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ALICE
MASIERO
O dia –a-dia e a infância são o ponto de
partida para as imagens criadas por Alice Masiero. Suas telas surgem
exatamente de maneira criativa como consegue colocar em suas telas
fragmentos daquilo que vê e momentos que recorda. Esses temas ganham, em seu
trabalho pictórico, uma visão lírica muito pessoal e constituem uma poética
que merece observação atenta.
Nascida em Morungaba, SP, em 13 de outubro , Alice, descendentes de
italianos, descobriu logo na infância a fascinação pelas cores. Uma dessas
matizes está nas festas populares que hoje comparecem em suas telas.
Situações vivenciadas e pessoas que conheceu são devidamente transformados
em imagens em que a cor é fundamental.
De fato, os quintais e as ruas da sua cidade natal parecem ser o local de
onde a artista extrai a sua força criativa. Alcança assim alguns resultados
estéticos bastante significativos, principalmente em dois aspectos: o uso de
pequenos traços verticais e horizontais e a forma como se vale das
transparências.
Os traços são, na verdade, pinceladas muito delicadas, quase um pontilhismo,
que já constituem uma marca registrada da artista. Usados verticalmente no
céu, por exemplo,ou, na horizontal, num curso de água, dão ás imagens que
cria um interessante dinamismo. Feitos sobre o fundo, quebra a monotonia e
estabelece uma relação de empatia estética com o observador.
Em relação ao uso da transparência, surpreende positivamente a habilidade de
Alice de pintar peças de vestuário, sob os quais há nus femininos. A
delicadeza e ingenuidade do procedimento e o resultado agradável de ser
visto revelam uma artista que buscam um aprimoramento técnico,mas não um
desejo de perder a espontaneidade que lhe dá o prazer e a alegria de pintar.
Alice Masiero apresenta em seu trabalho a inquietação das grandes artistas.
Busca soluções criativas e, com traços pequenos e próximos já tem marca
registrada, que pode aprimorar num processo continuo de valorização de um
dos seus principais méritos: a habilidade colorística o manejo com a cor,
que também exercita na confecção de mosaicos, é o passo decisivo para que
conquiste seu espaço não apenas no universo naïf, mas no rol dos artistas
paulistas e brasileiros que transformam o cotidiano e a infância na matéria
– prima de criações memoráveis.
Oscar D”Ambrosio, jornalista,mestre em artes pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de críticos de Arte ( AICA-Seção
Brasil ) é o autor de Contando a Arte de Ranchinho
e Os Pincéis de Deus: vida e obra do pintor Naïf Waldomiro de Deus .
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