
“uma figura “, como se diz quando se quer fazer referencia a alguém que se
distingue não só pela obra, mas pela originalidade de sua persona. De longe,
continuei a seguir, o quanto puder, seu percursos de designer visual. Reecontrei-o
na colaboração do projeto gráfico e diagramação do alentado livro Noel Rosa, uma
biografia, de João Máximo e Carlos Didier (publicado em 1990 pela Editora
Universidade de Brasília em consórcio com linha Gráfica Editora), o mais
completo que se fez sobre o poeta da Vila, amados por todos nós. Voltei a vê-lo , com destaque, ao lado do notável crítico e poeta Antonio Riséiro, na construção de
alguns de seu belos poemas visuais – Riso & Resa, como batizei de ponto a nova
dupla, ao deparar com eles em Fetiche, livro de poesia de Riséiro, editado pela
Fundação Casa de Jorge Amado, Salvador, em 1996. Resa tenta agora uma outra
aventura, um novo desafio,propondo-se apresentar um conjunto de trabalhos
visuais que podem exposição de livro próprios. Pertencem aquele gênero de
trabalhos que não se podem classificar ou tabelar facilmente Wagner Barja
incluiu com justeza alguns deles na exposição Obranome (Brasília, 2003) ,
dedicada precisamente a esse espaço ou “vão” (expressão de Barja)
interdisciplinar entre objeto- poema da poesia–arte visual. São trabalhos que
se posicionam numa linha intermediária entre objeto-poema e/ou poesia plástica, aquilo que norte-americano Dick Higgins, discípulo de John Cage e integrante
do grupo Fluxus, denominou “intermídia” . Com elementos do cotidiano, cartas de
baralho, pregos, agulhas, pequenas esferas metálicas, palha de aço, alfinetes,
dado constrói ele um universo minimal que aparece conter interrogações
inquietantes. Dados e cartas de baralho acentuam, dominantes, o caráter lúcido
dessas formações artísticas ambivalentes, a que os títulos apensados pelo
artista ,carregados de humor –ao modelo de Satier, Klee, Duchamp, Joan Brossa,
parentes próximos ou remotos – , dão a nota verbal, poética. São títulos não
necessariamente enclausurantes, antes provocações ambíguas, já que visto como
objeto plástico, podem comportar outros sentidos, ou nenhum, ultrapassando as
sugestões do autor. Diria que são pistas, pegadas que deixou o artista para trazer
as abstrações ao chão, que contudo não impedem uma interpretação livre quando
se considera a estrutura plástica de suas composições, enxutas e construídas
com um toque de pop e uma pitada de Kitsch. Caso de “Anjo”, “Solitário” , “Toda
exatidão e fraude” tantos outros. Esta e a nova aventura a que se propõe Resa, obra
de “amor e humor” que oscila entre o real e o inrreal, a plasticidade e a
poesia, num vôo plástico, demasiadamente poético, ao mesmo tempo rigoroso e
aberto. |